Uruguai cancelará acordo de navio de patrulha de US$ 92 mi com a espanhola Cardama por suspeita de fraude

Uruguai cancelará acordo de navio de patrulha de US$ 92 mi com a espanhola Cardama por suspeita de fraude
Noris Soto
23 de out. de 2025, 07:04 AM
  • Uruguai cancela acordo de construção naval de US$ 92 milhões com a espanhola Cardama por suspeita de garantias fraudulentas.
  • As investigações revelam que a empresa fiadora com sede no Reino Unido pode ser uma empresa de fachada em liquidação.
  • Governo inicia ações civis e criminais, citando possíveis fraudes contra o Estado uruguaio.

O Uruguai rescindirá seu contrato de 2023 com o estaleiro espanhol Cardama para a construção de duas embarcações depois que as autoridades descobriram supostas irregularidades nas garantias que sustentam o negócio, disse o governo na quarta-feira.

O presidente Yamandú Orsi, falando em uma entrevista coletiva, disse que havia indícios de fraude ou fraude contra o Estado uruguaio.

Ele anunciou que os processos civis e criminais seriam iniciados e assinou uma resolução para fazer cumprir a garantia de desempenho do projeto antes de sua expiração.

Orsi havia instruído o embaixador do Uruguai no Reino Unido a visitar os escritórios da empresa que emitiu a garantia.

Após essa missão, o governo apresentou uma queixa formal aos Tribunais Civil e Criminal com base nas descobertas, disse ele.

Atrasos repetidos e garantias rejeitadas

O subsecretário da Presidência, Jorge Díaz, disse que o contrato entre o governo uruguaio e a Cardama exige que o construtor naval espanhol forneça uma garantia de desempenho dentro de 45 dias após a assinatura.

A cláusula tinha como objetivo garantir o cumprimento das obrigações contratuais da empresa, observou Díaz.

"Cardama não cumpriu o prazo e continuou solicitando prorrogações", disse ela.

"Esses 45 dias duraram onze meses. Durante esse período, a Cardama lançou sete processos separados para certificar garantias, todos negados.

Quando o prazo já havia expirado, a empresa produziu uma garantia de desempenho, emitida pela Eurocommerce Ltd., uma empresa com sede no Reino Unido.

O governo uruguaio aprovou este documento, embora não correspondesse inteiramente aos critérios contratuais.

Garantia questionável e empresa fantasma

À medida que o prazo de 22 de setembro se aproximava, a Cardama foi obrigada a oferecer uma garantia nova e válida.

O presidente Orsi optou por iniciar o processo de execução do atual, instruindo o embaixador em Londres a notificar formalmente a Eurocomerce Ltd. para depositar o dinheiro garantido em uma conta do governo uruguaio.

No entanto, quando o embaixador chegou ao endereço fornecido, descobriu que não existia tal empresa lá.

Mais tarde, um escritório de advocacia alertou as autoridades uruguaias de que a Eurocomerce Ltd. estava "em liquidação" e logo seria excluída do registro oficial.

Há fortes indícios de que esta empresa é uma entidade de fachada e que podemos estar diante de uma fraude contra o Estado uruguaio, já que essa garantia pode não existir de fato, enfatizou Díaz.

Rescisão de contrato e ações judiciais

Após essas conclusões, o presidente Orsi decidiu iniciar o procedimento de rescisão do contrato, como resultado do incumprimento por parte da Cardama da obrigação de fornecer uma garantia de execução válida.

Isso marca uma grande escalada no que o governo agora está tratando como um possível caso de fraude.

Em 15 de dezembro de 2023, o Ministério da Defesa do Uruguai assinou um contrato de US$ 92 milhões com a Cardama para dois navios de patrulha offshore a serem usados para melhorar as capacidades de segurança e vigilância marítima do país.

Como foram encontradas irregularidades e as garantias parecem insuficientes, o Uruguai está tentando recuperar fundos e ir contra os responsáveis por meio de ações judiciais.

Além disso, há dúvidas sobre como os contratos internacionais de defesa podem operar sem supervisão eficaz e sobre os mecanismos que existem para garantir o cumprimento dos mandatos dos contribuintes.