Milei, da Argentina, busca reservas de dólares escondidas para impulsionar a recuperação econômica.

Milei, da Argentina, busca reservas de dólares escondidas para impulsionar a recuperação econômica.
Noris Soto
22 de mai. de 2025, 14:28 PM
  • O novo decreto da Argentina permite que os residentes utilizem dólares americanos não declarados sem revelar sua origem.
  • A medida visa trazer bilhões de dólares em dinheiro escondido de volta para a economia formal, a fim de impulsionar o crescimento.
  • Ela amplia a anistia fiscal do ano passado e também será submetida ao Congresso na forma de projeto de lei.

Espera-se que o presidente argentino, Javier Milei, assine um decreto na quinta-feira que poderá liberar bilhões de dólares em dinheiro guardado por pessoas preocupadas com a longa história de volatilidade econômica do país.

De acordo com o porta-voz presidencial, Manuel Adorni, a nova medida, que se baseia em uma tentativa anterior de anistia, permite que os argentinos usem fundos não declarados sem revelar sua origem.

A iniciativa visa trazer depósitos informais para o sistema bancário formal, um passo crucial enquanto o país tenta se recuperar de uma recente recessão técnica e busca conter a inflação, que anteriormente havia disparado para três dígitos ao ano.

O Ministro da Economia, Luis Caputo, considera o programa como um componente-chave da estratégia econômica mais ampla de Milei para restaurar o crescimento e a confiança financeira.

Uma nação de banqueiros de colchões

Existe uma percepção negativa dos bancos argentinos. Ao longo dos anos, crises econômicas, desvalorizações cambiais e controles de capital fizeram com que muitos residentes passassem a guardar suas economias principalmente em dinheiro.

Essas reservas são geralmente guardadas debaixo dos colchões, em cofres domésticos ou enviadas para o exterior.

Como resultado, uma quantia em dólares americanos fora da economia formal surgiu em forma de "sombra" sob essa cultura de segredo financeiro.

O governo acredita que bilhões dessas moedas permaneceram fora dos canais oficiais, o que as tornou impossíveis de investir, emprestar ou, de outra forma, colocar em uso produtivo.

A administração dele acredita que esse capital não utilizado é vital para estabilizar a economia.

O governo está apostando em criar confiança ao legalizar o uso de dinheiro não declarado sem penalidades ou investigações, incentivando os argentinos a, entre aspas, "reintroduzir" seu dinheiro.

Ampliação de uma anistia anterior

O novo decreto sucede a um programa de anistia fiscal lançado no ano passado, que trouxe dezenas de bilhões de dólares de volta para a economia formal.

Em troca da declaração de rendimentos e bens ocultados das autoridades fiscais, o esquema oferecia segurança jurídica.

Foi uma das medidas mais contundentes para incentivar a transparência financeira na administração de Milei, mas sem a ameaça de punição.

O novo decreto abre as portas para muitas pessoas que desejam participar sem medo de represálias, pois, ao contrário de anistias anteriores vinculadas a declarações de bens ou prazos, ele não especifica termos precisos.

Em uma mudança monumental, ela elimina a obrigação de declarar a origem do dinheiro, criando assim um ambiente mais amigável para que pessoas comuns com economias não declaradas entrem na economia legalmente.

A medida também será apresentada no Congresso como um projeto de lei independente, possivelmente para codificá-la em lei e fazer com que dure mais tempo do que uma ordem executiva presidencial.

Focando em argentinos comuns

A administração afirma que a nova política tem como objetivo auxiliar cidadãos comuns, e não elites abastadas ou atores ilegais.

Os funcionários esperam que, ao apresentar o projeto como uma cura para anos de repressão financeira, ganhem apoio popular e eliminem o estigma da participação.

De acordo com Caputo, o objetivo não é facilitar a lavagem de dinheiro, mas respeitar a história econômica particular da Argentina, que levou milhões de pessoas a desconfiarem das instituições e a protegerem suas economias de forma independente.

Os defensores afirmam que incorporar esse dinheiro na economia legal aumentará os investimentos, promoverá o consumo e diminuirá a demanda por mercados ilegais.

Como resultado, isso poderia ajudar a estabilizar os preços, aumentar a receita do governo e incentivar reformas financeiras mais amplas.