ExxonMobil fecha cracker de Singapura e sinaliza profunda dificuldade no setor global de petroquímica

ExxonMobil fecha cracker de Singapura e sinaliza profunda dificuldade no setor global de petroquímica
Sayantan Sarkar
04 de dez. de 2025, 04:19 AM
  • A ExxonMobil encerrará seu antigo vapor de Singapura (Jurong Island) entre março e junho.
  • O fechamento se deve à supercapacidade global e às perdas da indústria, impulsionadas em grande parte pela expansão da produção chinesa.
  • A medida aponta para a pressão da indústria, forçando os produtores a priorizar instalações mais novas e mais competitivas em custos.

A ExxonMobil está prestes a encerrar as operações no mais antigo de seus dois vapores na Ilha Jurong, em Singapura, a partir de março, segundo um relatório da Reuters divulgado na quinta-feira.

Essa medida está alinhada com uma tendência mais ampla do setor global de petroquímica de cortar capacidade em resposta a perdas no setor.

A redução da estrutura, prevista para começar em março e concluir até junho, é uma medida que está alinhada com uma tendência mais ampla da indústria de reduzir a capacidade petroquímica globalmente devido a perdas.

Essa usina antiga estava em operação desde 2002.

Desafios setoriais

O setor petroquímico está atualmente atravessando um período de profunda dificuldade global, uma realidade evidenciada pelo fechamento iminente da primeira instalação de crackers da ExxonMobil, localizada em um importante polo asiático de comércio de petróleo.

Essa medida significativa de um grande player da indústria reflete os desafios profundos enfrentados pelos produtores químicos em todo o mundo, sendo o principal o forte impacto na lucratividade causado pelo excesso de capacidade generalizado.

O principal motor dessa saturação de mercado é a China, que não apenas detém o título de maior consumidor mundial de produtos petroquímicos — componentes essenciais na fabricação de diversos bens como plásticos, têxteis, calçados e peças automotivas — como também expandiu agressivamente suas capacidades de produção doméstica.

Esse influxo de oferta chinesa alterou fundamentalmente o equilíbrio global entre oferta e demanda, reduzindo as margens e tornando usinas mais antigas e menos eficientes financeiramente inviáveis.

A decisão de encerrar o cracker da ExxonMobil serve como um potente balômetro para a saúde da indústria.

Os crackers são unidades fundamentais na produção petroquímica, convertendo nafta ou etano em blocos básicos como etileno e propileno.

O fechamento deles sinaliza que até grandes empresas integradas estão sentindo a pressão aguda da recessão prolongada.

Preços deprimidos

As empresas estão tendo dificuldades para lidar com a queda nos preços de venda de seus produtos finais, que não conseguem compensar os custos variáveis de matérias-primas e energia, levando a perdas operacionais sustentadas.

Espera-se que esse período de racionalização do mercado continue, já que produtores globais são forçados a reavaliar sua presença operacional, priorizar instalações novas e mais competitivas em custos, e descomissionar ativos obsoletos para alinhar a oferta com a demanda.

O fechamento planejado ocorre após o início do novo vapor da Exxon no início deste ano.

Localizada em Huizhou, uma cidade no sul da China, esta nova instalação possui uma capacidade anual de produção de etileno de aproximadamente 1,6 milhão de toneladas.

A Exxon tem reduzido gradualmente o volume de seus contratos temporários com clientes singapurenses nos últimos dois anos, segundo o relatório da Reuters.

Os investidores preveem que os compradores locais provavelmente migrarão para a compra de etileno dos dois produtores restantes em Cingapura.

A Exxon também opera um segundo cracker com capacidade de 1,1 milhão de toneladas por ano (tpy) na Ilha Jurong, que iniciou operações em 2013.

O setor petroquímico também está passando por consolidação na Coreia do Sul, outro importante polo asiático.

Planos pós-fechamento

A ExxonMobil está explorando a opção de adquirir matéria-prima para sustentar operações em algumas de suas unidades derivadas de poliolefina, após o fechamento do cracker.

Essa decisão, no entanto, dependerá das margens de lucro, segundo uma fonte citada no relatório da Reuters,

"A menos que consigam garantir preços muito baixos das olefinas, isso provavelmente não será economicamente viável a longo prazo", disse Catherine Tan, gerente sênior de análise química do ICIS.

Além disso, Tan prevê que o fechamento levará a uma redução nas importações de nafta da Exxon, já que o nafta é a principal matéria-prima para o cracker.

As importações de nafta da Exxon nos primeiros onze meses deste ano totalizaram cerca de 1,5 milhão de toneladas métricas (13,4 milhões de barris), significativamente menores do que as quase 2,5 milhões de toneladas importadas em todo o ano de 2024, segundo dados de rastreamento de navios da Kpler.

Apesar dessa redução nas importações, a Exxon iniciou operações em uma nova unidade de refino em sua refinaria de Cingapura com capacidade de 592.000 barris por dia (bpd) em setembro.

No entanto, a grande empresa dos EUA também anunciou mudanças em suas operações em Singapura, afirmando em outubro que planeja cortar de 10 a 15% de sua força de trabalho em Singapura até 2027.

Além disso, a Exxon concordou em vender seu negócio de varejo de petróleo na cidade-estado para Chandra Asri, da Indonésia, coproprietária da Aster Chemicals, que opera o complexo de refinaria e petroquímica de Bukom.