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Petróleo cai 5% após avanço de paz entre EUA e Irã; analistas mantêm cautela

Petróleo cai 5% após avanço de paz entre EUA e Irã; analistas mantêm cautela
Sayantan Sarkar
25 de mar. de 2026, 02:10 AM
  • Brent caiu 5% para US$99.21; WTI recuou 4,1% após notícias sobre paz.
  • Plano de 15 pontos dos EUA busca desmantelamento do programa nuclear do Irã e cessar‑fogo.
  • Conflito interrompeu cerca de 20% do petróleo global via Estreito de Ormuz; riscos permanecem.

Os preços do petróleo despencaram quase 5% na quarta-feira após relatos de que os Estados Unidos enviaram um plano de 15 pontos ao Irã com o objetivo de encerrar o conflito, aumentando a possibilidade de um cessar‑fogo que poderia aliviar as interrupções no abastecimento provenientes da crucial região produtora do Oriente Médio.

Na terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou que negociações com o Irã estão em andamento para concluir o conflito no Oriente Médio.

“Eles estão conversando conosco e estão fazendo sentido”, disse Trump ao ser questionado sobre a possível conclusão do conflito.

Os futuros do Brent caíram para US$99.21 por barril, 5%, após atingir previamente uma mínima de US$97.15. Da mesma forma, os futuros do West Texas Intermediate (WTI) dos EUA recuaram 4.1%, para US$88.54 por barril, tendo anteriormente alcançado uma mínima de US$86.72.

Os referenciais inicialmente subiram quase 5% na terça-feira, mas depois viram esses ganhos parcialmente revertidos durante negociações voláteis após o período de liquidação.

Negociações de paz 

Os Estados Unidos, segundo o presidente Donald Trump, estão avançando nas negociações de paz para encerrar o conflito com o Irã.

Segundo relatos, Washington apresentou a Teerã uma proposta de 15 pontos para um acordo.

Esse plano proposto, sobre o qual os EUA estariam buscando um cessar‑fogo de um mês para discutir, inclui o desmantelamento do programa nuclear iraniano, o fim do apoio a grupos proxy e a reabertura do Estreito de Ormuz.

Espera-se que os mercados permaneçam voláteis, já que alguns analistas demonstram ceticismo sobre o andamento dessas conversas.

“No entanto, uma solução sobre como tornar o Estreito de Ormuz seguro para a navegação novamente continua evasiva”, disse Carsten Fritsch, analista de commodities do Commerzbank AG. 

“Uma nova escalada permanece uma possibilidade”, acrescentou. 

Segundo Priyanka Sachdeva, analista sênior de mercado da Phillip Nova, os desdobramentos em curso no Oriente Médio continuarão a ser o principal fator que impulsiona os preços do petróleo, fazendo-os oscilar amplamente no futuro imediato.

Interrupções de oferta e resposta global

O conflito em curso afetou severamente o transporte de petróleo e de gás natural liquefeito (GNL) pelo Estreito, que é um canal crucial que normalmente transporta cerca de 20% do fornecimento global de gás e petróleo bruto. 

Como resultado, a Agência Internacional de Energia caracterizou essa situação como a maior interrupção no fornecimento de petróleo já registrada.

Entretanto, o primeiro‑ministro do Paquistão ofereceu na terça-feira sediar negociações entre os EUA e o Irã.

Apesar dessa iniciativa diplomática, o conflito persistiu, com ataques contínuos por forças dos EUA, de Israel e do Irã.

Além disso, Washington estava se preparando para deslocar tropas adicionais para a região.

Para mitigar as interrupções no Estreito de Ormuz, a Arábia Saudita aumentou significativamente as exportações de petróleo do porto de Yanbu, no Mar Vermelho, na semana passada, atingindo quase 4 milhões de barris por dia — um aumento notável desde o início da guerra, de acordo com dados de navegação.

Enquanto isso, o Irã informou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e à Organização Marítima Internacional que "embarcações não hostis" poderiam atravessar o Estreito de Ormuz, desde que coordenem com as autoridades iranianas. 

No front de abastecimento, dados do American Petroleum Institute informaram na terça-feira que os estoques domésticos de petróleo bruto, gasolina e destilados aumentaram na última semana.

Na semana encerrada em 20 de março, os estoques de petróleo bruto aumentaram em 2.35 milhões de barris, enquanto os inventários de gasolina e destilados também subiram 528.000 barris e 1.39 milhão de barris.