Itaú BBA reafirma compra da Suzano e da Klabin; vê vantagem apesar dos riscos de curto prazo

Itaú BBA reafirma compra da Suzano e da Klabin; vê vantagem apesar dos riscos de curto prazo
Noris Soto
29 de ago. de 2025, 14:10 PM
  • O Itaú BBA manteve a classificação de compra da Suzano e da Klabin, citando avaliações atraentes.
  • O banco elevou a meta da Suzano para 2026 para R$ 70 e cortou a da Klabin para R$ 23, ainda oferecendo alta de dois dígitos.
  • Os preços da celulose devem atingir US$ 580 por tonelada até 2026, embora o BBA tenha sinalizado riscos de curto prazo.

O Itaú BBA reiterou suas recomendações de compra para as fabricantes brasileiras de celulose e papel Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11), citando avaliações atraentes após a atualização de suas estimativas com base nos resultados do segundo trimestre das empresas.

De acordo com o meio de comunicação local InfoMoney, a análise levou em consideração uma valorização projetada do real, de acordo com a equipe macroeconômica do banco, juntamente com movimentos corporativos recentes.

Hoje, os compradores fecharam o negócio para a Dai Estt-2i da Suzano, com a Kimberly-Clark fazendo uma proposta e a Klabin desistindo de um mau investimento em ativos florestais sensíveis.

A perspectiva positiva de médio prazo do BBA baseia-se nesses desenvolvimentos e em um aperto antecipado no balanço global de oferta e demanda de celulose até 2026.

Os preços da celulose devem estar sendo negociados em torno de US$ 580 por esta altura.

No entanto, observou que esse cenário positivo é temperado por uma perspectiva cautelosa no curto prazo, sem catalisadores para elevar as ações nos próximos seis meses.

Suzano: Preço-alvo mais alto e impacto de aquisição

O Itaú BBA elevou o preço-alvo da Suzano para R$ 70 por ação até o final de 2026, de R$ 63, refletindo uma potencial valorização de 33%.

O conselho vem apesar da perspectiva de EBITDA do banco para 2026 ser cerca de 12% menor do que o consenso do mercado.

As estimativas de ganhos da Suzano, no entanto, mudaram. Espera-se agora que o efeito negativo da taxa de câmbio seja mitigado pelo aumento do EBITDA da joint venture com a Kimberly-Clark, que está programada para ser concluída em meados de 2026.

Mesmo com esse aumento, o investimento projetado de R$ 9,5 bilhões da Suzano para adquirir sua participação na junta Kimberly-Clark limitará o fluxo de caixa livre em 2026.

Sem esse gasto, o banco prevê que o retorno do fluxo de caixa da empresa seja de 13%. Até 2027, o rendimento deve chegar a 18%, ganhando mais de US$ 2 bilhões.

Em termos de avaliação, a Suzano é negociada a 5,7 vezes o Enterprise Value em relação ao EBITDA em 2026, caindo para 4,4 em 2027. Esses múltiplos reforçam a perspectiva otimista do BBA, apesar dos ventos financeiros contrários de curto prazo das aquisições.

Klabin: Valuation descontado, sólida geração de caixa

O Itaú BBA manteve recomendação de compra para a Klabin, mas reduziu o preço-alvo de R$ 25 para R$ 23 por ação até o final de 2026. Mesmo com um objetivo menor, o banco vê um potencial de alta de 25%.

De acordo com a pesquisa, a Klabin está sendo negociada atualmente a 6,2 vezes EV/EBITDA para 2026, significativamente abaixo de sua faixa média histórica de 8,0 a 8,5 vezes. De acordo com o BBA, esse desconto torna a ação desejável.

Estima-se que a Klabin produza um rendimento médio de fluxo de caixa livre de 7% de 2025 a 2027, excluindo o Projeto Platô.

Esse valor de geração de caixa deve resultar em um rendimento médio de dividendos de 5,5% no mesmo período, fortalecendo o apelo da empresa aos investidores em busca de renda.

Perspectivas do setor: otimismo para 2026, desafios antes

As perspectivas setoriais do Itaú BBA permanecem cautelosamente otimistas. O banco espera que o equilíbrio entre oferta e demanda do mercado global de celulose melhore drasticamente até 2026, com preços previstos em US$ 580 por tonelada.

Essa projeção sustenta a perspectiva favorável de médio prazo tanto para a Suzano quanto para a Klabin.

Ao mesmo tempo, a instituição destacou a falta de catalisadores de curto prazo que possam impulsionar as ações em um futuro próximo.

A volatilidade da moeda, os contínuos compromissos de capital e as preocupações macroeconômicas continuam a pesar sobre o sentimento.

Jogadas de valor de longo prazo

O Itaú BBA reiterou suas chamadas de compra, citando a Suzano e a Klabin como locais de entrada atraentes para investidores de longo prazo dispostos a olhar além dos desafios de curto prazo.

A fusão da Suzano com a Kimberly-Clark e a rigorosa alocação de capital da Klabin por meio da venda de ativos criam alavancas estratégicas que podem gerar valor até 2026 e além.

Embora existam preocupações com a execução, as expectativas revisadas do banco indicam que ambas as empresas estão bem posicionadas para lucrar com uma recuperação futura nos preços da celulose e fundamentos mais fortes do setor.