A guerra comercial de Trump une Lula e Modi em uma busca desesperada por novos mercados

A guerra comercial de Trump une Lula e Modi em uma busca desesperada por novos mercados
Deepali Singh
15 de out. de 2025, 02:41 AM
  • A guerra comercial de Trump está aproximando os gigantes dos mercados emergentes Índia e Brasil.
  • As duas nações estão buscando triplicar sua parceria comercial de 12 bilhões de dólares.
  • Ambos os países foram atingidos por tarifas esmagadoras de 50% dos EUA.

Uma nova e poderosa aliança está sendo forjada no fogo de uma guerra comercial global.

Índia e Brasil, dois gigantes de mercados emergentes que se encontraram diretamente na mira da agenda protecionista do presidente Donald Trump, agora estão se movendo para aprofundar seus próprios laços, uma resposta calculada e desafiadora a um presidente americano que derrubou a velha ordem mundial.

Esta semana, uma delegação de alto escalão de funcionários do governo e executivos de negócios do Brasil está convergindo para Nova Délhi, com sua missão clara: forjar novos relacionamentos e triplicar a modesta parceria comercial de 12 bilhões de dólares dos dois países.

É um pivô estratégico nascido da necessidade, enquanto ambas as nações lidam com as dolorosas consequências econômicas dos ataques de Trump.

Uma 'reorganização total': o realinhamento global

A crescente parceria entre o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi é um dos exemplos mais claros e significativos dos novos realinhamentos globais que estão tomando forma à medida que a Casa Branca rasga alianças e práticas de décadas.

Este não é um movimento feito isoladamente.

A mesma pressão de Washington levou Nova Délhi a descongelar suas próprias relações geladas com a China e deu o ímpeto para o bloco sul-americano Mercosul finalmente assinar um acordo comercial há muito indescritível com a União Europeia.

Embora Modi e Lula ainda estejam manobrando para melhorar sua posição em Washington, eles também estão, na verdade, protegendo suas apostas econômicas.

"A guerra comercial de Trump está gerando uma reorganização total do comércio em todos os lugares", disse Thiago de Aragão, chefe da Arko International, uma consultoria em Washington.

O preço da ira do presidente

Tanto a Índia quanto o Brasil têm recebido algumas das tarifas mais severas da era Trump – uma taxa esmagadora de 50% sobre seus produtos.

Embora a Casa Branca tenha emitido algumas exclusões, as taxas representam um risco econômico sério e persistente.

A delegação brasileira, que está sendo liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e inclui executivos de gigantes corporativos como Petrobras e Vale, está particularmente interessada em explorar os enormes mercados de café e etanol da Índia.

Para Lula, que iniciou seu mandato com a promessa de diversificar os parceiros comerciais do Brasil, a postura agressiva de Trump apenas acrescentou uma nova e poderosa urgência a essa missão.

Uma delicada dança da diplomacia

Para a Índia, a situação é ainda mais complexa. Os EUA são seu principal destino de exportação, fato que obriga o primeiro-ministro Modi a realizar uma dança diplomática delicada e muitas vezes contraditória.

Ele tentou encontrar um equilíbrio entre permanecer leal a seus aliados do mundo em desenvolvimento e se aproximar de Trump.

Esse ato de equilíbrio tornou-se cada vez mais difícil. Trump não apenas exasperou Modi com as tarifas, mas também com suas alegações repetidas e infundadas de que ele "resolveu" a mais recente escalada militar entre a Índia e o Paquistão.

Foi nesse cenário de crescente tensão que as súplicas de Lula em uma recente cúpula do BRICS no Rio de Janeiro se mostraram tão persuasivas. Modi lançou sua sorte com o Brasil, criticando publicamente os "padrões duplos" que seus países enfrentavam do Ocidente.

O caminho à frente não será fácil. As duas nações vendem muitos dos mesmos produtos no mercado global e ambas ainda dependem fortemente do comércio com a China.

Mas em um mundo onde velhas certezas estão desmoronando, uma nova parceria, forjada no cadinho de uma queixa compartilhada, está começando a tomar forma.