China aumenta importações de soja da Argentina e do Uruguai à medida que a guerra comercial dos EUA se aprofunda

China aumenta importações de soja da Argentina e do Uruguai à medida que a guerra comercial dos EUA se aprofunda
Diya Poddar
29 de ago. de 2025, 05:03 AM
  • 2,43 milhões de toneladas já garantidas para embarque de setembro a maio.
  • A colheita da Argentina sobe para 50,9 milhões de toneladas, o Uruguai para 4,2 milhões de toneladas.
  • A participação dos EUA nas importações agrícolas da China cai de 20% em 2016 para 12% em 2024.

A China está reformulando os fluxos comerciais globais de soja, voltando-se para a Argentina e o Uruguai para embarques recordes, já que o conflito comercial com os EUA continua a atrapalhar o comércio agrícola.

Os importadores chineses devem garantir até 10 milhões de toneladas métricas de soja dos dois produtores sul-americanos na campanha comercial de 2025/26 que termina em agosto próximo, um aumento acentuado em relação aos anos anteriores.

As compras refletem a estratégia mais ampla de Pequim para diversificar as fontes de abastecimento, aumentar a segurança alimentar e reduzir a dependência de produtos agrícolas dos EUA, que há muito são um ponto focal das batalhas tarifárias entre as duas maiores economias do mundo.

Demanda de soja da China muda para a América do Sul

Dados da Administração Geral de Alfândegas da China mostram que, entre setembro de 2024 e julho de 2025, o país importou 5 milhões de toneladas de soja da Argentina e do Uruguai.

Para a campanha de comercialização de 2025/26, os importadores já reservaram 2,43 milhões de toneladas dos dois países para embarque entre setembro e maio.

Isso inclui 1,575 milhão de toneladas programadas para carregamento em setembro, 660.000 toneladas para outubro e 66.000 toneladas cada para novembro, dezembro e maio de 2026.

O volume marca um aumento significativo em relação aos anos anteriores e se baseia nas já grandes compras da China do Brasil, que tem sido seu principal fornecedor nos últimos anos.

Combinadas, as três nações sul-americanas estão expandindo sua participação de mercado às custas dos agricultores dos EUA, que estão testemunhando a redução do acesso ao mercado de soja da China.

Exportações dos EUA são atingidas com a continuação da guerra comercial

A soja está no centro da guerra comercial entre Washington e Pequim desde que a primeira onda de tarifas foi imposta durante o mandato do ex-presidente dos EUA, Donald Trump.

Os EUA tradicionalmente contam com as vendas do quarto trimestre, quando os suprimentos recém-colhidos entram no mercado, mas este ano a China não registrou nenhuma compra de soja dos EUA para esse período.

O declínio se reflete nos dados alfandegários: em 2016, os EUA forneceram 20% das importações agrícolas da China, mas em 2024 sua participação caiu para 12%. Em contraste, a participação do Brasil subiu de 14% em 2016 para 22% em 2024.

A ausência de embarques dos EUA está dando aos exportadores sul-americanos uma vantagem competitiva em um momento crucial para a dinâmica do comércio global.

Argentina e Uruguai se beneficiam de colheitas abundantes

A melhoria da produção de soja da Argentina a tornou um fornecedor confiável. O Departamento de Agricultura dos EUA relatou uma safra 2024/25 de 50,9 milhões de toneladas, acima dos 48,2 milhões de toneladas em 2023/24 e bem acima dos 25 milhões de toneladas em 2022/23, quando uma seca severa atingiu os rendimentos.

O Uruguai também aumentou a produção, com a produção de 2024/25 atingindo 4,2 milhões de toneladas em comparação com 3,3 milhões de toneladas no ano anterior.

Essas colheitas abundantes estão permitindo que ambos os países capitalizem a demanda da China, oferecendo uma cadeia de suprimentos alternativa que reduz os riscos associados a interrupções causadas por tarifas entre os EUA e a China.

Implicações comerciais globais do pivô da soja da China

A decisão da China de aumentar as importações da Argentina e do Uruguai representa mais do que apenas uma mudança nos parceiros comerciais; sinaliza uma reconfiguração de longo prazo dos fluxos agrícolas globais.

Com a China sendo o maior importador de soja do mundo, suas estratégias de compra impactam significativamente os preços globais e as cadeias de suprimentos.

Ao garantir volumes recordes da América do Sul, Pequim está reforçando sua estratégia de segurança alimentar e diminuindo sua dependência da agricultura dos EUA.