Brasil vai aplicar controles orçamentários rígidos e limites fiscais em 2027

Brasil vai aplicar controles orçamentários rígidos e limites fiscais em 2027
Rivanshi Rakhrai
09 de abr. de 2026, 14:27 PM
  • Brasil manterá cortes orçamentários apesar da próxima eleição presidencial.
  • Governo planeja ativar gatilhos fiscais e conter o crescimento dos gastos.
  • Meta de superávit para 2027 definida em 0.5% do PIB, diz oficial.

O Brasil manterá seus tetos de gastos mesmo após as eleições gerais de 2026 e só aliviará suas restrições fiscais em 2027, disse na segunda-feira o novo ministro do Planejamento do governo.

Em uma entrevista à Reuters após sua nomeação na quarta-feira, Mello indicou que o governo também está se preparando para implementar controles fiscais mais rígidos a partir de 2027 no âmbito do atual arcabouço.

Mello, que anteriormente chefiou a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, afirmou que seu novo papel reflete uma coordenação mais estreita entre os ministérios do Planejamento e da Fazenda.

Esse alinhamento visa fortalecer mecanismos para gerir os gastos federais de forma mais eficaz.

Governo busca acalmar temores de afrouxamento fiscal

As declarações ocorrem em meio a preocupações de que o Brasil possa adotar uma postura fiscal mais frouxa antes da eleição presidencial, especialmente com o presidente Luiz Inacio Lula da Silva buscando um quarto mandato.

No entanto, Mello refutou tais especulações, enfatizando a continuidade na gestão fiscal.

“Todo ano do governo do presidente Lula houve medidas para melhorar receitas, gastos, gestão e o desenho de benefícios e programas sociais.

“Este ano não será diferente apenas por ser ano eleitoral”, disse Mello.

Ele acrescentou que a abordagem do governo se baseia em ajustes incrementais em vez de reformas abrangentes.

“Fazemos isso não por meio de grandes pacotes ou planos grandiosos, mas por medidas de ajuste contínuas, tanto no lado dos gastos quanto das receitas, que se mostraram eficazes”, disse ele.

Gatilhos fiscais devem entrar em vigor após déficit

Mello confirmou que mecanismos fiscais destinados a limitar gastos serão ativados após um déficit primário de 0.4% do produto interno bruto registrado em 2025.

O governo deve enviar seu projeto de lei de diretrizes orçamentárias para 2027 ao Congresso na próxima semana.

Um pacote fiscal introduzido em 2024 estabeleceu gatilhos automáticos para impor disciplina caso os déficits persistam a partir de 2025.

Uma dessas medidas proíbe o governo de conceder ou ampliar incentivos fiscais, enquanto outra limita os gastos com pessoal em todos os ramos do governo entre 2027 e 2030.

Nos termos do arcabouço, as despesas com folha de pagamento serão limitadas a uma taxa mínima de crescimento real de 0.6% ao ano.

Dados do Tesouro mostram que os custos da folha federal cresceram 4.3% acima da inflação no ano passado, alcançando 408 billion reais ($80.3 billion).

“O Brasil sempre teve gatilhos que nunca foram ativados. Agora serão ativados”, disse Mello.

Flexibilidade limitada no arcabouço fiscal

As regras fiscais atuais permitem exceções apenas em casos de calamidade pública.

No entanto, o governo obteve aprovação do Congresso este ano para uma exceção que reativou incentivos fiscais expirados para centros de dados, destacando uma flexibilidade limitada, porém focalizada, dentro do sistema.

Meta de superávit definida para 2027

Olhando adiante, Mello disse que o governo formalizará uma meta de superávit primário de 0.5% do PIB para 2027, com uma banda de tolerância de 0.25 pontos percentuais.

Ele descreveu a meta como ambiciosa, mas alcançável, reforçando a intenção da administração de conciliar sustentabilidade fiscal com prioridades de gasto social.

As medidas planejadas ressaltam o esforço do Brasil em manter credibilidade em sua política fiscal, mesmo com o aumento das pressões políticas no período que antecede as eleições nacionais.