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A UE coloca o acordo comercial dos EUA em suspenso em resposta às ameaças de Trump contra a Groenlândia

A UE coloca o acordo comercial dos EUA em suspenso em resposta às ameaças de Trump contra a Groenlândia
Utkarsh Roshan
21 de jan. de 2026, 12:47 PM
  • O Parlamento Europeu congelou o acordo comercial dos EUA devido ao medo de coerção da Groenlândia.
  • As ameaças tarifárias de Trump desencadearam reações e reavivaram os riscos da guerra comercial.
  • UE pesando contratarifas e uso de poderes anti-coerção.

Um acordo comercial negociado há muito tempo entre os Estados Unidos e a União Europeia foi suspenso por tempo indeterminado após o Parlamento Europeu decidir congelar o processo de ratificação em resposta às crescentes ameaças do presidente Donald Trump de tomar a Groenlândia.

O comitê de comércio do Parlamento Europeu decidiu na quarta-feira adiar a votação de ratificação por tempo indeterminado, uma medida que coloca o futuro do acordo em dúvida e ressalta a gravidade da crise política que agora envolve as relações transatlânticas.

A decisão segue o ultimato de Trump no fim de semana de que ele imporia tarifas amplas a vários países europeus, a menos que os Estados Unidos possam adquirir a Groenlândia, um território semi-autônomo da Dinamarca e membro da União Europeia, por meio do Estado dinamarquês.

Disputa na Groenlândia descarrila o processo comercial

O acordo comercial, firmado com Washington em julho passado, foi preso no que autoridades da UE descrevem como uma escalada sem precedentes sobre a Groenlândia.

Trump prometeu impor tarifas a vários países europeus, argumentando que pressão econômica é necessária para forçar negociações sobre a transferência da ilha para o controle dos EUA.

"Ao ameaçar a integridade territorial e a soberania de um Estado-membro da UE e ao usar tarifas como instrumento coercitivo, os EUA estão minando a estabilidade e a previsibilidade das relações comerciais UE-EUA", disse Bernd Lange, presidente do comitê de comércio do Parlamento Europeu, em comunicado.

"Não nos restou alternativa a não ser suspender o trabalho no acordo comercial", acrescentou Lange.

A iniciativa do comitê efetivamente interrompe o processo legislativo necessário para finalizar o pacto, mesmo que partes do acordo já tenham sido implementadas provisoriamente.

Detalhes do acordo estagnado

O acordo comercial, fechado no verão passado, foi projetado para evitar uma guerra comercial mais ampla entre a UE e os EUA.

Estabeleceu uma tarifa de 15% sobre a maioria dos bens da UE que entram nos EUA em troca do compromisso de eliminar todas as tarifas sobre bens industriais americanos e produtos agrícolas selecionados enviados para a Europa.

Na época, as concessões da UE eram amplamente vistas como um esforço pragmático para estabilizar os laços econômicos com Washington, especialmente enquanto o bloco buscava preservar as garantias de segurança dos EUA enquanto a Rússia continuava sua guerra na Ucrânia.

No entanto, o acordo ainda requer aprovação formal do Parlamento Europeu para se tornar permanente.

Esse passo final está agora suspenso, e vários legisladores questionaram abertamente se a ratificação deveria prosseguir nas circunstâncias atuais.

Crescente reação europeia

O ultimato de Trump sobre a Groenlândia intensificou as críticas antigas na Europa de que o acordo comercial favoreceu desproporcionalmente os Estados Unidos.

Até alguns parlamentares que anteriormente apoiaram o pacto disseram que o Parlamento não pode aprová-lo enquanto Washington usa tarifas para pressionar um Estado-membro da UE sobre soberania territorial.

Trump afirmou que uma tarifa de 10% sobre importações de oito países europeus entrará em vigor em 1º de fevereiro, com a taxa subindo para 25% até junho, a menos que as negociações levem ao que ele descreveu como a "compra da Groenlândia".

A decisão do Parlamento Europeu foi amplamente antecipada. Parlamentares seniores dos maiores grupos políticos propuseram adiar a votação no sábado, logo após o anúncio da tarifa de Trump, sinalizando que a paciência em Bruxelas havia se esgotado.

Os líderes europeus estão agora preparando uma resposta mais ampla. Chefes de governo estão programados para se reunir em Bruxelas na quinta-feira para discutir os próximos passos, incluindo possíveis contramedidas caso os EUA cumpram suas ameaças tarifárias.

As opções em consideração incluem tarifas retaliatórias sobre até €93 bilhões (US$ 109 bilhões) em bens dos EUA, bem como o possível uso do chamado instrumento anti-coerção da UE.

Esse mecanismo permitiria ao bloco restringir o acesso das empresas americanas ao mercado da UE, restringir investimentos estrangeiros e impor taxas ou barreiras comerciais adicionais.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, adotou um tom firme ao declarar aos parlamentares da UE mais cedo na quarta-feira.

"A Europa prefere diálogo e soluções — mas estamos totalmente preparados para agir, se necessário, com unidade, urgência e determinação", disse von der Leyen.