Encontro Trump-Putin no Alasca aumenta esperanças: o que está na mesa

Encontro Trump-Putin no Alasca aumenta esperanças: o que está na mesa
Devesh Kumar
09 de ago. de 2025, 08:02 AM
  • Primeira viagem de Putin aos EUA em uma década, encontro com Trump no Alasca para conversas de alto risco
  • Local escolhido pela proximidade estratégica com a Rússia e pelo simbolismo histórico
  • A sugestão de Trump sobre uma possível troca de terras gera polêmica entre aliados e a Ucrânia.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente russo, Vladimir Putin, devem se encontrar no Alasca em 15 de agosto, para conversas destinadas a encerrar a guerra na Ucrânia.

Será a primeira reunião desde o início do segundo mandato de Trump e a primeira viagem de Putin aos EUA em cerca de dez anos.

O Alasca faz sentido por alguns motivos, é próximo da Rússia e os EUA não fazem parte do Tribunal Penal Internacional, que tem um mandado de prisão contra Putin.

O grande objetivo da cúpula é tentar chegar a um cessar-fogo entre a Rússia e a Ucrânia, facilmente um dos quebra-cabeças diplomáticos mais difíceis em anos.

Trump diz que está "cautelosamente otimista", dizendo a repórteres que acha que "temos uma chance" de fazer as pazes.

Trump também deu uma vaga dica de que um acordo poderia significar o comércio de pedaços de terra entre os dois países, mas não disse exatamente como isso poderia funcionar.

Essa ideia já está irritando, Zelenskyy deixou claro que não está assinando nada que deixe a Ucrânia fora da sala ou a faça desistir de terras.

O que se espera da reunião Trump-Putin?

A equipe de Trump tem pressionado Putin a concordar com um cessar-fogo até o prazo de 8 de agosto, alertando que, se ele não o fizer, a Rússia será atingida por sanções econômicas mais duras e os países que ainda fazem negócios com Moscou também podem ser pegos no fogo cruzado.

Trump está abertamente frustrado com os ataques russos em andamento na Ucrânia, mas a cúpula do Alasca está sendo enquadrada como uma chance de encontrar um meio-termo.

Ele tem dito que Putin e Zelenskyy querem paz, mesmo que a estrada pareça esburacada.

Do lado de Moscou, a conversa é que a Rússia pode considerar um cessar-fogo se a Ucrânia retirar suas tropas de partes do leste da Ucrânia, incluindo áreas que a Rússia afirma ter anexado.

Isso veio à tona depois que o enviado dos EUA, Steve Witkoff, se encontrou com Putin em Moscou, onde a mensagem era basicamente: "Podemos estar abertos a isso, mas apenas em nossos termos".

Ainda assim, muitas autoridades europeias e ucranianas não estão acreditando.

Eles apontam para o histórico da Rússia de manter os combates mesmo enquanto conversam sobre paz e sua insistência em que a Ucrânia abandone quaisquer planos de ingressar na OTAN como razões pelas quais esta cúpula poderia facilmente terminar sem um acordo real.

Óptica histórica encontra diplomacia de alto risco

Há também muito simbolismo envolvido nesta cúpula. Para Putin, apenas sentar-se com um presidente dos EUA em solo americano, depois de anos sendo excluído por causa da guerra na Ucrânia, já é uma vitória.

Para Trump, trazer Putin aqui joga com sua imagem de fazer diplomacia cara a cara e pressionar pela paz em seus próprios termos.

O fato de estar acontecendo no Alasca também adiciona um pouco de história à mistura, já que os EUA o compraram da Rússia em 1867.

A reunião estava na mesa antes, mas foi adiada graças a preocupações de segurança e todas as partes móveis necessárias para realizá-la.

Agora, ambos os lados dizem que está acontecendo oficialmente. Trump até lançou a ideia de seguir com uma reunião de três vias com Zelenskyy, mas agora, isso é mais um "talvez algum dia" do que um acordo fechado.