A economia brasileira inicia o quarto trimestre em pé fraco, com o índice de atividade caindo

A economia brasileira inicia o quarto trimestre em pé fraco, com o índice de atividade caindo
Noris Soto
15 de dez. de 2025, 12:32 PM
  • O índice de atividade do Brasil caiu 0,2% em outubro, marcando uma segunda contração mensal consecutiva.
  • A agricultura superou o desempenho, enquanto a indústria e os serviços apresentaram queda durante o mês.
  • A fraca atividade está alinhada com uma política monetária restritiva e perspectivas de crescimento do PIB moderadas.

A economia brasileira entrou no quarto trimestre com uma contração surpreendente em outubro, somando-se a sinais de que a atividade está esfriando sob uma política monetária restritiva.

Na segunda-feira, dados do Banco Central revelaram que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), um indicador de referência do produto interno bruto (PIB), caiu 0,2% em outubro em comparação com setembro, na série ajustada sazonalmente.

Foi a segunda queda mensal consecutiva do índice. O IBC-BR recuou 0,19% em setembro, que o Banco Central republicou de um valor anterior de -0,20%.

Combinadas, as duas contrações indicam uma desaceleração no impulso no início do quarto trimestre.

Segundo o veículo local InfoMoney, os economistas não previam esse resultado em outubro.

Uma pesquisa da Reuters previu um aumento mensal de 0,10%, destacando a disparidade entre as previsões e os números oficiais recentes.

A divisão setorial revela desempenho desigual

Uma análise mais detalhada dos números do Banco Central revela que o desempenho de outubro variou muito de acordo com o setor.

A agricultura foi o único setor que teve crescimento, com 3,1% a partir de setembro. Em contraste, a atividade industrial caiu 0,7% e os serviços caíram 0,2% no mesmo período.

Quando a agricultura é omitida, a fraqueza se torna mais evidente.

O índice IBC-Br, excluindo o setor agrícola, caiu 0,3% em outubro, destacando a fraqueza generalizada na indústria e nos serviços, que representam a maior parte da atividade econômica do Brasil.

Esses resultados reforçam a percepção de que a economia está enfrentando ventos contrários, mesmo enquanto outras partes demonstram resiliência.

Contraste com as estatísticas oficiais

O índice de atividade do Banco Central contrasta com os dados emitidos pelo escritório oficial de estatísticas do Brasil, IBGE, que apresentaram um cenário mais misto para o mês.

Segundo o IBGE, as vendas no varejo foram o melhor desempenho em outubro. As vendas aumentaram 0,5% em relação a setembro, superando as previsões e atingindo a maior marca dos últimos sete meses.

A produção industrial aumentou 0,1% no mês, embora o aumento tenha sido menor do que o esperado. Enquanto isso, o volume de serviços aumentou 0,3%, ligeiramente acima das estimativas.

Esses achados apontam para bolsões de força que não estão completamente representados no índice de atividade maior.

O crescimento ano a ano permanece positivo

Apesar das quedas mensais, o IBC-Br continua a crescer em comparação com o mesmo período do ano passado.

De acordo com dados não ajustados sazonalmente, o índice foi 0,4% maior em outubro do que no mesmo mês do ano passado. Ao longo de 12 meses, o ganho acumulado foi de 2,5%.

Esses indicadores de longo prazo mostram que, embora o momento de curto prazo tenha se deteriorado, a atividade total ainda está acima dos níveis do ano passado.

Contexto do PIB e política monetária

O PIB do Brasil aumentou apenas 0,1% no terceiro trimestre, o crescimento mais lento desde uma queda de 0,1% no quarto trimestre de 2024. Esse relatório mais discreto do PIB está alinhado com a recente flexibilização do IBC-Br.

Em uma reunião realizada na semana passada, o Banco Central optou por manter a taxa de juros de referência da Selic estável em 15% ao ano.

Os formuladores de políticas não indicaram quando uma fase de redução das taxas de juros poderia começar, e em vez disso repetiram que manter as taxas ali por um período prolongado é o caminho adequado para devolver a inflação à meta.

De acordo com as expectativas de mercado na pesquisa Focus do Banco Central divulgada na segunda-feira, o PIB aumentaria 2,25% em 2025 e desaceleraria para 1,80% em 2026.

Sobre o IBC-BR

O IBC-BR é composto por proxies que representam índices de volume para a produção agrícola, industrial e de serviços, bem como um índice de volume para impostos sobre produção.

Embora não seja uma estatística oficial do PIB, é comumente considerada um reflexo preciso do sucesso econômico do Brasil.