A queda dos futuros da Ibovespa no Brasil enquanto ameaça tarifária de Trump e incerteza global pesam

A queda dos futuros da Ibovespa no Brasil enquanto ameaça tarifária de Trump e incerteza global pesam
Noris Soto
20 de jan. de 2026, 10:59 AM
  • Os futuros da Ibovespa caíram à medida que ameaças tarifárias dos EUA ligadas à Groenlândia aumentaram a cautela dos investidores.
  • Os mercados globais caíram, com Wall Street, Europa e Ásia pressionados pela incerteza comercial.
  • Os preços do petróleo e do minério de ferro caíram em meio a preocupações com oferta, demanda e geopolítica.

Os futuros da Ibovespa estavam no vermelho nas primeiras negociações da manhã de terça-feira, em meio a uma cautela aumentada por parte dos investidores locais após novas ondas de riscos geopolíticos e relacionados ao mercado se materializarem ao redor do mundo.

O contrato futuro da Ibovespa de fevereiro na bolsa de Brasília caiu 0,49%, para 165.665 pontos às 9h08.

A queda coincide com novas ameaças tarifárias dos Estados Unidos ligadas à tentativa do presidente Donald Trump de dominar globalmente a Groenlândia.

Trump ameaçou impor sanções comerciais a oito países europeus a partir de 1º de fevereiro se a Groenlândia não for autorizada a ser comprada pelos EUA.

O anúncio gerou temores de uma nova guerra comercial, especialmente entre os EUA e a Europa.

Temores de uma guerra comercial ressurgem enquanto os investidores permanecem atentos

Embora alguns participantes do mercado duvidem de até onde Trump irá para aplicar as tarifas propostas, os investidores estão em alerta máximo.

Trump tem mostrado poucos sinais de acalmar sua retórica, o que aumentou a preocupação nos mercados financeiros.

Nos Estados Unidos, a atenção está voltada para a Suprema Corte, que deve emitir novas opiniões ainda na terça-feira.

Vários processos importantes ainda estão pendentes, incluindo um sobre a validade das tarifas comerciais de Trump. O veredito pode impactar os fluxos comerciais globais e a confiança dos investidores.

A agenda política brasileira permanece em foco

No nível interno, a agenda política do Brasil também está recebendo atenção.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está vindo ao estado do Rio Grande do Sul, no sul, para participar da transferência de unidades habitacionais sob a iniciativa Minha Casa, Minha Vida em Rio Grande.

Mais tarde, espera-se que Lula participe de uma cerimônia de assinatura de contrato para a construção de caminhões-tanque, barcos e barcaças.

Esses eventos fazem parte de uma agenda nacional maior e estão sendo acompanhados por investidores quanto a possíveis consequências econômicas e setoriais.

Futuros de Wall Street aprofundam as perdas

A aversão global ao risco também se refletiu nos futuros de ações dos EUA. Em Wall Street, os futuros do Dow Jones caíram 1,31%, enquanto os futuros do Nasdaq caíram 1,94%. Os futuros do SandP 500 caíram 1,56%.

As quedas generalizadas destacaram o impacto do aumento das tensões comerciais e das incertezas geopolíticas na confiança dos investidores.

Nos mercados cambiais, o real brasileiro caiu marginalmente em relação ao dólar americano. O dólar à vista subiu 0,21% no lado da venda, vendendo a R$ 5,376. Os futuros do dólar subiram ligeiramente, subindo 0,01% para R$5,389.

Ásia-Pacífico e Europa continuam suas quedas

Os mercados na Ásia-Pacífico fecharam principalmente em queda, enquanto os investidores processavam as mais recentes ameaças tarifárias dos EUA relacionadas à Groenlândia. A ameaça de conflitos comerciais crescentes com a Europa diminuiu o clima em toda a região.

Os mercados japoneses também estiveram em foco após a primeira-ministra Sanae Takaichi revelar na segunda-feira seu plano de dissolver o parlamento e realizar eleições antecipadas em 8 de fevereiro.

Os investidores estão acompanhando de perto os acontecimentos no Japão, já que a instabilidade política adiciona uma camada extra de risco.

Os mercados europeus estenderam suas perdas da sessão anterior, com temores de novas penalidades comerciais nos EUA pesando sobre as ações e diminuindo a confiança do mercado.

Davos, commodities e perspectiva global

O Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, também está recebendo muita atenção.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng e o presidente francês Emmanuel Macron estão prontos para fazer discursos.

Trump está programado para participar do fórum na quarta-feira, aumentando a possibilidade de manchetes que mudem o mercado.

Nas commodities, os preços do petróleo estavam caindo enquanto os investidores avaliavam as consequências da medida dos Estados Unidos para assumir o controle da Groenlândia, bem como preocupações sobre um superávit mundial de oferta.

Os preços do minério de ferro na China caíram pela quarta sessão consecutiva após um acidente em uma siderúrgica chinesa gerar preocupações sobre a demanda por commodities, impactando ativos vinculados a recursos.