AIE libera reservas de petróleo recorde com escalada da crise no Hormuz

AIE libera reservas de petróleo recorde com escalada da crise no Hormuz
Harsh Vardhan
11 de mar. de 2026, 11:43 AM
  • AIE libera 400 milhões de barris para conter o petróleo próximo a $91.
  • UE estuda subsídios ao gás enquanto Shell suspende carregamentos de GNL para a Ásia.
  • Trump adverte o Irã enquanto 14 navios são atingidos no conflito no Golfo.

A Agência Internacional de Energia (AIE) acionou na quarta-feira sua maior liberação estratégica de petróleo de todos os tempos, inundando o mercado com 400 milhões de barris de cru para conter uma escassez de oferta que afeta os mercados energéticos globais.

O movimento extraordinário ocorreu enquanto o petróleo Brent pairava próximo a $91 o barril, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio e às interrupções de petroleiros no Estreito de Hormuz.

O Japão foi o primeiro a agir. A primeira-ministra Sanae Takaichi anunciou que Tóquio acionará reservas nacionais já na próxima semana, posicionando-se como líder na estabilização dos fluxos para a Ásia.

"Não podemos permitir que esta crise se agrave", disse ela, sinalizando coordenação com parceiros da AIE para compensar o bloqueio efetivo do Hormuz, que reduziu o tráfego marítimo em cerca de 80%.

A liberação coletiva supera amplamente esforços anteriores, incluindo a resposta de 2022 à invasão da Ucrânia pela Rússia, e tem o objetivo de conter a valorização do petróleo antes que ela provoque uma inflação mais ampla.

A Europa também corre contra o tempo

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a UE está avaliando subsídios ao preço do gás ou cortes diretos para famílias e indústrias, prometendo "alívio imediato" enquanto os futuros de gás TTF, referência, dobraram em poucos dias. "A segurança energética exige ação imediata", afirmou ela a repórteres em Bruxelas.

A proposta enfrenta obstáculos de defensores do equilíbrio fiscal na Alemanha e nos Países Baixos, mas ressalta a vulnerabilidade do bloco após anos de redução da dependência do gás russo por gasoduto.

As consequências corporativas estão aumentando. A Shell declarou força maior em certos carregamentos de GNL para a Ásia, citando impossibilidade de entrega em meio a redirecionamento de navios e congestionamento portuário.

O movimento evidencia como até as grandes empresas estão racionando em meio ao caos, com mais três navios atingidos no Golfo na quarta-feira — elevando para 14 o total de embarcações atacadas desde o início das hostilidades.

O pano de fundo militar se torna mais sombrio. Israel ampliou ataques contra o Irã e o Líbano, incluindo uma operação ao amanhecer em um prédio em Beirute que a mídia local vinculou a alvos do Hezbollah.

O Pentágono informou que forças dos EUA destruíram "vários" navios iranianos próximos ao Hormuz, incluindo 16 colocadores de minas, depois que o presidente Donald Trump advertiu Teerã contra o plantio de explosivos na via navegável vital.

"Qualquer mina naquele estreito terá resposta de força esmagadora", disse Trump da Casa Branca.

A Ásia sente a pressão de forma aguda

O Vietnã acionou um fundo de emergência para subsidiar combustíveis, juntando-se à Indonésia e à Tailândia na proteção dos consumidores contra preços nos postos que subiram 25% em semanas.

As importações do Sudeste Asiático, fortemente dependentes do crude do Oriente Médio, agora enfrentam desvios de semanas ao redor da África, agravando o problema.

Analistas veem a liberação da AIE como um freio temporário. "Isso compra tempo, mas não resolve o Hormuz", disse Daan Struyven, do Goldman Sachs.

O petróleo ainda pode testar $100 se ataques atingirem terminais de exportação da Arábia Saudita ou dos Emirados Árabes Unidos. Por ora, governos de Tóquio a Hanói estão gastando capital político — e reservas — para evitar que a economia global trave.