Ações da Azul, do Brasil, caem 40% após pedido de falência (Capítulo 11)

Ações da Azul, do Brasil, caem 40% após pedido de falência (Capítulo 11)
Noris Soto
28 de mai. de 2025, 11:19 AM
  • A Azul entrou com pedido de falência no Capítulo 11 nos EUA, buscando reduzir US$ 2 bilhões em dívidas e garantir novo financiamento.
  • As ações da empresa caíram 40% com a notícia, somando-se a uma queda de 70% até agora neste ano.
  • A decisão ameaça a fusão planejada com a Gol, que visa criar a maior companhia aérea do Brasil.

As ações da Azul, companhia aérea brasileira, caíram pelo menos 40% no pregão eletrônico pré-mercado dos EUA nesta quarta-feira, depois que a empresa solicitou proteção do Capítulo 11 nos Estados Unidos.

A medida destaca a contínua tensão econômica decorrente da pandemia de COVID-19. Isso torna a Azul a mais recente companhia aérea latino-americana com dificuldades financeiras a recorrer aos tribunais para proteção contra dívidas, após uma prolongada crise do setor.

De acordo com uma reportagem da Reuters, a companhia aérea citou passivos da era da pandemia como a principal justificativa para sua solicitação de falência, apesar dos esforços subsequentes para estabilizar seu balanço patrimonial por meio de acordos de reestruturação e injeções de capital.

As ações da empresa, listadas nos EUA, caíram aproximadamente 40% no pregão pré-mercado, elevando a queda acumulada no ano para cerca de 70%.

Plano de reestruturação visa reduzir a dívida e aumentar a liquidez.

A companhia aérea divulgou um acordo de reestruturação em um documento de valores mobiliários, que inclui US$ 1,6 bilhão em financiamento comprometido durante o processo, a eliminação de mais de US$ 2 bilhões em dívidas e um compromisso adicional de até US$ 950 milhões em financiamento de capital próprio após a reestruturação.

Essas ações poderiam ajudar a companhia aérea a seguir em frente, mantendo a continuidade do serviço.

A empresa informou que chegou a acordos com as principais partes interessadas, incluindo credores de títulos, a empresa de arrendamento de aeronaves AerCap e os parceiros estratégicos United Airlines e American Airlines.

Esses acordos visam ajudar a Azul no processo de reestruturação e emergir da falência com um balanço patrimonial mais saudável.

A United e a American Airlines também concordaram em investir até 300 milhões de dólares para garantir uma oferta de direitos de ações, com o objetivo de pagar o financiamento do devedor em posse da empresa, após sua saída da falência.

As pressões da era da pandemia continuam a pesar na recuperação.

Os problemas financeiros da Azul são semelhantes aos de outras companhias aéreas latino-americanas que declararam falência, incluindo Aeromexico, Avianca, Gol e LATAM Airlines.

Apesar dos esforços para reestruturação em 2023, incluindo um contrato para converter US$ 550 milhões em dívida em ações e levantar US$ 500 milhões de detentores de títulos, a Azul ainda está com dificuldades.

Os altos custos operacionais, os atrasos nas entregas de aeronaves devido a problemas na cadeia de suprimentos e a desvalorização do real brasileiro contribuíram para o aumento dos custos de serviço da dívida em dólares.

Ao final do primeiro trimestre de 2024, a dívida líquida da Azul havia aumentado 50% em relação ao ano anterior, atingindo 31,35 bilhões de reais (5,6 bilhões de dólares).

A situação piorou no mês passado quando uma captação de capital ficou aquém das expectativas, fazendo com que as ações da Azul caíssem ainda mais e levando as agências de classificação de crédito, como Fitch e S&P, a rebaixar a classificação de crédito da empresa.

Este último citou o aumento do risco de inadimplência em sua decisão.

Projeções de fusão com a Gol diminuem

O caso de falência também coloca em risco as aspirações da Azul de se fundir com a Gol, sua principal concorrente.

A fusão das duas empresas poderia ter resultado em uma operadora dominante no Brasil, a maior economia da região.

O CEO da Azul, John Rodgerson, referiu-se anteriormente a tal união como um potencial "campeão nacional" para a aviação brasileira.

No entanto, com a Azul agora em processo de falência (Capítulo 11), as perspectivas de uma fusão diminuíram drasticamente.

Qualquer consolidação futura provavelmente será adiada ou cancelada por completo enquanto a Azul trabalha para se recuperar da falência e restabelecer sua saúde financeira.

As operações continuarão durante o processo de falência.

A Azul, no entanto, enfatizou que continuaria a operar normalmente, tanto em relação aos voos quanto às vendas, durante o processo do Capítulo 11.

A companhia aérea considera o caso de falência como um mecanismo para liquidar dívidas de longo prazo, em vez de um reflexo de seu desempenho diário ou das expectativas dos clientes.

A Azul possui uma estratégia de financiamento e o apoio de acionistas importantes, e espera concluir sua reestruturação antes do final de 2025.

Ainda resta saber se a companhia aérea conseguirá navegar com sucesso por essa saída, sendo crucial um desempenho financeiro recém-estabilizado para compensar as contínuas dificuldades macroeconômicas e operacionais.