Investidores se preparam para choque de mercado após ação militar dos EUA

Investidores se preparam para choque de mercado após ação militar dos EUA
Utkarsh Roshan
28 de fev. de 2026, 15:42 PM
  • EUA confirmam “operações de combate em grande escala” no Irã.
  • Petróleo visto como barômetro chave do risco de escalada.
  • Ouro, Treasuries e moedas-refúgio em foco.

Participantes do mercado se preparam para maior volatilidade depois que os Estados Unidos confirmaram que lançaram “operações de combate em grande escala” no Irã.

Trata-se de um desenvolvimento que pode ter consequências significativamente maiores do que recentes confrontos geopolíticos e pode rapidamente remodelar as opiniões sobre onde investir no curto prazo.

O presidente Donald Trump disse que as forças militares dos EUA haviam iniciado “operações de combate em grande escala” no Irã.

Segundo a Reuters, um funcionário iraniano não identificado afirmou que vários ministérios no sul de Teerã foram alvos.

Choques geopolíticos recentes — incluindo um aumento tarifário dos EUA para 15% sobre todas as importações e a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro — foram absorvidos com relativa calma pelos mercados.

No entanto, a ação militar direta dos EUA no Irã aumenta o risco de uma perturbação regional mais ampla e pode forçar uma rápida reavaliação de onde investir caso as tensões escalate.

Petróleo em foco enquanto cresce o risco no Estreito de Hormuz

Os mercados de petróleo são vistos como o principal termômetro das tensões no Oriente Médio e um sinal crítico para investidores que ponderam onde investir em meio à crescente incerteza geopolítica.

O Irã fica defronte à rica em petróleo Península Arábica, do outro lado do Estreito de Hormuz, um dos gargalos energéticos mais críticos do mundo.

Cerca de 13 milhões de barris por dia de petróleo bruto passaram pelo estreito em 2025, representando aproximadamente 31% dos fluxos marítimos globais de petróleo bruto, segundo dados da Kpler.

De forma mais ampla, estima-se que cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo transite pela passagem.

O Brent era negociado em torno de US$73 por barril na sexta-feira, alta de cerca de 20% neste ano.

Analistas alertam que qualquer interrupção nas remessas através de Hormuz poderia pressionar os preços significativamente para cima.

Durante o conflito de 12 dias em junho de 2025, o Brent subiu em direção a US$80 por barril antes de recuar, quando ficou claro que os fluxos pelo estreito não foram interrompidos.

William Jackson, economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, disse em nota que, mesmo se o conflito for contido, o Brent pode novamente subir para cerca de US$80.

Um conflito prolongado que afete o fornecimento poderia empurrar o preço do petróleo para cerca de US$100 por barril, potencialmente adicionando 0,6 a 0,7 pontos percentuais à inflação global, disse ele.

Relatos indicam que algumas petroleiras e grandes trading houses já suspenderam remessas de petróleo bruto e combustíveis via Estreito de Hormuz devido aos ataques, um movimento que pode complicar ainda mais decisões sobre onde investir em ativos ligados à energia.

Indicadores de volatilidade emitem alerta

O risco do conflito tende a adicionar turbulência a um ano já marcado por incerteza tarifária e uma forte liquidação no setor de tecnologia, obscurecendo ainda mais o julgamento dos investidores sobre onde investir em ativos sensíveis ao risco.

O índice de volatilidade VIX subiu cerca de um terço neste ano, enquanto a volatilidade implícita dos títulos dos EUA, medida pelo índice MOVE, aumentou 15%.

Espera-se também reação nos mercados de câmbio. Analistas do Commonwealth Bank of Australia notaram que o índice do dólar dos EUA caiu cerca de 1% durante o conflito de junho, embora o movimento tenha se revertido em poucos dias.

“Nas circunstâncias atuais, a magnitude da queda dependerá de quão grande e por quanto tempo se espera que o conflito dure”, disseram anteriormente analistas do CBA.

Acrescentaram que, se os fornecimentos de petróleo forem interrompidos por um período prolongado, o dólar dos EUA poderá se fortalecer contra a maioria das moedas, exceto contra refúgios tradicionais como o iene japonês e o franco suíço, já que os EUA são um exportador líquido de energia.

Espera-se também que o shekel israelense sofra movimentos acentuados. Em surtos anteriores, chegou a cair até 5% antes de se recuperar.

Ativos-refúgio ganham força

Ativos considerados refúgio já começaram a atrair fluxos, moldando o debate entre investidores sobre onde investir durante períodos de tensão geopolítica.

Os preços do ouro e da prata estão subindo à medida que investidores reagem às crescentes tensões geopolíticas entre Israel e Irã.

Analistas afirmam que temores de um conflito mais amplo, combinados com incertezas econômicas globais e dados de inflação dos EUA, estão empurrando capital para metais preciosos.

O ouro está cotado perto de US$5.300 e acumula alta de 22% até agora em 2026, enquanto a prata também registrou forte valorização.

Alguns participantes do mercado observam se o ouro poderia testar US$6.000 e a prata US$200 caso as tensões se agravem ainda mais.

Os Treasuries dos EUA também registraram demanda, com os rendimentos caindo nas últimas semanas.

Em contraste, o Bitcoin não atuou como refúgio. A criptomoeda caiu 2% no sábado e perdeu mais de um quarto do seu valor nos últimos dois meses.

Implicações econômicas mais amplas

Além das oscilações imediatas nos preços dos ativos, investidores estão focados nas consequências inflacionárias de custos de energia mais altos.

A Venezuela, mencionada nos recentes desdobramentos geopolíticos, atualmente produz cerca de 800.000 barris por dia de petróleo bruto, muito abaixo do pico da década de 1990 de 3,5 milhões de barris por dia.

Qualquer interrupção adicional nos mercados globais de energia poderia apertar ainda mais o suprimento.

Participantes do mercado dizem que a variável-chave é se o conflito permanecerá contido ou se escalará para uma interrupção prolongada dos fluxos de petróleo e da estabilidade regional.

Por enquanto, o petróleo continua sendo o principal barômetro. Se as rotas de abastecimento permanecerem abertas, os mercados podem se estabilizar após o choque inicial.

Se o Estreito de Hormuz for comprometido, investidores alertam que ações, moedas e mercados de renda fixa poderão enfrentar volatilidade sustentada nas próximas semanas, levando investidores globais a reavaliar onde investir em um ambiente macro cada vez mais frágil.