Órgão antitruste do Brasil investiga Microsoft após reclamação do Opera sobre práticas de navegador de borda

Órgão antitruste do Brasil investiga Microsoft após reclamação do Opera sobre práticas de navegador de borda
Noris Soto
01 de ago. de 2025, 11:55 AM
  • O Opera afirma que a Microsoft dá um impulso injusto ao Edge ao agrupá-lo como padrão nos sistemas Windows.
  • O CADE investiga a Microsoft por práticas anticompetitivas de agrupamento de navegadores e IA.
  • O Cade disse que a Microsoft tem até 15 de agosto para reagir às acusações.

O regulador antitruste do Brasil, Cade, abriu uma investigação sobre a gigante de tecnologia norte-americana Microsoft a pedido da empresa norueguesa de navegadores Opera, que apresentou uma queixa formal ao regulador.

O que está em jogo na investigação é se a Microsoft bloqueou injustamente seus concorrentes de inscrever usuários porque seu navegador Edge está instalado e definido como padrão em todos os sistemas que executam o Windows.

Assim como a denúncia apresentada pela Opera na terça-feira, o inquérito administrativo, anunciado na noite de quinta-feira em comunicado do CADE, diz respeito ao suposto monopólio do mercado de navegadores.

A Opera alegou que a prática da Microsoft de agrupar o Edge com o Windows inclina o campo de jogo contra navegadores concorrentes, o que a Opera disse ser uma violação da concorrência baseada em produtos.

A denúncia cita dados de junho que mostram o Opera com uma participação de 6,78% no mercado brasileiro de navegadores para desktop. O Edge da Microsoft segue com 11,52% e o Google Chrome está com 75% de participação.

A Opera disse que as práticas de integração de estruturas da Microsoft dão ao Edge uma vantagem injusta, mesmo com uma participação de mercado tão pequena.

Cronograma e escopo do CADE

O Cade disse que a Microsoft tem até 15 de agosto para reagir às acusações.

A investigação do regulador se concentrará não apenas no pacote Edge, mas também nas práticas comerciais mais amplas da Microsoft, incluindo licenças do Windows, Microsoft 365 e o programa Jumpstart da empresa.

O Jumpstart permite que os clientes da Microsoft construam agentes autônomos de IA para executar tarefas digitais mundanas, como parte da estratégia geral de monetização de IA da empresa.

Outras grandes empresas de tecnologia introduziram ferramentas semelhantes, mas o foco do Cade na iniciativa reflete uma preocupação crescente sobre como esses produtos podem consolidar ainda mais os players dominantes.

A investigação demonstra como os serviços relacionados à IA estão se tornando cada vez mais sujeitos a um escrutínio antitruste mais amplo, principalmente quando vinculados a plataformas de software já populares como o Windows.

As preocupações de longa data da Opera

Esta não é a primeira disputa do Opera com a Microsoft sobre a concorrência de navegadores. Em dezembro de 2007, a Opera apresentou uma queixa semelhante à Comissão Europeia, concentrando-se no Internet Explorer da Microsoft.

Em 2013, a União Europeia concluiu que a Microsoft não cumpriu o compromisso de oferecer opções de navegador aos clientes do Windows, resultando em uma multa sem precedentes de € 561 milhões (US $ 640 milhões).

A instância brasileira lembra preocupações passadas, mas o ambiente mudou, com o Edge substituindo o Internet Explorer e a IA agora desempenhando um papel importante nos ecossistemas de produtos.

A Microsoft permanece em silêncio, por enquanto

De acordo com a Reuters, a Microsoft não respondeu aos pedidos de comentários enviados por e-mail sobre a investigação do CADE.

A corporação já justificou suas táticas de integração de software como fáceis de usar, citando desempenho, segurança e facilidade de uso.

A decisão do Cade de iniciar formalmente uma investigação demonstra sua prontidão para examinar como as plataformas digitais podem estar reforçando o domínio do mercado por meio do design de produtos e pacotes de serviços – particularmente quando concorrentes menores levantam preocupações.

Implicações mais amplas para as grandes empresas de tecnologia

A investigação brasileira está no topo de uma pilha crescente de obstáculos antitruste globais no caminho da Microsoft e de outras empresas de tecnologia.

À medida que os serviços digitais evoluíram para ecossistemas de IA e produtividade, os reguladores estão cada vez mais interessados em saber se as configurações padrão e as ferramentas agrupadas favorecem injustamente os operadores históricos.

Embora não haja acusações formais, a investigação do Cade pode ter efeitos posteriores na distribuição e comercialização de navegadores e ferramentas de IA dentro das fronteiras do Brasil e potencialmente além.