Por que as ações da Tesla estão subindo mais de 3%, mesmo com as vendas europeias continuando a cair

Por que as ações da Tesla estão subindo mais de 3%, mesmo com as vendas europeias continuando a cair
Utkarsh Roshan
03 de nov. de 2025, 13:25 PM
  • As ações da Tesla sobem mais de 3% para 4% do recorde.
  • As vendas caem em toda a Europa em meio à concorrência e à reação política.
  • O foco do investidor muda para o voto salarial de US$ 1 trilhão de Musk esta semana.

As ações da Tesla subiram mais de 3%, para US$ 470,38, no início do pregão de segunda-feira, colocando-as a 4% de sua máxima histórica de US$ 488,54 alcançada em dezembro de 2024.

O rali ocorre mesmo quando as vendas europeias da fabricante de veículos elétricos mostraram quedas acentuadas em outubro.

Uma atualização do preço-alvo de um analista pode estar ajudando as ações da Tesla na segunda-feira.

Os dados de vendas mais recentes da Tesla na Europa destacaram quedas significativas em vários mercados importantes.

Os registros de carros novos da empresa - um proxy para as vendas - caíram 89% na Suécia, 86% na Dinamarca, 50% na Noruega e 48% na Holanda, de acordo com dados da indústria local.

Na Espanha, as vendas da Tesla caíram 31%, mesmo com as vendas em todo o setor de veículos totalmente elétricos e híbridos plug-in saltando 119%.

A França foi uma das poucas exceções, onde a Tesla registrou um pequeno ganho pelo segundo mês consecutivo.

O que está prejudicando as vendas da Tesla na Europa

O declínio das vendas da Tesla na Europa ocorre em meio à intensificação da concorrência de montadoras estabelecidas e novos participantes chineses que oferecem novos modelos de veículos elétricos.

Até setembro, as vendas europeias da Tesla caíram 28,5% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Os analistas atribuem a fraqueza à linha envelhecida da empresa e a uma gama limitada de modelos, o que a deixou vulnerável em um mercado cada vez mais lotado.

Apesar da queda de outubro, a Tesla continua sendo a montadora mais vendida na Noruega, onde quase todos os carros novos vendidos são elétricos. No entanto, os concorrentes locais estão se recuperando rapidamente.

Na Dinamarca, a Tesla foi superada por várias marcas chinesas de veículos elétricos, incluindo BYD, Xpeng e Zeekr da Geely.

Na Espanha, os 393 carros da Tesla vendidos em outubro foram eclipsados pela marca MG da SAIC com 3.725 unidades, BYD com 2.806 e marcas Omoda e Jaecoo da Chery com 1.433 e 974, respectivamente.

Na Suécia, os 133 veículos da Tesla vendidos em outubro ficaram atrás não apenas das marcas tradicionais, mas também da Porsche, que entregou 172 unidades.

No geral, as vendas da Tesla na Suécia até outubro caíram 67% em comparação com o mesmo período do ano passado.

As lutas da empresa na Europa também foram agravadas pela reação política contra o CEO Elon Musk.

Seu apoio público à campanha eleitoral do presidente dos EUA, Donald Trump, e aos partidos europeus de extrema-direita alienou alguns consumidores, particularmente na Europa Ocidental.

Analista aumenta meta para ações da Tesla

Apesar da queda nas vendas, o otimismo entre os investidores continua forte.

O Deutsche Bank reafirmou sua classificação de compra na Tesla e elevou seu preço-alvo em US$ 30, para US$ 470, citando uma "estrutura SOTP multimodal" que incorpora estimativas mais altas para o negócio de robotáxi da empresa.

A atenção dos investidores agora está voltada para a reunião anual de acionistas da Tesla marcada para 6 de novembro, onde os acionistas votarão no pacote de remuneração proposto pelo CEO Elon Musk de US$ 1 trilhão.

Voto salarial de Musk gera divisões acentuadas

O plano de compensação, vinculado a uma série de marcos financeiros e operacionais ambiciosos na próxima década, provocou apoio e oposição.

A presidente da Tesla, Robyn Denholm, alertou os acionistas na semana passada que Musk poderia deixar a empresa se o plano não fosse aprovado.

As empresas de consultoria ISS e Glass Lewis pediram aos investidores que votassem contra o pacote, citando preocupações sobre seu tamanho e possíveis riscos de governança.

Musk respondeu chamando-os de "terroristas corporativos" durante a teleconferência de resultados mais recente da Tesla.

Apesar das críticas, os analistas esperam que a proposta seja aprovada.

Eles alertam, no entanto, que uma votação fracassada pode perturbar os investidores e levantar dúvidas sobre o compromisso de longo prazo de Musk com a Tesla.