Berkshire Hathaway, de Buffett, fecha acordo de US$ 9,7 bilhões para a unidade OxyChem da Occidental

Berkshire Hathaway, de Buffett, fecha acordo de US$ 9,7 bilhões para a unidade OxyChem da Occidental
Vatsala Gaur
02 de out. de 2025, 09:23 AM
  • Aquisição da OxyChem, a maior aquisição da Berkshire desde a compra da Alleghany em 2022.
  • Acordo para ajudar a Occidental a reduzir sua pesada dívida, que era de US$ 23,34 bilhões no final de junho.
  • Acordo para permitir que a Occidental se concentre novamente em suas principais operações de petróleo e gás.

A Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, disse na quinta-feira que adquirirá o negócio químico da Occidental Petroleum, OxyChem, por US$ 9,7 bilhões em dinheiro, marcando sua maior aquisição desde a compra de US$ 11,6 bilhões da seguradora Alleghany em 2022.

O acordo aumenta os esforços da Occidental para reduzir sua pesada dívida e sinaliza a disposição da Berkshire de aprofundar seus laços com a produtora de energia com sede em Houston, onde já detém uma participação significativa.

A Berkshire Hathaway, que detinha uma participação de 28,2% na Occidental em junho, aumentou constantemente sua exposição à empresa desde o início de 2022.

Buffett começou a acumular ações logo após a invasão da Ucrânia pela Rússia, capitalizando a volatilidade do mercado para comprar a preços mais baixos.

"Estamos ansiosos para receber a OxyChem como uma subsidiária operacional dentro da Berkshire", disse Greg Abel, vice-presidente de operações não relacionadas a seguros da Berkshire, em um comunicado à imprensa.

Abel, que substituirá Buffett como CEO da Berkshire em 2026, acrescentou que a CEO da Occidental, Vicki Hollub, está mostrando seu "compromisso com a estabilidade financeira de longo prazo da Occidental, conforme demonstrado por seu plano de usar os recursos para reforçar o balanço patrimonial da empresa".

O preço das ações da Occidental Petroleum Corp subiu 1,42% durante as negociações de pré-mercado, enquanto a Berkshire Hathaway caiu 0,24%.

Acordo para ajudar a Occidental a reparar o balanço patrimonial

A Occidental, uma das principais produtoras americanas de produtos químicos básicos e cloreto de polivinila, está sob pressão da dívida acumulada durante a aquisição da Anadarko Petroleum por US$ 55 bilhões em 2019.

Essa aquisição, que ajudou a garantir alguns dos campos petrolíferos de xisto mais ricos do Texas, deixou a empresa financeiramente sobrecarregada.

A tensão piorou com a compra da CrownRock pela Occidental por US $ 12 bilhões, uma produtora de óleo de xisto na Bacia do Permiano, no ano passado.

Sua dívida era de US$ 23,34 bilhões no final de junho.

Os recursos da venda da OxyChem serão direcionados para o reparo do balanço, de acordo com a CEO Vicki Hollub, à medida que a empresa se concentra em suas principais operações de petróleo e gás, que representaram 75% dos lucros no ano passado.

Perfil de ganhos da OxyChem

A OxyChem produz produtos químicos para tratamento de água, tubulações de vinil e produtos médicos e outros usos industriais.

No primeiro semestre deste ano, a unidade gerou US$ 2,42 bilhões em receita, embora analistas observem que suas perspectivas de fluxo de caixa livre diminuíram para 2025.

A Occidental cortou recentemente sua perspectiva de receita antes dos impostos para o negócio para entre US$ 800 milhões e US$ 900 milhões.

A venda representa uma mudança de estratégia, já que os mercados esperavam que a empresa mantivesse a OxyChem.

Reação do mercado e opiniões dos analistas

Analistas do JP Morgan descreveram o acordo como um movimento "big bang" para desalavancar o balanço patrimonial da Occidental, enquanto alertavam que haveria compensações.

"Acreditamos que a transação seria positiva para o patrimônio como uma abordagem "big bang" para desalavancar o balanço patrimonial em um ambiente macro desafiador, embora haja algumas compensações", disse o JP Morgan.

Analistas da TPH and Co disseram que um preço de US $ 10 bilhões "é uma surpresa", mas ajudaria a reduzir a alavancagem e exceder sua estimativa de valor contábil de US $ 8,3 bilhões.

"Além disso, pelo menos em 2025, o ativo não gerará (fluxo de caixa livre) significativo", já que a Occidental já reduziu sua perspectiva de lucro antes dos impostos para entre US$ 800 milhões e US$ 900 milhões, mantendo gastos relativamente altos, disseram os analistas.

A transação, que deve ser concluída no quarto trimestre, ressalta o poder de fogo financeiro da Berkshire.

O conglomerado está atualmente com um recorde de US$ 344 bilhões em caixa, o que lhe dá espaço para grandes aquisições, mesmo que os mercados permaneçam instáveis.

Para Buffett, de 95 anos, o acordo pode ser um de seus últimos movimentos significativos antes de entregar as rédeas a Abel no final deste ano, consolidando a posição da Berkshire como apoiadora de longo prazo da estratégia da Occidental.