Trump propõe dividir a região de Donbass, na Ucrânia, para acabar com a guerra

Trump propõe dividir a região de Donbass, na Ucrânia, para acabar com a guerra
Diya Poddar
20 de out. de 2025, 03:22 AM
  • O presidente dos EUA teria pressionado Zelenskyy a aceitar uma troca territorial.
  • O pedido da Ucrânia por mísseis Tomahawk foi negado.
  • Os comentários de Trump seguiram uma ligação e uma reunião planejada com Putin.

O presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu que a guerra em curso na Ucrânia pode terminar se ambos os lados concordarem em parar de lutar ao longo das linhas de batalha existentes, deixando efetivamente a maior parte da região de Donbass sob controle russo.

A proposta marca uma mudança significativa em relação à sua posição anterior de que a Ucrânia poderia recuperar todo o seu território e até mesmo "ir mais longe" em terras russas.

Os comentários de Trump vieram poucos dias depois de uma reunião tensa com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, na Casa Branca e um telefonema com o presidente russo, Vladimir Putin.

O plano de Trump: congelar o conflito nas linhas de frente atuais

Falando a bordo do Air Force One no domingo, Trump disse: "Que seja cortado do jeito que está. Está cortado agora", referindo-se aos territórios orientais da Ucrânia.

Ele acrescentou que ambos os lados deveriam "parar na linha de batalha - ir para casa, parar de lutar, parar de matar pessoas", sugerindo que novas negociações poderiam ocorrer "mais tarde".

Os comentários seguiram relatos de que, durante sua reunião na Casa Branca na sexta-feira, Trump pediu em particular a Zelenskyy que cedesse partes de Donetsk e Luhansk à Rússia em troca de Moscou se retirar de porções menores de Zaporizhzhia e Kherson.

A abordagem de Trump representa uma clara ruptura com suas declarações anteriores em setembro, quando descreveu a Rússia como um "tigre de papel" e expressou confiança de que a Ucrânia poderia recuperar seus territórios ocupados.

Seus comentários mais recentes indicam um movimento para acabar com a guerra por meio de concessões territoriais, em vez de resistência militar contínua.

Mísseis retidos e a conexão com Putin

A viagem de Zelenskyy a Washington teve como objetivo garantir mísseis de cruzeiro Tomahawk de longo alcance, o que teria ampliado significativamente as capacidades de ataque da Ucrânia.

Essas armas poderiam ter permitido que Kiev atingisse profundamente o território russo, incluindo a própria Moscou.

No entanto, Trump recusou o pedido após o que parecia ser um telefonema conciliatório com Putin apenas um dia antes de se encontrar com o presidente ucraniano.

A ligação teria durado várias horas e terminou com planos para Trump e Putin se encontrarem em Budapeste em breve.

Após essa conversa, Trump parecia muito mais otimista sobre chegar a um acordo, dizendo a repórteres que ambos os lados precisavam "parar a matança" e "fazer um acordo".

A portas fechadas, o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, estava entre os que pressionaram a equipe de Zelenskyy a concordar com uma "troca" territorial.

Mudança de tom e implicações políticas

Em uma entrevista à Fox News gravada antes de suas reuniões com Putin e Zelenskyy, Trump insinuou essa posição, dizendo que Putin "vai levar alguma coisa" porque "ele ganhou certas propriedades".

Ele acrescentou que os Estados Unidos são "a única nação que entra, vence uma guerra e depois sai", refletindo sua visão de que as concessões territoriais são inevitáveis.

Na noite de domingo, enquanto voava da Flórida para Washington, Trump reiterou que os combates deveriam "parar nas linhas onde estão", argumentando que "o resto é muito difícil de negociar".

Quando perguntado se ele havia dito explicitamente a Zelenskyy para desistir de todo o Donbass, Trump negou, embora suas declarações anteriores sugerissem o contrário.