O lançamento da Fenynx marca o primeiro crowdfunding de ações tokenizado no B3 do Brasil

O lançamento da Fenynx marca o primeiro crowdfunding de ações tokenizado no B3 do Brasil
Noris Soto
02 de dez. de 2025, 11:17 AM
  • A Fenynx concluiu o primeiro crowdfunding de ações tokenizadas do Brasil no B3, arrecadando R$1,555 milhão.
  • A startup oferece empréstimos garantidos por ativos digitais, com linhas de crédito de até 50% do valor da garantia.
  • A B3 observa uma demanda crescente por ofertas tokenizadas, com seis plataformas envolvidas e mais em negociação.

Em um lembrete de como a tokenização está transformando rapidamente os mercados de capitais brasileiros, a empresa Fenynx realizou sua primeira captação de capital vendendo ações respaldadas por tokens B3 por meio de uma plataforma de crowdfunding.

Segundo o veículo local InfoMoney, a venda marca um momento decisivo para a bolsa brasileira: é a primeira plataforma de crowdfunding de ações a vender ações tokenizadas diretamente na infraestrutura de ativos digitais da B3.

O conceito de crowdfunding permite que tokens, que funcionam como contratos de investimento coletivo fracionados semelhantes a ações corporativas, sejam negociados na plataforma de ativos digitais da B3, fornecendo liquidez aos investidores após a venda original.

O financiamento coletivo ganha força em meio à seca de IPOs

Segundo Leonardo Rezende, superintendente de empresas da B3, o lançamento representa uma nova opção de financiamento para pequenas empresas.

"É a primeira plataforma de crowdfunding de ações, ou seja, envolve a venda de ações, lançada na bolsa de valores brasileira em um formato tokenizado que permitirá a negociação subsequente desses ativos, um formato que pode se tornar uma opção para financiar pequenos negócios", segundo ele.

Rezende acrescenta que seis plataformas de crowdfunding já assinaram contratos para usar a estrutura da exchange, enquanto outras 14 estão em negociações. As vendas podem incluir participações acionárias ou títulos de dívida tokenizados.

A indústria maior de crowdfunding cresceu rapidamente durante um período em que não houve ofertas públicas iniciais na bolsa.

Segundo Felipe Lippel Lettiere, chefe de financiamento coletivo da B3, a indústria moveu R$3 bilhões no terceiro trimestre deste ano, praticamente o dobro do volume do mesmo período do ano passado.

Ele explica que as ofertas e negociações são realizadas por meio de plataformas que operam como corretoras, conectando clientes à infraestrutura da B3 para finalizar as transações.

As ações tokenizadas colocaram a avaliação da Fenynx próxima a R$14 milhões

A Fenynx vendeu 11,27% de seu capital utilizando ações tokenizadas emitidas pela Zuvia Digital Assets, uma empresa de criptomoedas regulada pela Comissão de Valores Mobiliários do Brasil.

Os tokens foram posteriormente emitidos para investidores na B3, arrecadando R$1,555 milhão para apoiar o crescimento da empresa.

"Com esse valor, podemos estimar o valor inicial total da Fenynx em R$13,8 milhões", diz o criador Lucas Montanini, que cofundou a empresa com Luan Rodrigues.

Ele continua dizendo que a rodada de financiamento atraiu personalidades notáveis do setor tecnológico brasileiro como investidores.

Ativos digitais como garantia: uma novidade no Brasil

O negócio fundamental da Fenynx também é único no Brasil: ela fornece crédito a pessoas e empresas com ativos digitais como garantia.

Montanini observa que a organização aceita criptomoedas como Bitcoin e StableCoins, que acompanham as taxas de câmbio, além de representações tokenizadas de imóveis, dívidas corporativas, ações de fundos de investimento e outros ativos digitais.

Ele afirma que a tokenização simplifica o uso de ativos do mundo real como garantia.

Um token representando um imóvel, por exemplo, pode ser utilizado sem a necessidade de registro notário ou avaliações, minimizando a burocracia e acelerando transações.

Os mutuários podem obter empréstimos de até 50% do valor de seus ativos digitais, com taxas mensais de juros começando em 1,3%, que ele considera modestas pelos padrões brasileiros.

A Fenynx mantém uma margem de segurança ao reter garantias suplementares iguais a 100% da dívida.

Se a garantia perder valor, como aconteceu recentemente com o Bitcoin, a empresa solicita que os clientes melhorem suas garantias ou paguem parte do empréstimo.

"Temos um sistema de Inteligência Artificial que verifica os valores todos os dias e, se a dívida atingir 70% da garantia, o sistema solicita um ajuste", segundo Montanini.

Ambições regulatórias e estrutura de financiamento

A Fenynx atua como originadora de empréstimos e não necessita de aprovação do Banco Central porque não armazena os ativos garantidos; A custódia é conduzida por um banco parceiro.

No entanto, a empresa deseja solicitar o registro junto ao Banco Central como Provedor de Serviços de Ativos Virtuais (VASP) para poder supervisionar diretamente a custódia e as transações de ativos.

Montanini disse que a empresa já compra e vende e está tentando atender às necessidades de capital, presença e infraestrutura do Banco Central.

Os empréstimos podem ser concedidos em reais brasileiros, moedas virtuais e moedas internacionais.

O financiamento virá de três fontes: uma colaboração com a Zuvia, que aceita investimentos em tokens; investidores de crédito geral, como FDICs, family offices, fundos de investimento e gestores de ativos; e investidores estrangeiros por meio da DEX, uma bolsa descentralizada. Os mutuários podem pagar antecipadamente, mas o pagamento só vence ao final do período de 12 meses do contrato.

Aproveitando a experiência prévia em fintech

Montanini se baseia em sua experiência na Live On, uma empresa fintech cuja tecnologia foi utilizada por 70 bancos digitais antes de ser adquirida pelo Banco Modal e depois pela XP.

Ele espera que o financiamento lastreado por ativos digitais cresça rapidamente e concorra com o crédito tradicional. O objetivo da Fenynx é alcançar R$20 milhões em empréstimos garantidos por ativos digitais até o próximo ano.

"Nossa ideia é combinar todos os ativos tradicionais com ativos digitais, que devem crescer significativamente nos próximos anos", ele explica.