PwC perde maior cliente, o Banco da China, em meio a investigação regulatória

PwC perde maior cliente, o Banco da China, em meio a investigação regulatória
Vatsala Gaur
20 de ago. de 2024, 03:16 AM
  • A PwC perde o Banco da China como cliente em meio a pressões regulatórias.
  • A EY ganha o Banco da China enquanto a PwC enfrenta escrutínio sobre as auditorias da Evergrande.
  • Mais de 50 empresas chinesas deixaram de ter a PwC como auditora nos últimos meses.

A PricewaterhouseCoopers ou PwC, que já foi a empresa de auditoria dominante na China, perdeu seu maior cliente listado na China continental, o Banco da China (BOC), para sua rival Ernst & Young (EY).

Essa mudança ocorre em meio ao crescente escrutínio regulatório sobre as auditorias da PwC, particularmente aquelas relacionadas à problemática construtora China Evergrande Group.

O êxodo de clientes da PwC destaca os crescentes desafios que a empresa enfrenta na China, onde empresas estatais (SOEs) e instituições financeiras estão cada vez mais optando por auditores nacionais ou internacionais.

Banco da China muda para EY enquanto PwC enfrenta escrutínio

O Banco estatal da China, que havia planejado renomear a PwC como sua auditora para 2024, anunciou em um documento na segunda-feira que pretende nomear a EY.

Esta decisão será apresentada para aprovação dos acionistas. O movimento marca um golpe significativo para a PwC, já que a BOC era seu maior cliente na China continental, pagando 193 milhões de yuans (US$ 27 milhões) em taxas de auditoria no ano passado.

Essa taxa supera as taxas de auditoria combinadas dos próximos três maiores clientes listados nacionalmente da PwC para 2023: China Life Insurance, China Telecom e a gigante de seguros PICC, todas as quais também deixaram de ter a PwC como auditora.

Investigação regulatória sobre as auditorias da Evergrande

A mudança do Banco da China e de outras grandes empresas chinesas ocorre na esteira de uma investigação regulatória em andamento sobre as auditorias da PwC no China Evergrande Group, uma incorporadora imobiliária acusada de uma fraude de US$ 78 bilhões pelo regulador de valores mobiliários chinês.

A PwC auditou a Evergrande por quase 14 anos, até o início de 2023, e a investigação deve resultar em multas pesadas para a empresa de auditoria.

Pelo menos desde abril, reguladores chineses teriam aconselhado vários grandes clientes estatais da PwC a dispensar o auditor, intensificando ainda mais os desafios da empresa na região.

Êxodo de clientes e impacto nas operações da PwC

Pelo menos 50 empresas chinesas, muitas das quais são estatais ou instituições financeiras, abandonaram a PwC como sua auditora ou cancelaram planos de contratar a empresa nos últimos meses, segundo uma análise de registros feita pela Reuters.

Em março, a PwC era auditora de aproximadamente 110 empresas listadas na China continental, de acordo com o site da empresa.

O recente êxodo impactou significativamente as operações da PwC no país, levando a cortes de funcionários em seus escritórios em Pequim, Xangai e outros locais.

Pelo menos 100 funcionários foram demitidos enquanto a PwC ajusta sua estrutura organizacional para se alinhar às mudanças na demanda do mercado, informou a Bloomberg no mês passado.

EY e KPMG ganham terreno enquanto PwC perde clientes

As consequências do escrutínio regulatório não afetaram apenas a PwC, mas também levaram a maiores oportunidades para outras empresas do Big Four, como EY e KPMG.

Cerca de metade dos clientes corporativos que abandonaram a PwC foram adquiridos por esses concorrentes, informou a Reuters.

Notavelmente, a EY auditou o Banco da China por oito anos antes de a PwC assumir em 2021. As regulamentações chinesas estipulam que as empresas estatais não devem empregar o mesmo auditor por mais de oito anos consecutivos, o que também pode ter influenciado a decisão do BOC de retornar à EY.