A concessionária francesa Engie garante financiamento para seu maior parque solar em Abu Dhabi

A concessionária francesa Engie garante financiamento para seu maior parque solar em Abu Dhabi
Sayantan Sarkar
19 de jan. de 2026, 09:54 AM
  • A Engie fechou o financiamento para o parque solar Khazna, de 1,5 GW, em Abu Dhabi, seu maior projeto globalmente.
  • Previsto para operação em 2028, o parque fornecerá 160.000 residências nos Emirados Árabes Unidos sob um acordo de compra de energia de 30 anos.
  • Isso acelera a estratégia da Engie para o Oriente Médio de alcançar sua meta de 95 GW de capacidade renovável até 2030.

A concessionária francesa Engie anunciou na segunda-feira que alcançou o fechamento financeiro de um parque solar de 1,5 gigawatt em Abu Dhabi, marcando seu maior projeto solar no mundo.

Essa medida faz parte da estratégia da empresa para acelerar projetos no mercado do Oriente Médio em rápida expansão, contrabalançando a desaceleração do crescimento das renováveis observada nos EUA e na Europa.

Sob um acordo de compra de energia de 30 anos com a Emirates Water and Electricity Company, o parque de Khazna está previsto para iniciar operações comerciais em 2028, informou a Engie em comunicado oficial.

Uma vez operacional, espera-se que forneça energia solar para 160.000 residências em todo o Emirado Árabe Unido.

O fechamento financeiro indica o ponto em que todos os acordos de financiamento necessários foram executados, permitindo que o projeto inicie os gastos.

A ampla presença do Engie no Golfo

A Engie, líder global em energia e serviços de baixo carbono, mantém uma presença operacional significativa na região do Golfo, focando em infraestruturas essenciais para as necessidades de energia e água da região.

O portfólio da empresa no Golfo inclui aproximadamente 25 gigawatts (GW) de usinas a gás, que são cruciais para atender à grande demanda de eletricidade da região.

Além da geração de energia, a Engie opera extensas redes de resfriamento, essenciais para o gerenciamento das altas temperaturas ambientes características do clima do Golfo, atendendo a diversos centros comerciais e residenciais.

Além disso, a empresa é um grande player na produção de água, gerenciando plantas de dessalinização com capacidade combinada para produzir 5 milhões de metros cúbicos de água potável por dia.

Essa produção substancial de água ressalta o papel fundamental da Engie na segurança hídrica da região, apoiando tanto o consumo municipal quanto as necessidades industriais em uma das áreas com maior escassez de água ao mundo.

As operações integradas da Engie, abrangendo energia, resfriamento e dessalinização, a posicionam como um parceiro fundamental no setor de energia e utilidades do Golfo.

Aproveitando a crescente demanda de eletricidade da região, o amplo terreno e o abundante sol, a empresa agora está otimista quanto a alcançar rapidamente sua meta de 95 GW de capacidade renovável instalada até 2030, um aumento significativo em relação à sua capacidade atual de aproximadamente 55 GW.

"Esta é uma região chave que pode desempenhar um papel importante para as ambições da Engie, dado o tamanho dos projetos, então contribuirá com uma parte importante do nosso crescimento de renováveis até 2035, pois há uma demanda enorme", citou Niko Cornelis, gerente nacional da Engie para o Conselho de Cooperação do Golfo, em um relatório da Reuters.

Patrimônio, financiamento e estratégia regional

Segundo Cornelis, a empresa está participando de várias licitações. Notavelmente, os projetos na Arábia Saudita são substanciais, variando de 0,5 a 2 GW.

Isso contrasta com as licitações solares europeias, que são consideravelmente menores.

A paralisação do setor de energia eólica offshore pelo presidente dos EUA, Donald Trump, congelou dois dos projetos iniciais da Engie nos EUA.

Cornelis disse:

A empresa estatal Masdar é obrigada a manter 60% de participação em todos os projetos em Abu Dhabi, uma regra que reflete requisitos de parceria semelhantes em outros países da região.

O capital do esquema Khazna é dividido, com Masdar detendo 60% e Engie os 40% restantes.

O projeto garantiu financiamento de sete bancos internacionais, incluindo o Credit Agricole Corporate and Investment Bank e o Abu Dhabi Islamic Bank.