Exportações de vinho do Chile aumentam no Brasil à medida que vendas nos EUA vacilam sob tarifas

Exportações de vinho do Chile aumentam no Brasil à medida que vendas nos EUA vacilam sob tarifas
Noris Soto
02 de out. de 2025, 11:55 AM
  • As exportações de vinho do Chile para o Brasil saltaram quase 10%, consolidando-o como o principal comprador do país.
  • As compras nos EUA caíram 13% após as tarifas, com os custos agora repassados aos consumidores.
  • As exportações gerais permaneceram estáveis em 2025, com crescimento no Canadá, Japão e Coreia do Sul.

As exportações de vinho do Chile para seu principal mercado, o Brasil, estão aumentando, ajudando a compensar a queda nas vendas para os Estados Unidos, que se deve em parte às tarifas, segundo dados do setor e analistas.

A Wines of Chile, uma associação de produtores de vinho, relata que as compras dos Estados Unidos, o segundo maior mercado do país em volume, despencaram 13% nos primeiros sete meses do ano desde que o presidente Donald Trump impôs tarifas.

"Passamos de tarifas zero para 10%", explicou Angelica Valenzuela, diretora de vendas da Wines of Chile. "Toda vez que você tem uma tarifa, ou algum obstáculo, há algum tipo de congelamento ou desaceleração."

De acordo com Valenzuela, os produtores e importadores arcaram inicialmente com os custos adicionais, mas essas despesas acabaram sendo repassadas aos consumidores. "Como é algo que permaneceu por mais tempo, o custo começou a ser transferido para o consumidor", ela me disse.

Como resultado, ela descreveu o mercado americano como "menos dinâmico e em declínio", enfatizando os desafios que os vinicultores chilenos enfrentam para manter sua presença nos Estados Unidos.

Fraqueza na China

Os embarques do Chile para a China sofreram uma queda semelhante, caindo quase 23% no mesmo período. Esse declínio, disse Valenzuela, deveu-se à demanda geral mais fraca, não às tarifas.

A maioria dos países que vendem para a China também viu uma queda no consumo de vinho, e a desaceleração não é um problema do Chile ou se limita a esse país, disse ela.

A desaceleração nos EUA e na China destaca até que ponto as mudanças na demanda global, combinadas com as políticas comerciais, podem alterar o mix de destinos de exportação para uma das indústrias mais icônicas do Chile.

Brasil desponta como o principal comprador

O Brasil, por outro lado, é um exemplo brilhante. Os embarques de vinho do Chile para o vizinho aumentaram cerca de 10% nos primeiros sete meses do ano, consolidando a posição do Brasil como o maior destino das exportações.

Segundo Valenzuela, o Chile responde atualmente por cerca de metade do mercado importador do Brasil, com "enorme potencial de expansão" no país.

O aumento reflete mudanças fundamentais nos hábitos de consumo brasileiros. "O número de consumidores regulares de vinho no Brasil está crescendo, especialmente entre mulheres e consumidores com mais renda disponível", afirmou o economista.

Essa transição demográfica abriu novas oportunidades para os vinicultores chilenos ansiosos por se estabelecerem em um país onde a cultura do vinho ainda está se desenvolvendo em comparação com a Europa e a América do Norte.

Mudando a estratégia de marketing

Para capitalizar esse potencial, os esforços de marketing do Chile agora se concentrarão na reputação do país como produtor de vinho sustentável e de qualidade, de acordo com Valenzuela.

A Wines of Chile busca atrair consumidores ricos no Brasil e em outros lugares, enfatizando a qualidade e o cuidado com o meio ambiente.

O plano reflete uma tendência mais ampla no negócio global de vinhos para distinguir produtos em mercados competitivos por meio de credenciais de marca e sustentabilidade.

Equilíbrio global se mantém estável

Apesar da queda em dois mercados-chave, as exportações gerais de vinho chileno permaneceram estáveis em 2025, apoiadas por ganhos em outras regiões.

Canadá, Japão, Irlanda e Coreia do Sul registraram crescimento, compensando as perdas no México, Holanda e Grã-Bretanha.

Esse equilíbrio permitiu que os produtores chilenos enfrentassem o cenário internacional desigual, mesmo com as barreiras comerciais e as mudanças de consumo remodelando os padrões de demanda.

Para o setor, o aumento do Brasil oferece uma proteção crítica contra ventos contrários nos EUA e na China. Ao mesmo tempo, a experiência destaca a importância da diversificação do mercado, com os vinhos do Chile encontrando novos compradores em diferentes continentes.

Perspectiva

Olhando para o futuro, manter o crescimento no Brasil será fundamental para a estratégia de exportação do Chile. A chave será manter o ritmo e, ao mesmo tempo, adaptar-se às mudanças nos gostos dos consumidores e na dinâmica comercial em outros lugares.

Por enquanto, o quadro mundial estável indica durabilidade em um dos negócios de exportação mais importantes do Chile, apesar das tarifas e desacelerações dos consumidores testando sua adaptação.