A trajetória de privatização do Copasa no Brasil se intensifica à medida que o Bradesco BBI reafirma a classificação neutra
- O BBI mantém uma visão neutra sobre a Copasa, com um preço-alvo de R$56 em meio ao impulso da privatização.
- O EBITDA e o EPS devem crescer a CAGRs de dois dígitos, apoiados por ganhos e retornos de eficiência.
- Minas Gerais acelera a venda para cumprir as obrigações, mantendo alta a probabilidade de privatização.
A Bradesco BBI reafirmou sua recomendação neutra para as ações da Copasa (CSMG3), já que a empresa de saneamento de Minas Gerais tem um preço de ação alvo de R$56.
Segundo o veículo local InfoMoney, a avaliação representa um aumento de 35% em relação ao preço de fechamento da ação em novembro. Já com cerca de 100% de crescimento no ano anterior, as ações da Copasa foram impulsionadas pelo aumento das esperanças de privatização.
O governo de Minas Gerais tomou medidas importantes para uma venda, que está prevista para ocorrer no 1º trimestre de 2026.
As mudanças regulatórias da ARSAE, tanto implementadas quanto esperadas, fortalecem o caso de investimento independentemente do momento exato da privatização.
Nesse contexto, o banco revisou suas estimativas com base em uma probabilidade de 99% para a privatização da Copasa.
A BBI prevê forte aprimoramento operacional na propriedade privada, apoiada por bases de custos simplificadas e capex anual, que retornaria regularmente ao RAB, semelhante ao Sabesp de São Paulo.
EBITDA e crescimento dos lucros sob pressupostos de privatização
Assumindo que a Copasa se torne privada, o BBI prevê uma taxa composta anual de crescimento (CAGR) de 17% para o EBITDA e 16% para o EPS entre 2025 e 2030.
Essas previsões baseiam-se em despesas operacionais mais baixas e aumento da lucratividade, à medida que os investimentos se traduzem em fontes de receita reguladas.
Com os ganhos de eficiência se tornando cruciais para o argumento de valor, o banco acredita que o Copasa está prestes a aumentar significativamente sua capacidade de lucros na segunda metade da década.
As possibilidades de dividendos também estão melhorando sob essa previsão. Não se espera que a Copasa sofra limites de distribuição por estatuto, permitindo que a BBI mantenha uma distribuição anual consistente de 75%.
Os rendimentos de dividendos podem ficar em torno de 7% no ano fiscal de 2026, subindo para mais de 8% em 2027, 11% em 2028 e mais de 12% a partir de 2029.
Apesar da classificação neutra, o BBI acredita que o crescimento dos rendimentos oferece uma barreira atraente para investidores focados em renda.
Cenários de avaliação: de R$80 a R$32
O cenário básico da BBI assume um preço-alvo de R$56 por ação. No entanto, o banco propõe dois caminhos possíveis baseados em resultados políticos e regulatórios.
Em um cenário otimista, uma Copasa privatizada pode alcançar R$80 por ação até o final de 2026, representando um aumento de 92%.
Esse valor implica que a corporação alcança uma redução mais profunda nas despesas operacionais, de cerca de 50%, e se beneficia de uma compressão da taxa de desconto ou IRR para 8,5%, o que é apenas 100 pontos-base a mais do que o rendimento real dos títulos NTN-B.
Essas vantagens seriam impulsionadas por rendimentos de dividendos mais altos.
Em um cenário pessimista, em que a privatização é cancelada ou adiada, e a Copasa permanece sob controle estatal, o valor justo cai para aproximadamente R$32 por ação, representando uma desvalorização de 24%.
O BBI observa que a queda no NPV é mitigada por ações regulatórias que provavelmente serão confirmadas em breve e implementadas independentemente da propriedade, especialmente a atualização anual de capex e RABA.
Apesar de enfatizar o risco, o banco acredita que esse cenário é improvável, dado o recente impulso político.
Por que Minas Gerais está acelerando a venda
As pressões financeiras enfrentadas por Minas Gerais são uma das principais razões, segundo analistas de gás do BBI, para o senso de urgência do estado.
Por décadas, Minas Gerais esteve atolada em crises fiscais agudas, incluindo uma dívida de R$150 bilhões ao governo federal.
As negociações, que continuam, visam aliviar essa carga por meio de concessões como taxas de juros menores e parte do pagamento feito com bens nacionais.
Embora o Copasa em si não seja um dos ativos sinalizados para transferência federal, o estado ainda precisa de um valor significativo para cumprir compromissos de investimento relacionados ao pacto de dívida.
Minas Gerais, para cumprir esses compromissos, está oferecendo vender a maior parte de sua participação de 50,1% na Copasa, provavelmente mantendo entre 10% e 15%, com 10% de direito a voto.
O BBI afirma que essas medidas são fundamentais para restaurar as contas do Estado e ajudar a estabilizar as contas do Estado.
Na verdade, movimentos legislativos recentes apontam ainda mais para a determinação do governo.
O projeto de privatização de Copasa inicialmente exigia um referendo popular antes que os legisladores pudessem votar; essa exigência constitucional foi negociada com sucesso por Minas Gerais.
Ao pular essa etapa, há menos reações políticas, o que elimina um enorme obstáculo à venda proposta em 2026.
Passos principais à frente: concessões, taxas e alinhamento regulatório
Antes que a privatização possa ser finalizada, vários marcos permanecem.
A Copasa deve obter aprovação do Tribunal de Contas do Estado para Transparência dos Créditos Fiscais (TCE) e negociar um novo contrato de concessão com a Belo Horizonte, que representa um terço da receita da empresa.
Espera-se que o contrato estenda a concessão da cidade de 2034 a 2073 e pode exigir que Copasa pague uma taxa estimada entre R$1 bilhão e R$1,5 bilhão, que provavelmente será adicionada ao RAB.
Os outros 636 municípios atendidos por Copasa normalmente seguem o exemplo de Belo Horizonte e dificilmente exigirão taxas adicionais substanciais devido ao seu poder de negociação limitado.
Embora o contrato atualizado da BH deva incorporar disposições regulatórias aprimoradas, o BBI observa que o arcabouço pode não atingir a mesma abrangência do visto com a Sabesp.
Vários marcos precisam ser alcançados antes que a privatização possa ser finalizada.
A Copasa deve obter autorização do Tribunal de Contas do Estado para Transparência de Créditos Fiscais (TCE) e negociar um novo contrato de concessão com a Belo Horizonte, que gera um terço da receita da empresa.
O contrato está planejado para estender a concessão da cidade de 2034 a 2073, e Copasa pode ser obrigada a pagar um valor que varia de R$1 bilhão a R$1,5 bilhão, que provavelmente será adicionado ao RAB.
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