China suspende importações de soja dos EUA à medida que tensões comerciais ressurgem

China suspende importações de soja dos EUA à medida que tensões comerciais ressurgem
Diya Poddar
19 de set. de 2025, 08:56 AM
  • A China não comprou soja dos EUA nesta temporada, a primeira desde 1999, usando-a como ferramenta comercial.
  • Os agricultores dos EUA enfrentam pressão financeira devido aos preços baixos e à falta de pedidos da China em meio a disputas comerciais.
  • A China depende do Brasil para a soja, tem estoques altos e pode atrasar as compras dos EUA.

A China não comprou nenhuma soja dos EUA no início da nova temporada de exportação, marcando a primeira vez desde pelo menos 1999 que nenhum pedido foi registrado em setembro.

A ausência de sinais comerciais de que Pequim está mais uma vez usando a agricultura como ferramenta de barganha nas negociações com Washington.

A soja é fundamental para a segurança alimentar da China, mas, apesar de ser o maior comprador do mundo, optou por adiar as compras.

A medida ocorre no momento em que o presidente Xi Jinping se prepara para conversas com o presidente Donald Trump em meio a disputas sobre semicondutores e terras raras, enquanto os agricultores dos EUA se preparam para dificuldades financeiras.

Exportações de soja dos EUA enfrentam declínio acentuado

Dados do Departamento de Agricultura dos EUA confirmaram que, até 11 de setembro, a China não havia reservado uma única carga de soja, apesar da temporada de comercialização ter começado quase duas semanas antes.

Registros que datam de 1999 mostram que esta é a primeira ocorrência de zero compras no início da temporada.

Em 2023, a China importou cerca de um quinto de sua soja dos EUA, no valor de mais de US$ 12 bilhões. Esse número representou mais da metade de todo o valor das exportações de soja dos EUA.

Atualmente, a soja enviada dos EUA para a China enfrenta tarifas de mais de 20%.

Essas taxas permanecem da guerra comercial anterior sob Trump, quando a China reteve as compras agrícolas dos EUA para aplicar pressão.

De acordo com um relatório da Bloomberg, os agricultores dos EUA, que são fundamentais para a base de eleitores de Trump, agora estão lidando com os preços em alguns dos níveis mais baixos em anos.

Com colheitas abundantes elevando a oferta, os produtores de soja alertaram sobre graves riscos financeiros e pediram a Washington que garanta um acordo com Pequim que remova as tarifas.

China depende do Brasil para fornecimento estável

A China vem diversificando suas rotas de abastecimento. Grandes esmagadores, suinocultores e produtores de ração garantiram importações do Brasil, que se tornou o principal fornecedor depois que as tensões comerciais interromperam os fluxos dos EUA em anos anteriores.

Alguns compradores chineses dobraram seus estoques e o governo mantém reservas significativas que atuam como um amortecedor contra a interrupção do mercado.

A soja é esmagada principalmente para produzir farelo de soja para a vasta indústria de suínos da China e óleo de soja para cozinhar.

Com estoques suficientes, os compradores chineses não estão sob pressão imediata para importar grãos dos EUA.

O relatório da Bloomberg indicou que as cargas já reservadas atenderão à demanda doméstica até o primeiro trimestre de 2026.

Commodities vinculadas a disputas comerciais mais amplas

O movimento da China reflete estratégias que usou em outros mercados de commodities, como terras raras, que também se tornaram ferramentas de barganha nas negociações com os EUA.

Ao reter as compras, Pequim demonstra que tem a capacidade de esperar e alavancar sua demanda de importação estrategicamente.

No período que antecedeu as negociações entre Xi Jinping e Donald Trump, a China anunciou que uma investigação preliminar havia descoberto que a Nvidia violou as regras antimonopólio.

Esta ação destaca como as disputas comerciais estão se ampliando além da agricultura para tecnologia e recursos.

O impasse renovado chega enquanto os dois países navegam por tarifas, restrições à exportação e regras voltadas para semicondutores.

Com a agricultura mais uma vez ligada ao conflito mais amplo, os produtores de soja dos EUA permanecem vulneráveis a decisões tomadas muito além de seus campos.

Agricultores dos EUA sob pressão

A incerteza prolongada deixa os agricultores dos EUA expostos a preços fracos e demanda reduzida.

A indústria descreveu a situação como um "precipício comercial e financeiro", pressionando o governo a encontrar maneiras de restaurar o acesso ao mercado chinês.

Enquanto os produtores americanos enfrentam riscos financeiros, os mercados chineses parecem calmos. Suprimentos diversificados e estoques saudáveis deram confiança a Pequim para adiar as compras americanas.

O momento ressalta como as commodities continuam sendo uma ferramenta crítica em negociações comerciais mais amplas, já que ambos os lados pesam a alavancagem econômica em suas disputas em andamento.