Lucro da BP supera expectativas; ação sobe 32% com alta do petróleo

Lucro da BP supera expectativas; ação sobe 32% com alta do petróleo
Sayantan Sarkar
28 de abr. de 2026, 04:36 AM

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Invezz
BP (Buy)

Comprar BP. O resultado acima do esperado ($3.2B vs $2.63B) é impulsionado por contribuições "excepcionais" do trading de petróleo e por um midstream sólido — exatamente o tipo de motor de lucro que tende a continuar enquanto o petróleo permanecer elevado. Com o Brent >$103 e a BP já mostrando entrega operacional, o movimento de 32% no ano da ação parece ser momentum de resultados, não apenas uma manchete pontual. Tese: a BP converte preços elevados de petróleo/gás em lucros extraordinários e ainda consegue financiar seu plano de redução de dívida (meta de dívida líquida $14B–$18B) mantendo o capex ($13B–$13.5B).

Key Risk: Queda rápida nos preços do petróleo e do gás (ou reversão média dos ganhos de trading), reduzindo lucros e fazendo com que o resultado positivo pareça temporário.

Grandes petrolíferas (Sell/Underweight: Shell)

Underweight para Shell em relação à BP. O artigo destaca as contribuições "excepcionais" de trading da BP e a força do midstream durante o mesmo choque de preços do petróleo. Se o rali setorial for principalmente impulsionado por preços, o vencedor será a empresa que melhor converte o choque em ganhos — a BP demonstra atualmente essa vantagem. Tese: o desempenho relativo favorece a BP, portanto a Shell é a perdedora relativa até que mostre força semelhante em trading/midstream.

Key Risk: A Shell reporta um resultado comparável (ou fornece orientação melhor) que comprove que ela pode capturar os mesmos lucros do choque de preços.

  • Lucros do 1T dobraram para $3.2B, superando o consenso de analistas de $2.63B.
  • O lucro foi impulsionado por operações "excepcionais" de trading de petróleo e pelo desempenho do midstream.
  • As ações subiram 32% em 2026; a dívida líquida aumentou para $25.3 billion.

A gigante energética britânica BP viu seus lucros do primeiro trimestre mais que dobrar em relação ao ano anterior, informou a empresa na terça-feira, citando o forte aumento nos preços do petróleo e do gás impulsionado pelo conflito em curso no Oriente Médio.

A petroleira registrou um desempenho financeiro robusto no primeiro trimestre, apresentando um lucro subjacente por custo de reposição (underlying replacement cost profit), uma métrica análoga ao lucro líquido, de $3.2 billion. 

O número superou significativamente as expectativas do mercado, já que analistas consultados pela LSEG projetavam um lucro consensual de apenas $2.63 billion, evidenciando uma forte superação nas expectativas de resultados.

Conflito impulsiona lucros e supera expectativas

Os resultados do primeiro trimestre da BP mostraram crescimento significativo, impulsionados principalmente por contribuições "excepcionais" do comércio de petróleo e por um desempenho sólido no segmento midstream. 

A empresa registrou um lucro líquido de $1.38 billion, um aumento substancial em comparação com $1.54 billion no trimestre final do ano anterior.

Esse forte desempenho destaca o sucesso de suas atividades operacionais e de trading estratégicas no mercado de energia.

“No geral, nossos negócios continuam funcionando bem. Este foi mais um trimestre de forte execução operacional e financeira, e avançamos mais rumo às nossas metas para 2027”, disse a CEO da BP, Meg O’Neill, em um comunicado.

O recente resultado da BP surge em meio a um período de elevação financeira substancial para todo o setor de petróleo e gás.

Esse impulso significativo nos preços das ações e na lucratividade geral é diretamente atribuído ao aumento dramático nos preços dos combustíveis fósseis.

A alta nos custos de energia vem ocorrendo desde o início do conflito, que começou em 28 de fevereiro. 

Esse evento geopolítico provocou instabilidade significativa em regiões-chave produtoras de energia, levando a uma dinâmica de oferta e demanda apertada e, consequentemente, impulsionando os preços do petróleo bruto e do gás natural a novos patamares, beneficiando grandes players como a BP.

A contínua e grave interrupção no estrategicamente vital Estreito de Ormuz está criando aquilo que a Agência Internacional de Energia considerou a maior ameaça à segurança energética da história.

O petróleo Brent estava sendo negociado acima de $103 por barril no momento da redação. 

Após anos de desempenho relativamente fraco, as ações da BP se recuperaram significativamente nos últimos 12 meses.

Essa recuperação ocorre depois que a empresa foi alvo de consideráveis rumores de aquisição após seu período de baixo desempenho.

A ação, listada em Londres, manteve seu forte rali em 2026.

As ações da BP dispararam mais de 32% neste ano, posicionando a empresa como a segunda melhor entre as cinco maiores supermajors do petróleo, atrás apenas da francesa TotalEnergies.

Resiliência financeira e perspectivas futuras

A dívida líquida da BP subiu para $25.3 billion no final do primeiro trimestre, ante $22.18 billion ao final do ano anterior.

A empresa estabeleceu a meta de reduzir essa dívida líquida para uma faixa de $14 billion a $18 billion até o final do próximo ano.

Para o futuro, a BP espera que sua produção upstream reportada seja menor em comparação com o primeiro trimestre, devido a manutenções sazionais e a interrupções no Oriente Médio.

A empresa reiterou sua orientação de despesas de capital para 2026 de $13 billion a $13.5 billion.

Adicionalmente, a BP projeta receber entre $9 billion e $10 billion em receitas provenientes de desinvestimentos e outras fontes ao longo do ano.

Agora, precisamos capitalizar a oportunidade existente em todo o nosso portfólio, simplificando nossa forma de trabalhar, destravando crescimento e impulsionando retornos melhores. É assim que faremos da bp uma empresa mais simples, mais forte e mais valiosa.

Meg O’NeillDiretora Executiva da BP