Futuros do Ibovespa sobem com mercados de olho no fim da paralisação dos EUA

Futuros do Ibovespa sobem com mercados de olho no fim da paralisação dos EUA
Noris Soto
12 de nov. de 2025, 10:47 AM
  • O otimismo global eleva os mercados enquanto os investidores aguardam o fim da paralisação do governo dos EUA.
  • Os traders brasileiros se concentram nas observações do presidente do Banco Central, Galípolo, em busca de pistas sobre a direção da política.
  • A temporada de resultados e o sentimento político aumentam a volatilidade, com a aprovação do Banco do Brasil e de Lula em foco.

Os futuros do Ibovespa abriram com uma alta modesta na quarta-feira, com os investidores mais otimistas e os mercados globais pesando um risco no dia.

Sinais de que a Câmara dos Deputados dos EUA está prestes a encerrar a mais longa paralisação do governo na história americana, que obscureceu as perspectivas para a economia mundial e interferiu na publicação de dados econômicos importantes, foram bem recebidos pelos investidores.

De acordo com o meio de comunicação local InfoMoney, o contrato futuro do Ibovespa com data de dezembro subiu 0,10%, para 160.075 pontos, às 9h04 (horário de Brasília).

O ganho moderado, no entanto, refletiu o clima favorável nos mercados internacionais, já que as notícias de Washington sugeriram que um acordo político era iminente.

No final do dia, a legislação para reabrir o governo deveria ser aprovada pela Câmara controlada pelos republicanos, liderada pelo partido do presidente Donald Trump.

O fim da paralisação pode aumentar a confiança dos investidores, dissipar as preocupações com a disfunção orçamentária e restaurar o fluxo consistente de dados econômicos dos quais os formuladores de políticas e traders dependem.

Ações globais se recuperam em meio a confiança renovada

Os índices de ações globais aumentaram em antecipação à reabertura do governo dos EUA. No início da tarde, as ações europeias atingiram máximas históricas, enquanto os futuros de Wall Street também mostraram aumentos.

Os futuros do Dow Jones subiram 0,15%, os futuros do SandP 500 subiram 0,25% e os futuros do Nasdaq subiram 0,46% no início do pregão de Nova York.

A maioria dos mercados asiáticos encerrou o dia em alta, seguindo a perspectiva otimista dos Estados Unidos.

Os investidores na região da Ásia-Pacífico pareciam animados com a possibilidade de a estabilidade política retornar a Washington, apesar dos recentes resultados mistos em Wall Street.

Nem todas as notícias de negócios, porém, foram positivas. Depois de anunciar a venda de toda a sua participação de US$ 5,83 bilhões na Nvidia, as ações da empresa japonesa SoftBank caíram 10%.

Os mercados de commodities, no entanto, tiveram resultados inconsistentes. Os futuros do minério de ferro aumentaram na China, enquanto os preços do petróleo diminuíram à medida que os traders ficaram preocupados com um potencial superávit.

As expectativas de que Pequim implementaria mais políticas de estímulo para impulsionar a demanda e acalmar as preocupações com o crescimento dos estoques e o declínio do consumo impulsionaram a recuperação do mercado de minério de ferro.

Mercados brasileiros focam no Banco Central e na temporada de resultados

Os investidores no país se concentraram nas declarações feitas por Gabriel Galáolo, presidente do Banco Central.

Após a divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária um dia antes, os mercados estão curiosos para saber se Galípolo expressa ou não preocupação com a direção da inflação e das taxas de juros.

Galípolo deveria falar duas vezes na quarta-feira, primeiro para realizar uma coletiva de imprensa matinal sobre o Relatório de Estabilidade Financeira na sede do Banco Central, em Brasília, e depois no painel "Política Monetária no Brasil" durante o Fórum de Investimentos 2026, em São Paulo, organizado pela Bradesco Asset Management.

Os participantes do mercado estavam procurando insights sobre como o Banco Central vê as pressões inflacionárias e as perspectivas de crescimento em 2026 a partir de seus comentários.

Além da política monetária, os lucros corporativos foram um fator importante por trás do sentimento do mercado. A temporada de balanços continuou para os números do terceiro trimestre, e o Banco do Brasil (BBAS3) foi um dos destaques do dia.

Analistas da época esperavam que os números do banco movimentassem o setor financeiro como um todo na B3.

Sentimento político e movimentos cambiais

Os investidores examinaram os dados mais recentes da pesquisa Genial/Quaest, que mostraram um ligeiro declínio no favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil.

Depois de atingir um pico em outubro, as avaliações favoráveis do governo Lula voltaram aos níveis de setembro em novembro. Embora os dados tenham distorcido um pouco o clima, provavelmente tiveram pouco efeito nas expectativas gerais do mercado.

Quanto ao câmbio, o contrato futuro do dólar com vencimento mais próximo subiu 0,05%, para R$ 5,298. A modesta mudança incorporou uma perspectiva cuidadosa entre os touros globais e os ursos domésticos.

A sessão de quarta-feira começou com um tom entre otimismo cauteloso, dado o alívio político global, e cautela local na frente econômica.

Os investidores com foco em Washington e Brasília notarão uma pequena alta no Ibovespa Futures no dia, o que mantém o mercado equilibrado entre otimismo e realismo.