Acordo secreto entre Google e Meta tem como alvo adolescentes no YouTube e ignora regras: relatório

Acordo secreto entre Google e Meta tem como alvo adolescentes no YouTube e ignora regras: relatório
Harsh Vardhan
08 de ago. de 2024, 08:12 AM
  • Google e Meta visaram secretamente adolescentes no YouTube com anúncios no Instagram.
  • A campanha explorou lacunas nas políticas de anúncios do Google para menores.
  • Legislações como a Lei de Segurança Online para Crianças visam proteger as crianças online.

Google e Meta ganharam as manchetes com um acordo secreto que visa atingir adolescentes no YouTube com anúncios para o Instagram.

Esta parceria estratégica, concebida para contornar as próprias regras da Google sobre a forma como os menores são tratados online, levantou preocupações éticas e legais significativas.

Documentos e fontes revelam o funcionamento interno desta campanha e as implicações mais amplas para a indústria tecnológica.

Visando adolescentes através de uma lacuna “desconhecida”

De acordo com um relatório do Financial Times, o Google desenvolveu um projeto de marketing para o Meta para atingir usuários do YouTube de 13 a 17 anos com anúncios promovendo o Instagram.

A campanha se concentrou em um grupo rotulado como “desconhecido” no sistema de publicidade do Google, voltado para menores de 18 anos. A estratégia explorou uma lacuna nas políticas do Google, que proíbe anúncios personalizados para menores, incluindo aqueles baseados em dados demográficos.

De acordo com fontes internas, foram tomadas medidas para disfarçar a verdadeira intenção da campanha, o que contrariava as próprias diretrizes do Google contra contornar suas políticas por meio de “segmentação por proxy”.

Desenvolvimento em meio ao escrutínio do Congresso

A campanha do Instagram já estava em andamento quando o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, compareceu ao Congresso dos EUA em janeiro para pedir desculpas pelos casos de exploração infantil em suas plataformas.

Este contexto destaca o contraste entre os compromissos públicos com a segurança infantil e as estratégias de marketing nos bastidores.

Google e Meta, concorrentes normalmente ferozes no espaço publicitário online, colaboraram com a Spark Foundry, uma subsidiária da Publicis, para lançar o projeto piloto no Canadá de fevereiro a abril de 2023.

Devido ao seu sucesso, o projeto foi testado nos EUA em maio, com planos para uma expansão internacional mais ampla e promoção de outros aplicativos Meta, como o Facebook.

Reações internas e externas

A reportagem afirma que ao ser contatado pelo Financial Times, o Google iniciou uma investigação sobre as alegações. O projeto já foi cancelado.

O Google afirmou,

A Meta, por outro lado, sustentou que atingir o público “desconhecido” não constituía personalização ou evasão política. Eles enfatizaram a adesão às suas próprias políticas e às dos seus pares ao anunciar os seus serviços, afirmando:

Contexto legislativo e regulatório

O momento da parceria Google-Meta ocorre em meio a uma intensa atividade legislativa relativa à segurança infantil online.

Na semana passada, o Senado dos EUA aprovou o Kids Online Safety Act, impondo um dever de cuidado nas plataformas de mídia social para proteger as crianças de conteúdo prejudicial.

Este acordo bipartidário marca um passo significativo em direção à regulamentação do Vale do Silício sobre segurança infantil.

A senadora republicana Marsha Blackburn comentou sobre o acordo Google-Meta, afirmando:

O escrutínio contínuo da Meta

O tratamento dado pela Meta a menores em suas plataformas está sob escrutínio há muito tempo. A empresa está sendo processada por 33 estados por supostamente implementar práticas manipulativas em relação a usuários jovens, acusações que a Meta nega.

Além disso, a Comissão Federal de Comércio (FTC) procura impedir que a Meta monetize o público adolescente, uma medida que a empresa está contestando judicialmente.

Em 2021, Meta interrompeu os planos de lançar uma versão infantil do Instagram após uma reação pública e revelações de denunciantes sugerindo que o aplicativo era prejudicial à saúde mental de meninas adolescentes.