Regulador da Índia investiga Bank of America sobre negociação blocada de US$ 180 milhões em 2024: relatório

Regulador da Índia investiga Bank of America sobre negociação blocada de US$ 180 milhões em 2024: relatório
Ananthu C U
08 de jan. de 2026, 01:32 AM
  • A SEBI alega que o Bank of America vazou detalhes não públicos de uma operação bloqueada de 180 milhões de dólares.
  • A investigação gira em torno de uma venda de ações em 2024 da Aditya Birla Sun Life AMC, facilitada pelo Bank of America.
  • O caso levou à saída de banqueiros seniores e a um possível acordo multimilionário com o BofA.

O regulador de mercado da Índia acusou o Bank of America de compartilhar de forma indevida informações materiais não públicas relacionadas a uma grande operação de blocos em 2024 e de enganar investigadores durante uma investigação subsequente, informou o Wall Street Journal, citando pessoas familiarizadas com o assunto.

As alegações decorrem de uma investigação de um ano conduzida pelo Conselho de Valores Mobiliários da Índia (SEBI) sobre uma venda de ações de US$ 180 milhões envolvendo a Aditya Birla Sun Life Asset Management Co.

A SEBI emitiu um "aviso de justificação" para a empresa de Wall Street em novembro, detalhando as supostas violações e buscando a resposta do banco.

O Bank of America está preparando sua resposta e espera-se que busque um acordo financeiro, potencialmente de milhões de dólares, sem admitir ou negar irregularidades, segundo o relatório.

Alegações sobre compartilhamento de informações

De acordo com pessoas familiarizadas com a investigação, a SEBI alega que a equipe de negociação do Bank of America compartilhou internamente informações sensíveis a preços com funcionários que não estavam diretamente envolvidos na transação.

Essas informações incluíam detalhes sobre o momento e a precificação da operação em bloco, que os reguladores classificam como informações materiais não públicas.

O aviso do regulador também alega que funcionários do banco se comunicaram com certos investidores antes da transação.

O Wall Street Journal informou em 2024 que alguns funcionários do Bank of America haviam entrado em contato com clientes antes do anúncio público do acordo para discutir seus termos.

Os reguladores consideram esse tipo de conduta problemática porque pode permitir que investidores "antecipem" as operações, posicionando-se para lucrar com os movimentos de preço previstos assim que a transação se torna pública.

Registros da empresa revisados durante a investigação indicaram que banqueiros entraram em contato com investidores via WhatsApp, incluindo HDFC Life, Jane Street e Norges Bank.

Alguns desses investidores disseram aos reguladores que haviam conversado com funcionários do banco antes das ações serem vendidas ao mercado, segundo o relatório.

Alegações de reguladores enganosos

A SEBI também acusou o Bank of America de fornecer informações incompletas ou falsas quando os reguladores inicialmente perguntaram sobre o suposto vazamento de detalhes confidenciais.

O banco informou primeiro às autoridades que seus processos de negociação eram rotineiros e estavam em conformidade com as regras do mercado, disseram as fontes.

No entanto, após conduzir sua própria investigação interna, o Bank of America posteriormente corrigiu suas declarações à SEBI.

O banco entregou registros adicionais mostrando que indivíduos fora da equipe principal do negócio haviam se comunicado com investidores sobre a transação.

O aviso do regulador alega ainda que a empresa não manteve controles internos adequados para evitar o vazamento de informações confidenciais relacionadas a transações nos mercados de capitais.

Consequências e contexto mais amplo

Negociações em bloco envolvem a venda de grandes participações em empresas listadas, geralmente facilitadas por bancos que depositam as ações brevemente em seus livros antes de distribuí-las aos investidores.

Embora os bancos possam avaliar o interesse dos investidores antes dessas operações, as regras de divulgação são rigorosas porque grandes vendas podem mover os preços das ações.

Compartilhar informações não públicas antes de anúncios é ilegal na Índia, nos Estados Unidos e em muitas outras jurisdições.

A SEBI já buscou explicações detalhadas dos bancos envolvidos na transação da Aditya Birla Sun Life AMC.

A investigação já teve consequências para as operações do Bank of America na Índia.

Vários banqueiros seniores deixaram a empresa desde 2024, incluindo um ex-chefe de banco de investimento na Índia.

Desde então, o banco vem trabalhando para reconstruir sua equipe local de negócios e, no ano passado, recebeu aprovação regulatória para nomear Vikram Sahu como seu CEO para a Índia.