BYD da China inunda o Brasil com veículos elétricos, provocando temores da indústria e pedidos de aumento de tarifas

BYD da China inunda o Brasil com veículos elétricos, provocando temores da indústria e pedidos de aumento de tarifas
Noris Soto
19 de jun. de 2025, 12:17 PM
  • A BYD enviou mais de 22.000 veículos para o Brasil até agora este ano, provocando preocupações da indústria local.
  • O setor automotivo do Brasil está pressionando para acelerar as tarifas de importação de veículos elétricos para proteger os empregos domésticos.
  • Os veículos elétricos chineses agora representam mais de 80% das vendas de veículos elétricos no Brasil.

O maior navio de transporte de veículos do mundo, capaz de transportar o equivalente a 20 campos de futebol de carros, terminou sua viagem inaugural no final de maio, ancorando no porto de Itajaí, no Brasil.

No entanto, a empolgação em torno do marco marítimo foi ofuscada pelas crescentes preocupações no setor automotivo do Brasil.

De acordo com a Reuters, o navio transportou um novo lote de veículos da chinesa BYD, líder mundial na fabricação de veículos elétricos e híbridos plug-in. Foi a quarta remessa de veículos BYD para o Brasil este ano, elevando o total para quase 22.000 unidades.

A chegada faz parte da ambiciosa expansão da BYD nos mercados estrangeiros com sua crescente frota de navios de carga especializados. No entanto, alguns no setor brasileiro estão levantando preocupações.

O crescente apetite do Brasil vai ao encontro da estratégia de superávit da China

Com um excedente de produção doméstica em mãos, a China rapidamente deixou de importar carros para exportá-los de sua indústria automotiva.

O Brasil é o principal alvo dessa estratégia por causa de seu enorme mercado de automóveis e estrutura tarifária favorável.

Este ano, as importações de veículos fabricados na China para o Brasil devem aumentar 40%, para cerca de 200.000 unidades, respondendo por 8% de todos os registros de veículos leves. Fabricantes chineses, como a BYD, estão impulsionando esse crescimento.

Enquanto os clientes brasileiros estão gradualmente se aquecendo para os EVs, a produção doméstica permanece limitada.

As importações chinesas agora dominam as vendas de carros verdes do Brasil, respondendo por mais de 80% dos registros de veículos elétricos.

A entrada de modelos de baixo custo da China oferece opções econômicas em um mercado que está apenas começando a se converter para a mobilidade elétrica.

Tarifas, atrasos e preocupações trabalhistas obscurecem as perspectivas da indústria local

Os fabricantes de automóveis e líderes sindicais no Brasil estão ficando cada vez mais inquietos. Grupos da indústria argumentam que as empresas chinesas estão aproveitando as tarifas de importação temporariamente baixas do Brasil sem fazer investimentos locais significativos.

O governo nacional está atualmente faseando seu plano de aumentar a tarifa de importação de veículos elétricos de 10% para 35% até 2026, mas as partes interessadas estão fazendo lobby para suspender a data para salvar empregos e investimentos locais.

O plano da BYD de iniciar a produção em uma antiga fábrica da Ford na Bahia foi adiado até o final de 2026.

Os atrasos foram exacerbados por uma investigação preliminar sobre infrações trabalhistas no canteiro de obras.

Os sindicatos não relatam novas relações com fornecedores locais ou transferências tecnológicas da fábrica da BYD.

Outro fabricante chinês, a GWM, também atrasou a produção em sua fábrica brasileira, mas deve iniciar as operações este ano.

A GWM iniciou negociações com aproximadamente 100 fornecedores locais para auxiliar sua produção doméstica iminente.

Um mercado preso entre empregos e objetivos ambientais

O governo brasileiro está tentando um ato de equilíbrio complicado. Por um lado, visa proteger empregos e promover o desenvolvimento industrial.

Por outro lado, pretende cumprir as promessas ambientais antes da reunião climática COP30, que sediará ainda este ano. O domínio da China nas importações de veículos elétricos dificulta ambos os objetivos.

Embora o Brasil tenha os recursos minerais necessários para apoiar uma cadeia de suprimentos de veículos elétricos, principalmente o lítio, ele carece de infraestrutura local para produzir componentes cruciais em larga escala.

Esse desequilíbrio torna o país dependente das importações chinesas no curto prazo, apesar dos esforços das autoridades locais e dos defensores da indústria para aumentar a autossuficiência.

Enquanto o Brasil considera como responder, os fabricantes chineses continuam avançando rapidamente, aproveitando as atuais políticas favoráveis.

A janela para moldar uma indústria nativa de veículos elétricos pode estar se fechando, e muitos no setor automotivo do Brasil acreditam que uma ação mais dura é necessária agora.