Grupos empresariais do Brasil pedem ao congresso que revoque o aumento do imposto IOF.

Grupos empresariais do Brasil pedem ao congresso que revoque o aumento do imposto IOF.
Noris Soto
27 de mai. de 2025, 13:26 PM
  • Federações empresariais alertam que o aumento do imposto IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) aumentará os custos de crédito e prejudicará os investimentos em setores-chave.
  • O manifesto afirma que a medida acarreta custos de R$ 19,5 bilhões (US$ 3,83 bilhões) e distorce o mercado financeiro do Brasil.
  • O Congresso enfrenta uma pressão crescente para anular o decreto, com vários partidos apresentando propostas de revogação.

Representantes do setor empresarial no Brasil divulgaram em conjunto um manifesto pedindo ao Congresso Nacional que revogue um decreto do governo que aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

De acordo com os signatários do documento, o aumento de impostos impõe um novo ônus de R$ 19,5 bilhões (US$ 3,82 bilhões) em 2025.

Entre os signatários do manifesto estão a CNC (Confederação Nacional do Comércio), a CNI (Indústria), a CNA (Agricultura), a CNseg (Seguros), a OCB (Cooperativas), a CNF (Instituições Financeiras) e a Abrasca (Empresas Públicas).

O decreto, que aumenta o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) em operações de crédito, câmbio e seguros, tem enfrentado cada vez mais resistência por parte do setor privado.

Os signatários do manifesto divulgado na noite de segunda-feira afirmam que a medida aumentará substancialmente o custo do crédito para empresas produtivas e agravará as distorções econômicas atuais, especialmente no que diz respeito aos mercados financeiros.

Os grupos mencionam que os empréstimos são atualmente tributados a uma taxa superior a 110% ao ano e destacam o impacto nos planos de pensão privada, como o VGBL.

Impacto econômico e distorções de mercado

O novo imposto terá um impacto direto nas importações de insumos e bens de capital, desencorajando o investimento e dificultando a modernização do parque industrial nacional, segundo o documento.

As organizações também enfatizam que o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) deve ter uma função regulatória, e não fiscal, e denunciam o aumento de impostos como uma medida de geração de receita.

Eles acreditam que o aumento da carga tributária afeta o clima de negócios do Brasil, que já é conhecido por ter um dos sistemas de tributação mais altos do mundo.

"É necessário garantir que o aumento da receita venha com o crescimento, e não com mais impostos", afirma o manifesto.

Embora o governo tenha revogado alguns dos elementos do decreto, como os impostos sobre fundos nacionais no exterior e as remessas para investimento, manteve os altos impostos sobre crédito, operações cambiais e compras com cartão internacional.

A resistência do Congresso ganha força.

A mobilização do setor empresarial está aumentando a pressão política sobre o presidente da Câmara, Hugo Motta, que criticou publicamente a posição do governo.

Motta criticou o dogmatismo fiscal depois que o Ministro das Finanças, Fernando Haddad, disse que o Congresso estava demorando a aprovar as reformas fiscais.

"Aqueles que gastam mais do que ganham não são vítimas, são autores", disse Motta, sinalizando uma crescente divergência entre o Congresso e o Poder Executivo em relação à política econômica.

O manifesto contesta implicitamente uma posição muito clara do governo, ao apontar que os aumentos de impostos enfraquecem os três pilares de uma economia forte.

Os grupos pedem um arcabouço institucional "mais forte" para restabelecer o equilíbrio fiscal sem aumentar os impostos para resolver os problemas das finanças públicas.

Ação legislativa no horizonte

Os oponentes políticos estão agora tentando contestar o decreto por meios parlamentares legítimos.

Partidos como PL, Novo, União Brasil, MDB e Solidariedade propuseram sete decretos legislativos (PDLs) para contestar a medida.

Espera-se que Motta se reúna com os líderes do partido na quinta-feira, 29 de maio, para discutir os próximos passos.

Enquanto isso, o governo estaria considerando usar um possível bloqueio a emendas legislativas como forma de pressão nas negociações com o Congresso.

À medida que a discussão sobre responsabilidade fiscal se intensifica, o aumento do imposto IOF surgiu como um ponto crítico na luta maior entre os poderes executivo e legislativo do Brasil, com o ambiente econômico e as perspectivas de investimento do país em jogo.