Economia do Brasil avança 0,1% no 4º trimestre

Economia do Brasil avança 0,1% no 4º trimestre
Noris Soto
03 de mar. de 2026, 12:25 PM

De acordo com dados divulgados na terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia do Brasil registrou crescimento mínimo no quarto trimestre, mas encerrou 2025 com uma expansão anual sólida, já que as indústrias extrativas e a agricultura compensaram uma queda no consumo interno.

O IBGE reportou que o PIB cresceu 1,8% em relação ao mesmo período do ano anterior e 0,1% em relação ao trimestre anterior.

Segundo o órgão de estatísticas, o PIB cresceu 2,3% no ano, atingindo 12,7 trilhões de reais (US$12,7 trilhões a preços correntes).

O resultado trimestral ficou em linha com as expectativas de mercado. Uma pesquisa da Reuters havia previsto crescimento anual de 1,8% e crescimento trimestral de 0,1%.

Desaceleração na segunda metade do ano

Os dados do quarto trimestre confirmam perda de impulso na segunda metade do ano.

A economia estagnou no terceiro trimestre, após crescer 1,5% no primeiro trimestre e 0,3% no segundo.

O IBGE revisou sua estimativa de crescimento do terceiro trimestre de 0,1% para refletir desempenho nulo.

Apesar da desaceleração, a economia registrou crescimento anual moderado e evitou contração.

O PIB per capita aumentou 1,9% em relação a 2024, chegando a 59.687,49 reais em 2025.

Segundo Rebeca Palis, coordenadora de contas nacionais do IBGE, agricultura, indústrias extrativas, informação e comunicação e outras atividades de serviços responderam por 72% do crescimento total do valor adicionado em 2025.

Palis afirmou que a política monetária contracionista do Brasil, que pesou mais sobre os setores sensíveis a juros, teve menor impacto sobre essas indústrias.

Crescimento puxado pela agricultura

Com crescimento anual de 11,7%, a agricultura foi o setor de melhor desempenho em 2025.

Maior produção e avanços de produtividade em culturas importantes, especialmente milho (alta de 23,6%) e soja (alta de 14,6%), foram as principais razões do aumento, segundo o IBGE.

Em 2025, ambos atingiram máximos históricos. O desempenho do setor também foi impulsionado pela pecuária.

A extração de petróleo e gás foi o principal motor do crescimento total de 1,4% da indústria.

Em 2025, o valor adicionado das Indústrias Extrativas subiu 8,6% devido ao aumento da produção no setor de energia.

Além disso, a construção registrou um ligeiro aumento de 0,5% ao longo do ano.

Mas nem todos os setores industriais se saíram bem. As atividades relacionadas à eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos encolheram 0,4%, e as Indústrias de Transformação caíram 0,2%, encerrando o ano em território negativo.

Serviços continuam robustos

A economia brasileira é amplamente impulsionada pelo setor de serviços, que cresceu 1,8% em 2025 em todas as grandes atividades.

Os serviços financeiros e de seguros aumentaram 2,9%, enquanto informação e comunicação cresceram 6,5%.

As atividades imobiliárias e outros serviços cresceram 2,0% cada, e os serviços de transporte, armazenagem e postais expandiram 2,1%.

Administração pública, defesa, saúde e educação registraram crescimento de 0,5%.

Segundo o IBGE, melhorias no mercado de trabalho, maior disponibilidade de crédito e programas de transferência de renda do governo contribuíram para um aumento de 1,3% no consumo das famílias em comparação com 2024.
No entanto, isso representou uma desaceleração significativa em relação ao crescimento de 5,1% registrado em 2024, refletindo os efeitos negativos da política monetária mais restritiva.

O consumo governamental aumentou 2,1% em 2025.