Por que as ações da Tesla caem 1% apesar de relatos sobre novo veículo elétrico

Por que as ações da Tesla caem 1% apesar de relatos sobre novo veículo elétrico
Utkarsh Roshan
09 de abr. de 2026, 11:51 AM
  • Tesla recua após tentativa de recuperação, apesar de relatório sobre desenvolvimento de novo veículo elétrico.
  • Investidores permanecem cautelosos em meio a vendas fracas e longa queda das ações.
  • BYD continua sua expansão global, intensificando a pressão sobre a Tesla.

As ações da Tesla tentaram nova recuperação na quinta-feira, mas não conseguiram sustentar o impulso, caindo cerca de 1% após abrir em alta.

Os ganhos iniciais vieram após relatos de que a empresa está considerando um novo veículo elétrico.

No entanto, a reação esmaeceu rapidamente, refletindo a contínua cautela dos investidores.

Planos de novo veículo elétrico não empolgam investidores

A Reuters informou que a Tesla está explorando um veículo elétrico totalmente novo, citando pessoas familiarizadas com o assunto.

O relatório acrescentou que a empresa estaria considerando um SUV menor que não seria uma variante do Model Y.

A perspectiva de um novo modelo poderia ajudar a reavivar as vendas, que permaneceram sob pressão. Contudo, os investidores parecem não estar convencidos.

Planos para um veículo elétrico de preço mais baixo vêm sendo discutidos desde pelo menos o início de 2023, limitando o impacto do relatório mais recente.

A Tesla não lançou um veículo de passageiros completamente novo desde o Model Y, em 2020.

Em vez disso, a empresa tem focado em projetos como o Cybercab (robô-táxi) e versões mais baratas de modelos existentes.

Essas iniciativas não melhoraram significativamente as vendas.

A Tesla vendeu cerca de 1,81 milhão de veículos em 2023, seguida por 1,79 milhão em 2024 e 1,64 milhão em 2025.

Espera-se que as vendas subam modestamente para cerca de 1,72 milhão este ano, segundo a FactSet.

Negócio principal ainda é crucial

Apesar do crescente foco em inteligência artificial, o negócio automotivo da Tesla continua central para seu desempenho financeiro.

A empresa está investindo pesadamente em IA, incluindo tecnologia de condução autônoma e robótica.

Também está destinando bilhões de dólares para converter a capacidade de produção do Model S e do Model X em uma linha de montagem de robôs em sua fábrica de Fremont.

Mesmo assim, os carros continuam gerando a maior parte dos lucros e do fluxo de caixa da Tesla, destacando a importância de um investimento renovado em sua linha principal de veículos elétricos.

Ações permanecem sob pressão

As ações da Tesla estão a caminho de sua oitava queda semanal consecutiva.

Ao iniciar as negociações de quinta-feira, a ação estava cerca de 24% em queda no ano e mais de 30% abaixo de sua máxima em 52 semanas.

A fraqueza prolongada reflete preocupações com a desaceleração da demanda, o aumento da concorrência e a incerteza sobre a direção estratégica da empresa.

No entanto, essa queda não desanimou os investidores de varejo.

Os traders de varejo em aplicativos de negociação online têm sido alguns dos apoiadores mais fervorosos da empresa.

Segundo dados recentes, a atividade de compra na baixa (bottom-fishing) está aumentando na Tesla, com investidores de varejo intervindo em meio ao declínio recente da ação.

De acordo com a Vanda Research, a Tesla atraiu cerca de $256 million em entradas de varejo nos últimos dias, refletindo compras na baixa contínuas e o que a firma descreveu como forte convicção entre investidores individuais.

Em contraste, a demanda de varejo por outros nomes do 'Magnificent Seven', incluindo NVIDIA, Meta e Microsoft, arrefeceu no mesmo período, segundo os dados da Vanda.

BYD amplia liderança global

A BYD continua fortalecendo sua posição nos mercados globais de veículos elétricos, aumentando a pressão sobre a Tesla.

O Barclays reiterou sua recomendação 'Overweight' para a BYD e manteve um preço-alvo de $22, implicando um potencial de alta de mais de 60%, segundo um relatório do Investing.com.

A corretora disse que a competitividade global da BYD está melhorando à medida que expande a produção e aproveita seu modelo verticalmente integrado.

A empresa agora opera em cerca de 120 países.

A BYD vendeu 1,05 milhão de veículos fora da China em 2025, um aumento de 145% ano a ano, com as vendas no exterior previstas em 1,5 milhão de unidades em 2026.

Na Europa, a BYD ultrapassou a Tesla no início de 2026, tornando-se a marca de veículos elétricos mais vendida em janeiro e fevereiro.

Também superou a Tesla em mercados como Austrália, Tailândia, Turquia e Brasil.

O Barclays observou que a expansão internacional está impulsionando a rentabilidade, já que veículos vendidos no exterior frequentemente atingem preços mais altos do que na China.

Embora a Tesla continue sendo um player dominante, a concorrência crescente — particularmente de fabricantes chineses — está remodelando o cenário dos veículos elétricos.

Para a Tesla, o sucesso de qualquer novo lançamento de veículo pode ser crítico para estabilizar as vendas e restaurar a confiança dos investidores, especialmente à medida que os concorrentes continuam a ganhar terreno em mercados internacionais-chave.