Irã chama de 'notícias falsas' alegação de Trump sobre conversas; mísseis atingem Israel

Irã chama de 'notícias falsas' alegação de Trump sobre conversas; mísseis atingem Israel
Devesh Kumar
24 de mar. de 2026, 03:38 AM
  • Irã lança mísseis contra Israel e rejeita alegações de Trump sobre negociações.
  • Trump sinaliza negociações; mercados sobem na esperança de desescalada.
  • Mercados divididos entre escalada do conflito e sinais incertos de diplomacia.

O conflito no Oriente Médio escalou na terça-feira depois que o Irã lançou novos ataques com mísseis contra Israel e acusou o presidente dos EUA, Donald Trump, de divulgar “notícias falsas.”

A escalada ocorreu apenas um dia depois de Trump ter dito que Washington e Teerã mantiveram conversas “muito boas e produtivas” com o objetivo de uma “resolução completa e total” das hostilidades.

Essas declarações elevaram brevemente o sentimento do mercado e aumentaram as expectativas de que alguma forma de diplomacia por canais discretos poderia estar em curso.

Mas o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, rejeitou rapidamente a alegação, chamando-a de uma tentativa de manipular os mercados financeiros e de petróleo enquanto ajudaria os EUA e Israel a escapar do que ele descreveu como um “atoleiro.”

A afirmação de Trump que movimentou os mercados

O episódio já está alimentando a volatilidade nos mercados globais.

Os preços do petróleo se recuperaram fortemente após os comentários de Trump na segunda-feira, à medida que os operadores precificaram a possibilidade de desescalada.

Os mercados acionários também reagiram, com Wall Street registrando fortes ganhos e as ações asiáticas abrindo em alta na terça-feira.

Trump disse que havia ordenado uma pausa de cinco dias em ataques planejados a usinas de energia iranianas e infraestrutura energética, movimento interpretado como um sinal tático de que Washington estaria disposto a testar a diplomacia antes de escalar ainda mais.

Ele acrescentou que o enviado especial Steve Witkoff e seu genro Jared Kushner estiveram em discussões com um alto funcionário iraniano até a noite de domingo.

A mudança de tom também repercutiu nos mercados de títulos, com o rendimento do título do Tesouro dos EUA de 10 anos recuando à medida que o apetite por risco melhorou e a demanda por ativos de refúgio se moderou.

Negativa de Teerã; mísseis lançados

A resposta do Irã, porém, foi direta e contundente.

Qalibaf afirmou que nenhuma negociação havia ocorrido e acusou Washington de promover “notícias falsas” para influenciar os mercados e moldar a percepção do conflito.

A negação não foi apenas retórica.

O Irã lançou múltiplas ondas de mísseis em direção a Israel na terça-feira, acionando sirenes de ataque aéreo em grandes centros urbanos, incluindo Tel Aviv.

Os ataques causaram danos em áreas do norte de Israel, sublinhando a intensidade contínua do conflito.

A escalada serve como um sinal claro de que, apesar da retórica diplomática de Washington, Teerã não estava recuando militarmente.

Trump fará um acordo com o Irã?

Os acontecimentos de terça-feira provavelmente piorarão o sentimento dos investidores, reforçando a sensação de que o risco geopolítico permanece elevado e imprevisível.

Ao mesmo tempo, o episódio destaca que a ideia de um possível acordo não foi descartada.

Trump reiterou que os Estados Unidos estão “muito determinados a fechar um acordo com o Irã”, sugerindo ao menos uma disposição para buscar negociações paralelamente à pressão militar.

Se isso reflete uma abertura diplomática genuína, uma pausa estratégica ou uma tentativa de orientar as expectativas do mercado continua incerto.

Por enquanto, os mercados estão presos entre duas forças concorrentes: sinais de diplomacia e evidências de escalada, com preços do petróleo, ações e ativos de refúgio reagindo a cada nova manchete.

Enquanto a retórica e as ações não começarem a convergir, a característica definidora desta fase do conflito continuará sendo a ampliação da lacuna entre o que é dito e o que está ocorrendo no terreno.