A UE tem uma vantagem de 8 trilhões de dólares sobre os EUA enquanto Trump ameaça novas tarifas

A UE tem uma vantagem de 8 trilhões de dólares sobre os EUA enquanto Trump ameaça novas tarifas
Wajeeh Khan
19 de jan. de 2026, 18:00 PM
  • Atualmente, os países da UE detêm cerca de US$ 8 trilhões em ações e títulos dos EUA.
  • Eles poderiam usar esse poder financeiro como arma se Trump impor novas tarifas.
  • Veja o que isso pode significar para os mercados financeiros dos EUA em 2026.

As capitais europeias estão avaliando sua resposta à mais recente ameaça tarifária do presidente Donald Trump, desta vez vinculada à sua controversa campanha para adquirir a Groenlândia.

Embora a Casa Branca tenha sinalado taxas de cerca de 10% sobre oito aliados da OTAN a partir de 1º de fevereiro, analistas alertam que a verdadeira batalha pode não ser travada nos portos, mas nos mercados financeiros.

Segundo o Deutsche Bank, a UE detém coletivamente cerca de US$ 8 trilhões em ativos nos EUA, tornando-se o maior credor estrangeiro de Washington.

Essa imensa exposição dá ao bloco uma "alavanca poderosa" caso as tensões escalem para um confronto comercial completo, aumentando a possibilidade de fuga de capitais e reequilíbrio do dólar.

O poder financeiro da UE na disputa da Groenlândia

Em seu último relatório, o estrategista sênior do Deutsche Bank, George Saravelos, destacou que o papel da UE como maior credor dos Estados Unidos é frequentemente negligenciado nos debates comerciais.

Com participações em títulos e ações dos EUA quase o dobro das do resto do mundo juntas, o continente tem a capacidade de causar dor real se decidir desfazer posições.

"Apesar de toda sua força militar e econômica, os EUA têm uma fraqueza chave: dependem de outros para pagar suas contas por meio de grandes déficits externos", disse ele aos clientes.

Essa dependência torna Washington vulnerável a mudanças na alocação de capitais europeus. Uma guerra tarifária impulsionada pela Groenlândia pode acelerar as retiradas – ecoando movimentos já vistos pelos fundos de pensão dinamarqueses no ano passado.

Transformar os mercados de capitais como arma, não os fluxos comerciais

O que torna esse confronto especialmente perigoso é a possibilidade de que a Europa possa "mudar" o campo de batalha das tarifas para as finanças.

Especialistas alertam que o bloco tem capacidade para transformar os mercados de capitais em arma restringindo o acesso das empresas americanas à liquidez da UE ou rebalanceando ativos denominados em dólares.

Tais medidas atingiriam o cerne das necessidades de financiamento dos Estados Unidos – prejudicando os rendimentos dos títulos do Tesouro e minando a confiança dos investidores.

Saravelos argumentou que "é a instrumentalização do capital, e não dos fluxos comerciais, que seria, de longe, a mais disruptiva para os mercados."

Se a Europa escolher esse caminho, as consequências podem se estender muito além da Groenlândia, abalando tanto Wall Street quanto o capital global.

Mercados de capitais preparam-se para turbulência transatlântica

A preocupação mais ampla não são apenas tarifas sobre aço ou automóveis, mas os efeitos em cadeia nas finanças globais.

Com a posição líquida de investimento internacional dos EUA em níveis recorde negativos, a interdependência entre os mercados europeu e americano nunca foi tão grande.

Qualquer rebalanceamento significativo da exposição ao dólar pode desencadear volatilidade em moedas, ações e títulos ao redor do mundo.

Saravelos alertou que, embora o euro possa não sofrer tanto quanto se temia, os investidores devem se preparar para uma incerteza crescente.

Se a UE começar a usar seu poder financeiro como arma, as consequências podem repercutir muito além da Groenlândia.

Para Wall Street, o risco é claro: seria o capital, e não o comércio, que se tornaria a linha de frente nesse impasse geopolítico – caso exista.