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Brent recua, mas alta semanal de 14% indica que o perigo não diminuiu

Brent recua, mas alta semanal de 14% indica que o perigo não diminuiu
Devesh Kumar
24 de jul. de 2026, 00:32 AM

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Brent (futuros ICE Brent)

Compre futuros ICE Brent (ou CFD de Brent) visando continuação da alta. O artigo mostra que o mercado está reprecificando o risco físico, não apenas reagindo às manchetes: gargalos sobrepostos (Bab el-Mandeb mais o já restrito Hormuz) significam viagens mais longas, frete/seguro mais altos e oferta pronta mais apertada. Mesmo com a queda de sexta-feira, o movimento semanal é grande (Brent +13.5%), sinalizando que a probabilidade de perda de oferta está aumentando. Busque um reteste na zona de $110–$120 se a perturbação persistir.

Key Risk: Uma normalização rápida e verificável do tráfego de petroleiros pelo Bab el-Mandeb e Hormuz que force a queda dos custos de frete/seguro.

Petróleo do Cazaquistão (Caspian Pipeline Consortium / exposição ligada ao CPC)

Venda exposição a petróleo ligado ao Cazaquistão por meio de posições curtas em proxies de crude do CPC/Mar Negro (por exemplo, venda de Brent versus cesta Cazaquistão/Urals via um spread de petróleo, se disponível, ou uma venda direta em ETFs/ETNs vinculados ao petróleo do Cazaquistão/Urals). O artigo aponta um impacto concreto na oferta: carregamentos no terminal do CPC foram interrompidos e a produção do Tengiz foi reduzida em mais de metade. Isso representa uma perda real de barris além do risco nas rotas do Oriente Médio, apertando ainda mais a oferta global e favorecendo uma backwardation mais ampla e o fortalecimento dos diferenciais spot.

Key Risk: O terminal do CPC reinicia rapidamente e a produção do Tengiz se recupera depressa o suficiente para compensar os barris perdidos.

  • Brent recua abaixo de $100 após o potente rali de 7% de quinta-feira.
  • Ataques a petroleiros no Mar Vermelho colocam em risco a principal rota alternativa da Arábia Saudita.
  • Cortes de produção no Cazaquistão aprofundam temores de um choque de oferta global mais amplo.

O Brent recuou abaixo de $100 o barril na sexta-feira, à medida que operadores realizavam lucros após o rali de quinta-feira, mas o recuo ofereceu pouca evidência de que a ameaça à oferta global de petróleo esteja diminuindo.

Os futuros do Brent caíram 0.7% para $99.97 nas negociações iniciais na Ásia, enquanto o West Texas Intermediate dos EUA recuou para $91.49. Brent ainda caminhava para um ganho semanal de 13.5%, com o WTI subindo 10.9%, depois de Brent ter fechado a $100.69 na quinta-feira, seu primeiro fechamento acima de $100 desde maio.

A dimensão do avanço semanal reflete um mercado enfrentando perturbações sobrepostas em vez de um rali geopolítico temporário.

Brent recua, mas o rali deixa um alerta

O declínio de sexta-feira parecia modesto diante do salto da sessão anterior.

Brent subiu 7% na quinta-feira depois que forças Houthi disseram ter atacado dois petroleiros transportando petróleo saudita no Mar Vermelho, intensificando as preocupações sobre o Estreito de Bab el-Mandeb.

O rali também marcou mais um avanço semanal, sugerindo que os operadores atribuem maior probabilidade a perdas físicas de oferta, viagens mais longas e aumento dos custos de frete e seguro.

Essa reprecificação mostra que os operadores temem que a perturbação persista além dessas últimas manchetes.

“O laço em torno das rotas de abastecimento energético global está se apertando novamente”, disse o analista de mercado da IG, Tony Sycamore, em nota.

O tráfego pelo Estreito de Hormuz já estava fortemente restringido após a retomada dos combates entre os EUA e o Irã.

Os ataques mais recentes pressionam o principal corredor alternativo para contornar essa perturbação, transformando um problema de gargalo em dois.

Ataques Houthi ameaçam rota de escape da Arábia Saudita

A Arábia Saudita passou a transportar petróleo pelo oleoduto East-West até o Mar Vermelho para reduzir a dependência de Hormuz.

Os petroleiros precisam então passar pelo Bab el-Mandeb para alcançar muitos compradores asiáticos ou seguir rotas mais longas em direção à Europa.

A analista de energia da Baringa, Ellen Fraser, chamou isso de “duplo golpe”, relatou o The Wall Street Journal.

Ela disse que isso poderia reduzir as exportações do Oriente Médio ao mesmo tempo em que forçaria cargas com destino à Europa a contornar o sul da África, alongando as viagens e elevando custos. Os preços poderiam subir ainda mais a menos que as tensões diminuam, acrescentou.

O risco vai além dos barris danificados. Armadores podem desviar navios, suspender viagens ou exigir prêmios de seguro mais altos, apertando a disponibilidade imediata antes que os produtores reduzam a produção.

Dois superpetroleiros chineses transportando quatro milhões de barris de petróleo saudita passaram pelo Bab el-Mandeb na quinta-feira, mostrando que a rota permanece aberta.

No entanto, travessias bem-sucedidas isoladas não eliminam o risco de uma retirada mais ampla por parte dos armadores.

Cazaquistão adiciona outro choque de oferta

O Oriente Médio não é o único problema do mercado.

O Cazaquistão reduziu a produção depois que supostos ataques com drones ucranianos forçaram o Caspian Pipeline Consortium a interromper carregamentos em seu terminal no Mar Negro, uma rota que representa cerca de 2% do fornecimento diário global de petróleo.

A produção de petróleo e condensados do Cazaquistão caiu para cerca de 1.63 milhão de barris por dia, ante uma média de julho de 2.07 milhões.

A produção no campo Tengiz, liderado pela Chevron, foi reduzida em mais de metade, para cerca de 406.000 barris por dia.

Bob Yawger, diretor de futuros de energia da Mizuho, disse à Reuters que a pressão sobre dois grandes gargalos colocou o petróleo ao alcance da máxima de quatro anos de $126.41, à medida que os suprimentos disponíveis encolhem.

O Goldman Sachs manteve um cenário-base de $80 para o quarto trimestre, mas afirmou que o Brent poderia ultrapassar $120 se a interrupção em Hormuz persistir e os riscos se espalharem pelo Bab el-Mandeb e pela rota do Suez.