O que há no novo acordo de paz EUA‑Irã? O que sabemos

O que há no novo acordo de paz EUA‑Irã? O que sabemos
Crispus Nyaga
15 de jun. de 2026, 02:49 AM

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Invezz
Petroleiros (STNG)

Compre Scorpio Tankers (STNG). Um Estreito de Ormuz sem cobrança de taxas por 60 dias aumenta o fluxo e reduz o atrito no transporte, elevando a demanda por capacidade de petroleiros e as taxas spot. Efeito secundário: se o Irã só puder cobrar mais tarde por meio do “diálogo regional”, a incerteza de curto prazo diminui, fazendo com que os afretadores assegurem rotas e ampliem a cobertura de viagens — sustentando a utilização além do impulso inicial gerado pela manchete.

Key Risk: Israel retoma ataques em grande escala que forçam os EUA a voltar à região, fechando ou interrompendo novamente o tráfego em Ormuz.

Empresas de defesa (LMT)

Venda Lockheed Martin (LMT). O núcleo do MoU é a desescalada (Ormuz sem taxas; cessação dos combates no Líbano), o que reduz a probabilidade de uma escalada em grande escala entre EUA e Irã no curto prazo e diminui a urgência por programas incrementais de defesa antimísseis e ataque. Efeito secundário: se os mercados precificarem um “arrefecimento” no Oriente Médio, o cronograma de aquisições migrará de compras emergenciais para ciclos orçamentários mais lentos, comprimindo o ímpeto de pedidos no curto prazo.

Key Risk: O acordo desmorona por conta do Líbano ou dos pagamentos, desencadeando uma nova confrontação EUA‑Irã e restabelecendo a urgência nos gastos com defesa.

  • EUA e Irã chegaram a um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz.
  • O presidente Trump diz que o Irã não cobrará taxas de navios que atravessarem o estreito.
  • O Irã deverá receber bilhões de dólares em espécie, enquanto os EUA encerram seu bloqueio.

Os mercados acionários globais e as criptomoedas estão em alta hoje, com índices asiáticos de destaque como Nikkei 225, Kospi e Topix subindo mais de 5%, depois que os EUA e o Irã confirmaram ter chegado a um acordo. As partes, porém, não divulgaram mais detalhes sobre o memorando de entendimento (MoU). Este artigo examina alguns dos detalhes que podem constar do acordo que será assinado na sexta-feira.

Acordo EUA‑Irã reabrirá o Estreito de Ormuz

A parte mais importante do acordo EUA‑Irã é a reabertura do Estreito de Ormuz sem cobrança de taxas. Em comunicado, o presidente Donald Trump disse que o estreito permanecerá isento de taxas permanentemente, exatamente como era antes do início da guerra. 

Segundo o NYT, o MoU suspenderá as cobranças no estreito por 60 dias, e então haverá um diálogo regional sobre o futuro. O Irã insinuou que colaborará com Omã para impor taxas, como tarifas ambientais ou de segurança, às embarcações que transitarem pelo estreito.

Irã insiste que o acordo encerra os combates no Líbano

Outra parte-chave do memorando de entendimento é que o Irã insistiu que os combates também cessarão no Líbano, onde Israel e o Hezbollah se envolveram em batalhas intensas.

Israel, por outro lado, afirmou que não participou das negociações com os EUA e que continuará sua operação no país. No domingo, as Forças Armadas do país lançaram ataques no sul de Beirute, uma ação que levou a críticas de Donald Trump. 

Um risco‑chave do MoU entre os EUA e o Irã é que Israel possa continuar sua campanha de bombardeios. Como vimos na semana passada, o Irã pode decidir intervir, uma medida que atrairia os EUA de volta ao conflito. De fato, há sinais de que Trump se desgostou de Netanyahu. Ele disse ao NYT:

“Ele é um sujeito muito difícil e, para ser honesto com você, ele deveria nos agradecer muito por termos feito isso. Porque se o Irã tivesse uma arma nuclear, Israel não estaria por aí por duas horas.”

Destino dos pagamentos ao Irã é incerto

Uma parte importante do acordo que não foi divulgada dizia respeito ao montante que o Irã receberá. Para que os iranianos aceitassem reabrir o estreito sem cobrança de taxas, certamente lhes foi prometido dinheiro.

Reportagens indicam que o Irã receberá $24 bilhões de seus recursos durante esse período. $12 bilhões desses fundos serão descongelados antes do início das negociações, e o restante durante a implementação. 

Esses fundos representam um risco significativo para Trump, que acusou o presidente Barrack Obama de enviar $400 milhões em dinheiro ao Irã. Nesse caso, o acordo poderia ser na forma de outros países, como o Catar, liberando os fundos como um empréstimo, garantido pelos ativos congelados do Irã. 

De fato, reportagens recentes sugerem que os EAU iniciaram o desbloqueio de fundos no valor de $10 bilhões para o Irã. Segundo a Reuters, $3 bilhões já foram enviados ao Irã, com os EAU buscando reparar as relações com o país, que se tornou um dos principais destinatários de mísseis e drones.

Destino do programa nuclear do Irã é incerto

O acordo alcançado entre os EUA e o Irã não inclui qualquer questão nuclear além do compromisso do último de nunca construir armas nucleares. Essa tem sido a posição do Irã por anos, uma declaração que também estava no acordo JCPOA. 

O Irã insistiu que não abrirá mão do seu direito de enriquecer urânio porque é membro do Tratado de Não Proliferação (NPT). 

Outra incógnita é o destino do urânio já enriquecido, que Trump chama de pó. Trump insistiu que os EUA recuperarão o material, um processo arriscado, pois o Irã já posicionou minas em locais estratégicos.