132 mortos e dezenas de feridos: o que está acontecendo no Rio de Janeiro

132 mortos e dezenas de feridos: o que está acontecendo no Rio de Janeiro
Devesh Kumar
29 de out. de 2025, 14:39 PM
  • 132 mortos em ataque massivo a redutos do Comando Vermelho em favelas do Rio.
  • Moradores recuperaram corpos de bosques enquanto famílias procuravam os desaparecidos.
  • Grupos de direitos humanos alegam execuções; ONU pede investigação completa.

O Rio de Janeiro está se recuperando das consequências do que as autoridades estão chamando de a operação policial mais mortal da história do Brasil.

Um ataque maciço contra a gangue do Comando Vermelho na terça-feira deixou pelo menos 132 pessoas mortas, com moradores encontrando corpos adicionais durante a noite em áreas arborizadas.

De acordo com os relatórios, mais de 2.500 policiais e militares foram mobilizados para a operação.

As forças de segurança foram implantadas nas favelas do Complexo do Alemão e da Penha, resultando em 81 prisões e na apreensão de 93 fuzis e mais de meia tonelada de narcóticos.

Operação que deu errado: o que desencadeou o derramamento de sangue

A operação começou na manhã de terça-feira, quando unidades policiais fortemente armadas entraram em dois enormes complexos de favelas com helicópteros sobrevoando e veículos blindados chegando.

Fazia parte da "Operação Contenção", algo que as autoridades vinham construindo há mais de um ano, enquanto rastreavam a rede de drogas e a apropriação de territórios do Comando Vermelho.

O plano, pelo menos no papel, era cumprir mandados de prisão. Mas as coisas entraram em espiral quase imediatamente. Tiroteios eclodiram nos bairros, pegando a maior parte da cidade desprevenida.

Em um movimento que surpreendeu até mesmo autoridades de segurança experientes, membros de gangues usaram drones para lançar explosivos sobre a polícia e montar barricadas em chamas.

Ao cair da noite, o som de tiros e explosões fez com que partes do Rio parecessem uma zona de guerra.

Entre as 132 pessoas que morreram estavam quatro policiais. O governador Cláudio Castro mais tarde defendeu o ataque, chamando-o de um ataque necessário contra o "narcoterrorismo".

Mas com um número tão grande de mortos, os críticos agora estão perguntando se a resposta foi realmente proporcional e se algo foi feito para proteger os civis presos no meio dos combates.

As consequências: luto, controvérsia e pedidos de justiça

Na manhã seguinte, as consequências pareciam devastadoras. Na Penha, as pessoas acordaram com corpos caídos nas ruas. Alguns moradores foram para a mata atrás da favela para procurar parentes que não haviam voltado para casa.

Eles finalmente carregaram dezenas de cadáveres e os colocaram ao ar livre para que as famílias pudessem tentar identificá-los. Mães e irmãos choravam sobre sacos e lençóis para cadáveres, implorando por enterros dignos e respostas.

As autoridades insistem que a maioria dos mortos eram membros de gangues armadas que reagiram.

Mas ativistas e grupos de direitos humanos no local dizem ter visto sinais de execuções, incluindo corpos com ferimentos de bala na nuca.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU disse que está "horrorizado" e quer uma investigação completa.

A raiva se espalhou pelas ruas. Os moradores bloquearam estradas, assumiram o controle de ônibus e forçaram partes da cidade a fechar.

Com escolas fechadas e protestos se espalhando, a operação lançou uma longa sombra sobre o Rio no momento em que se prepara para sediar grandes eventos climáticos globais e chamou a atenção internacional para o policiamento linha-dura do Brasil.