Mercados asiáticos abertos: Nikkei, Hang Seng caem com choque tarifário de 55% EUA-China; Sensex pronto para um começo fraco

Mercados asiáticos abertos: Nikkei, Hang Seng caem com choque tarifário de 55% EUA-China; Sensex pronto para um começo fraco
Deepali Singh
12 de jun. de 2025, 00:08 AM
  • O presidente Trump anuncia um "acordo fechado" com a China, incluindo uma tarifa chocante de 55%.
  • Os mercados asiáticos reagem com cautela: Nikkei cai 0,72%, Hang Seng cai 0,80%.
  • O Sensex e o Nifty 50 da Índia estão prontos para uma abertura mais baixa em meio ao nervosismo global.

Uma onda de incerteza tomou conta dos mercados financeiros asiáticos na quinta-feira, enquanto os traders lutavam para digerir uma declaração surpreendente do presidente dos EUA, Donald Trump: um acordo comercial com a China estava "fechado" e veio com um preço alto.

O sentimento cauteloso resultante pintou um quadro misto nas bolsas da região, com os investidores avaliando a estrutura do novo acordo em um cenário de mudança de dados econômicos.

A reação inicial foi uma fuga do risco nos principais mercados. Em Tóquio, o índice de referência do Japão, Nikkei 225, caiu 0,72%, enquanto o índice Topix mais amplo caiu 0,46%.

O pessimismo se estendeu a Hong Kong, onde o índice Hang Seng caiu 0,80%, e à China continental, com o CSI 300 perdendo 0,23%.

Contrariando a tendência, no entanto, estavam os mercados da Coreia do Sul, onde o Kospi subiu 0,34%, e da Austrália, onde o S&P/ASX 200 registrou um ganho modesto de 0,25%.

O 'acordo fechado' de Trump causa choque tarifário de 55%

O principal catalisador para o desconforto do mercado foi a natureza do próprio acordo comercial.

Em um post em sua plataforma Truth Social, o presidente Trump anunciou que o acordo estava "feito, sujeito à aprovação final com o presidente Xi e eu".

Ele detalhou uma estrutura em que a China forneceria ímãs e "quaisquer terras raras necessárias", e os EUA permitiriam que estudantes chineses frequentassem suas universidades.

Mas foram os detalhes tarifários que causaram uma sacudida nos mercados. Trump afirmou: "ESTAMOS RECEBENDO UM TOTAL DE TARIFAS DE 55%, A CHINA ESTÁ RECEBENDO 10%".

O número foi posteriormente confirmado pelo secretário de Comércio, Howard Lutnick, que afirmou que as tarifas sobre a China permanecerão nesse nível.

Esse desenvolvimento ofuscou um relatório mostrando que os preços ao consumidor dos EUA subiram menos do que o esperado em maio, um dado que normalmente animaria os investidores.

O índice de preços ao consumidor subiu apenas 0,1% no mês, abaixo da previsão de 0,2%, com o núcleo da inflação também ficando mais fraco.

Apesar disso, os futuros de ações dos EUA recuaram, com os futuros do S&P 500, Nasdaq 100 e Dow Jones Industrial Average caindo cerca de 0,2%.

A notícia não inspirou confiança, pois os investidores lutaram com as implicações. "Isso não empolgou os investidores em ações ou títulos", escreveu Ed Yardeni, presidente da Yardeni Research, em nota publicada na quinta-feira.

"Talvez eles tenham ficado inquietos com o fato de Trump também ter dito que está menos confiante de que o Irã concordará em interromper o enriquecimento de urânio em um acordo nuclear com Washington", acrescentou.

O sentimento foi ecoado por economistas da ANZ, que observaram em um relatório que "as ações recuaram quando o mercado considerou a realidade de tarifas muito mais altas que vieram para ficar".

Sensex e Nifty se preparam para um início mais baixo em meio ao nervosismo global

O clima cauteloso deve se espalhar para os mercados indianos, onde os índices de referência Sensex e Nifty 50 provavelmente terão um início negativo na sessão de quinta-feira.

As tendências do Gift Nifty, um indicador inicial da direção do Nifty 50, apontaram para uma abertura mais baixa, sendo negociada em torno do nível de 25.171 - um desconto de quase 40 pontos em relação ao fechamento anterior dos futuros do Nifty.

Isso segue um dia de negociações agitadas na quarta-feira, onde o mercado de ações doméstico terminou com ganhos marginais.

O Sensex adicionou 123,42 pontos, ou 0,15%, para fechar em 82.515,14, depois de enfrentar pressão de venda perto da marca de 82.700.

O Nifty 50 fechou em 37,15 pontos, ou 0,15%, em 25.141,40, embora continuasse a encontrar um obstáculo significativo em torno do nível de 25.200.

Banco do Japão à margem, pois os temores tarifários superam a inflação

Olhando para o futuro, todos os olhos estão voltados para o Banco do Japão (BoJ), que deve manter sua política monetária inalterada quando se reunir na próxima semana.

O banco central enfrenta um delicado ato de equilíbrio, com o aumento da inflação doméstica colidindo com os temores de uma desaceleração global provocada pelas próprias tensões comerciais que abalam os mercados.

O núcleo da inflação do Japão atingiu 3,5% em abril, seu nível mais alto desde janeiro de 2023, impulsionado em grande parte pelo aumento dos preços do arroz.

No entanto, os formuladores de políticas parecem não estar convencidos de que essa inflação seja sustentável.

"O Banco do Japão (BoJ) manterá seus fogos de artifício na caixa quando se reunir na próxima segunda e terça-feira", escreveu a Moody's Analytics em nota publicada na quinta-feira.

A nota citou dados econômicos fracos e as negociações comerciais paralisadas como principais impedimentos para uma mudança de política.

"O banco central quer ver a inflação impulsionada pela demanda antes de apertar agressivamente, mas há muito pouca evidência disso", disse a Moody's.