Trump acusa Harvard de "desrespeito" e quer limite de 15% para estudantes estrangeiros.

Trump acusa Harvard de "desrespeito" e quer limite de 15% para estudantes estrangeiros.
Utkarsh Roshan
28 de mai. de 2025, 14:51 PM
  • O presidente Donald Trump pediu na quarta-feira que a Universidade de Harvard limite o número de estudantes estrangeiros a 15%.
  • "Harvard tem que se comportar. Harvard está tratando nosso país com grande desrespeito", acrescentou Trump.
  • A administração já tomou medidas para suspender o financiamento federal de Harvard.

O presidente Donald Trump pediu na quarta-feira que a Universidade de Harvard limite o número de estudantes estrangeiros a 15%, intensificando uma série de medidas tomadas por sua administração com o objetivo de pressionar a escola da Ivy League em relação às suas políticas de admissão e governança.

"Acho que eles deveriam ter um limite de talvez cerca de 15%, não 31%", disse Trump durante comentários na Casa Branca.

"Temos pessoas que querem ir para Harvard e outras escolas, mas não conseguem entrar porque temos estudantes estrangeiros lá."

De acordo com dados de Harvard, quase 6.800 estudantes — ou cerca de 27% do corpo discente da universidade — são internacionais, um aumento em relação aos 19,6% de 2006.

Incluindo participantes sem diploma, bolsistas e seus dependentes, a universidade afirma que a população internacional ultrapassa os 10.000 habitantes.

"Quero ter certeza de que os estudantes estrangeiros são pessoas que podem amar nosso país", acrescentou Trump.

"Harvard tem que se comportar. Harvard está tratando nosso país com grande desrespeito e tudo o que está fazendo é se afundando cada vez mais", disse o presidente dos EUA a repórteres reunidos no Gabinete Oval.

Donald Trump contra a Universidade de Harvard

Os comentários de Trump surgem em um momento em que a administração intensifica sua campanha que visa o que ela chama de viés de esquerda e supervisão ineficaz nos campus universitários.

Harvard tem sido um ponto focal da iniciativa da administração para combater o antissemitismo no ensino superior, particularmente após os protestos estudantis contra a guerra em Gaza.

A administração já tomou medidas para suspender o financiamento federal de Harvard e restringir sua capacidade de matricular novos estudantes internacionais.

Os funcionários também pediram mudanças abrangentes na governança da universidade, na contratação de professores e nos processos de admissão, alegando que a instituição admite estudantes internacionais hostis aos valores americanos.

Harvard contestou as ações da administração na justiça. Um juiz federal concedeu recentemente à universidade uma liminar que impede a aplicação do congelamento de matrículas de estudantes estrangeiros.

A escola também tem combatido os esforços da administração para revogar seu status de isenção fiscal e rescindir contratos federais — medidas que podem acarretar consequências financeiras significativas, mesmo para uma universidade com um patrimônio de 53 bilhões de dólares.

Trump compara Harvard com Columbia.

Trump comparou Harvard com outra universidade da Ivy League, a Columbia University, que, segundo ele, está colaborando com a administração.

"Harvard tem que entender que a última coisa que eu quero é machucá-los. Eles estão se machucando sozinhos. Eles estão brigando", disse ele.

"Columbia tem se comportado muito, muito mal — o que eles fizeram, eles são muito antissemitas e fazem muitas outras coisas — mas estão trabalhando conosco para encontrar uma solução."

"Mas Harvard quer lutar, quer mostrar o quão inteligente é, e está levando uma surra", acrescentou ele.

Administração Trump suspende entrevistas para vistos de estudante

Os comentários surgem no momento em que a administração Trump anunciou uma mudança de política, suspendendo a agendamento de novas entrevistas de visto de estudante para candidatos internacionais que desejam estudar nos Estados Unidos.

A decisão, dirigida pelo Secretário de Estado Marco Rubio, faz parte de uma iniciativa mais ampla para expandir a verificação de mídia social para candidatos a vistos, citando preocupações com a segurança nacional.

A medida gerou preocupação imediata entre universidades, estudantes internacionais e defensores da imigração, que alertam que ela poderia perturbar o sistema de ensino superior dos EUA e suas contribuições econômicas significativas.

Os Estados Unidos têm sido historicamente um destino líder para estudantes internacionais, recebendo mais de 1 milhão anualmente nos últimos anos.