Morgan Stanley apoia a Sabesp como primeira escolha no setor de água do Brasil

Morgan Stanley apoia a Sabesp como primeira escolha no setor de água do Brasil
Noris Soto
27 de ago. de 2025, 12:50 PM
  • Morgan Stanley eleva meta da Sabesp para R$ 145 com potencial de crescimento.
  • O Brasil precisa de R$ 900 bilhões para alcançar o acesso universal à água e ao esgoto até 2033.
  • O JPMorgan vê apenas 0,1% de impacto no mercado com o plano de economia de água da Sabesp.

O Morgan Stanley reafirmou sua postura positiva e preferência pela Sabesp ao manter sua recomendação de compra e aumentar o preço-alvo de R$ 128 para R$ 145, avaliando que há espaço para crescimento dada a grande oportunidade de investimento no setor de saneamento.

Analistas observam que as indústrias de água e esgoto do Brasil estão passando por mudanças estruturais.

O objetivo do governo de acesso universal – 99% da população com acesso a água potável e 90% à coleta de esgoto até 2033 – continua sendo uma questão significativa.

De acordo com a mídia local InfoMoney, décadas de subinvestimento e incentivos distorcidos resultaram em lacunas significativas: mais de 30 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água e mais de 90 milhões precisam de coleta de esgoto.

Um pipeline de investimento maciço

A perspectiva prevê um boom de investimentos. Aproximadamente R$ 100 bilhões em projetos devem ser leiloados em um futuro próximo.

No entanto, esse número é apenas uma fração dos R$ 900 bilhões estimados até 2033 para atingir as metas de universalização do acesso.

Nesse cenário, o Morgan Stanley prevê que as operadoras privadas assumam a liderança. Espera-se que as perspectivas de crescimento inorgânico, como aquisições ou concessões, atraiam ofertas robustas de entidades privadas, com a Sabesp e a Equatorial (EQTL3) liderando o caminho. Em contraste, espera-se que as concessionárias estatais fiquem para trás.

Mesmo sem aquisições, a Sabesp e a Equatorial têm bons fundamentos, incluindo um potencial de alta de 20%, uma taxa interna de retorno (TIR) real média de 12%, crescimento acima do mercado e fortes estruturas de governança.

Se a Sabesp vencer a iniciativa UniversalizaSP, os analistas esperam um adicional de R$ 6,0 por ação para o SBSP3 e R$ 1,0 por ação para o EQTL3, com base em R$ 25 bilhões em Capex e um retorno de 200 pontos-base acima do custo de capital.

Vista equilibrada sobre a Copasa e a Sanepar

Embora o Morgan Stanley veja potencial na Sabesp e na Equatorial, é mais cauteloso em relação à Copasa (CSMG3) e à Sanepar (SAPR11).

O banco manteve um rating de equal-weight para ambos, indicando exposição consistente com as médias do mercado, mas elevando os preços-alvo para R$ 28 e R$ 40, respectivamente.

A lógica decorre de seu equilíbrio risco-recompensa e da falta de motoristas identificáveis. Apesar disso, as ações geraram ganhos substanciais: as metas de preço cresceram quase 35% em média e as concessionárias retornaram quase 26% no ano passado, superando os índices IBOV e IEE.

Reação do mercado aos níveis dos reservatórios

O sentimento por trás das ações da Sabesp entre os investidores foi recentemente arrastado pelos últimos problemas de abastecimento de água. As ações da empresa caíram quase 2% ontem (terça-feira) nos EUA e, portanto, o JPMorgan considerou isso uma queda exagerada.

As afluências dos reservatórios ficaram aquém das expectativas em meio a anúncios de medidas de economia de água, fazendo com que a capacidade caísse para 40%, abaixo da média de cinco anos de agosto de 55%.

Em resposta, a Sabesp anunciou que faria reduções de pressão no mineroduto em horários específicos para economizar mais água.

Embora tais medidas possam afetar o tamanho da oferta, o JPMorgan apontou que os níveis de água nas bacias permanecem administráveis e bem abaixo dos níveis ligados a desastres de crises anteriores. Isso é 40% cheio, em comparação com quando os reservatórios caíram para apenas 10% em 2015.

Impacto financeiro limitado

O JPMorgan prevê que o esquema de economia de água custará à Sabesp apenas 0,1% de seu valor de mercado. Ao longo de 90 dias, as medidas podem reduzir o EBITDA do quarto trimestre de 2025 em cerca de 2%, resultando em aproximadamente R$ 110 milhões em perda de receita trimestral de água e esgoto.

No entanto, variáveis atenuantes melhoram a situação. Os consumidores da Sabesp estão vinculados a uma conta mínima de água, o que protege a receita.

As reduções de pressão também reduzem os custos de energia e as perdas de água, economizando entre R$ 10 milhões e R$ 20 milhões. Em caso de medidas prolongadas com aumento do ônus financeiro, a Sabesp poderá solicitar revisão tarifária extraordinária.

Posicionamento de longo prazo permanece positivo

Apesar da turbulência de curto prazo, os economistas acreditam que a Sabesp continua bem posicionada. O esgotamento do reservatório entre o final de agosto e novembro foi em média inferior a 15 pontos percentuais nos últimos seis anos, reduzindo o perigo antes da estação chuvosa.

Desde 2015, a empresa diversifica as fontes de fornecimento, incluindo a fábrica de São Lourenço, que aumentou a capacidade em 5% desde 2018.

Com os requisitos de investimento de longo prazo da indústria excedendo consideravelmente as promessas atuais, o saneamento continua sendo uma história de desenvolvimento importante.

Por enquanto, a Sabesp é a concessionária de água mais cuidadosamente monitorada do Brasil devido à sua escala, governança e possível exposição a esquemas de concessão significativos.