Intel adia fábrica de chips de Ohio para 2030 enquanto o estado pressiona por respostas

Intel adia fábrica de chips de Ohio para 2030 enquanto o estado pressiona por respostas
Diya Poddar
01 de out. de 2025, 03:13 AM
  • Quase US$ 700 milhões gastos em novas infraestruturas.
  • O governo dos EUA garantiu 10% de participação na Intel no mês passado.
  • As ações da Intel subiram 66% este ano, apesar dos desafios.

A instalação de semicondutores há muito prometida da Intel em Ohio, uma vez anunciada como uma pedra angular da tentativa dos Estados Unidos de recuperar o domínio da fabricação de chips, foi adiada para 2030.

O projeto, apelidado de Ohio One, agora está atraindo o escrutínio dos líderes estaduais depois que o senador Bernie Moreno exigiu clareza sobre por que o cronograma caiu e o que isso significa para os contribuintes locais.

A carta do senador, enviada ao CEO da Intel, Lip-Bu Tan, solicitou detalhes sobre o impacto na economia de Ohio, os US $ 2 bilhões em incentivos públicos já comprometidos e quase US $ 700 milhões em nova infraestrutura vinculada à usina.

Financiamento estadual vinculado ao Ohio One da Intel

Ohio se apresentou como um centro de semicondutores quando a Intel revelou planos para seu local perto de Columbus. O apoio público totalizou bilhões, com as autoridades estaduais e locais oferecendo incentivos financeiros e preparando infraestrutura para apoiar o que foi projetado como a maior instalação de chips do mundo.

Moreno enfatizou que os contribuintes não devem arcar com o ônus dos atrasos. Seu pedido incluía propostas da Intel sobre como poderia compensar os custos vinculados ao cronograma estendido.

A preocupação é que a construção prolongada possa enfraquecer o desenvolvimento da cadeia de suprimentos local e atrasar milhares de empregos esperados vinculados à fábrica.

As comunidades que se prepararam para o crescimento em moradias, escolas e serviços agora enfrentam incertezas sobre quando os benefícios se materializarão.

Investimento federal e laços políticos

A pressão sobre a Intel ocorre logo após o governo dos EUA adquirir uma participação de 10% na empresa. Esse acordo, anunciado no mês passado, ocorreu após uma reunião na Casa Branca entre o presidente Donald Trump e Tan.

Em poucos dias, o investimento foi finalizado, ressaltando o papel de Washington na estratégia de recuperação da empresa. Mais tarde, Trump creditou a seu governo a pressão sobre a Intel para aceitar o patrimônio do governo.

A medida foi posicionada como parte de esforços mais amplos para reforçar a fabricação doméstica sob a Lei de Chips e Ciência assinada em 2022.

A resposta da Intel e os desafios contínuos

Em sua declaração de terça-feira, a Intel reiterou seu compromisso de expandir a produção de semicondutores nos EUA, enfatizando que Ohio continua sendo fundamental para seus planos de longo prazo.

No entanto, a empresa não respondeu às perguntas de Moreno sobre custos econômicos ou possível compensação ao Estado. A Intel apontou para a "flexibilidade para ajustar os cronogramas com base na demanda do cliente", sinalizando que as condições do mercado global continuam sendo um fator em sua tomada de decisão.

A declaração enfatizou a cooperação com líderes estaduais e partes interessadas, mas evitou dar um cronograma firme para o progresso da construção ou marcos de contratação.

Reação do mercado e cenário financeiro

As ações da Intel subiram mais de 66% este ano, impulsionadas pelo investimento do governo dos EUA e novos acordos com a Nvidia e o SoftBank.

Ainda assim, a empresa tem lutado contra a queda nas vendas e o aumento das perdas, o que a forçou a reduzir a expansão. O projeto de Ohio foi inicialmente programado para abrir este ano, e seu adiamento destaca a lacuna entre as ambições da Intel e as realidades financeiras.

O presidente Biden, que participou da inauguração em 2022, posicionou o local como um exemplo emblemático do renascimento industrial dos EUA.

O atraso também pode testar a paciência dos investidores, já que a fábrica está intimamente ligada à estratégia de recuperação da Intel e aos planos da cadeia de suprimentos de semicondutores dos Estados Unidos.