Fitch afirma classificação de crédito dos EUA em 'AA+' em meio ao aumento da dívida e polarização política

Fitch afirma classificação de crédito dos EUA em 'AA+' em meio ao aumento da dívida e polarização política
Vatsala Gaur
29 de ago. de 2024, 16:38 PM
  • Os EUA se beneficiam de seu papel como a maior economia do mundo e do domínio do dólar.
  • A polarização política e os desafios fiscais continuam a limitar a classificação.
  • A Fitch prevê que o crescimento econômico desacelere em 2024, com uma taxa média de crescimento anual de 2,1%.

A Fitch Ratings reafirmou a classificação de crédito dos Estados Unidos em 'AA+' com perspectiva estável, citando os pontos fortes estruturais da economia dos EUA e a flexibilidade de financiamento incomparável proporcionada pelo status do dólar americano como a principal moeda de reserva do mundo.

No entanto, a agência de classificação também destacou preocupações crescentes sobre os altos déficits fiscais do país, o aumento da dívida e a crescente polarização política, todos os quais representam riscos à estabilidade econômica de longo prazo.

Aumento dos défices e do peso da dívida

A Fitch expressou preocupação significativa com a saúde fiscal dos Estados Unidos, particularmente com os altos déficits fiscais do país e os níveis substanciais de dívida governamental.

Em 2023, o déficit do governo geral (GG) subiu para 8,8% do PIB, ante 4,1% em 2022.

Essa lacuna crescente foi motivada principalmente pela queda nas receitas, pelo aumento nos pagamentos de juros e pela piora nas finanças dos governos estaduais e locais.

A agência de classificação observou: "O governo falhou em lidar significativamente com os grandes déficits fiscais, o crescente fardo da dívida e os iminentes aumentos nos gastos associados ao envelhecimento da população".

Olhando para o futuro, a Fitch espera que o déficit público diminua ligeiramente para 8,1% do PIB em 2024, mas a carga de juros provavelmente continuará aumentando devido aos maiores níveis de dívida e às taxas de juros elevadas.

Até 2026, a Fitch projeta que a relação dívida/PIB do PIB poderá atingir 124,4%, em comparação com 114% no final de 2023. Sem mudanças significativas na política fiscal, essa relação poderá subir para 131% até 2028.

Polarização política e desafios de governação

A Fitch também destacou os desafios impostos pelo ambiente político cada vez mais polarizado nos Estados Unidos.

A agência apontou impasses frequentes sobre o teto da dívida e ameaças de paralisações do governo como evidências de problemas de governança que limitam a classificação de crédito dos EUA.

Esses desafios, somados à incapacidade de lidar com grandes déficits fiscais, complicam ainda mais as perspectivas econômicas do país.

Espera-se que as eleições presidenciais e parlamentares de novembro de 2024 desempenhem um papel fundamental na definição das políticas econômicas e fiscais dos EUA.

No entanto, a Fitch não prevê uma mudança significativa na posição fiscal subjacente, independentemente do resultado da eleição.

A agência espera que os principais candidatos — a vice-presidente Kamala Harris e o ex-presidente Donald Trump — provavelmente manterão políticas que estenderão a maior parte dos cortes de impostos de 2017, perpetuando a atual trajetória fiscal.

A Fitch prevê que o crescimento econômico dos EUA desacelerará em 2024, com uma taxa média de crescimento anual de 2,1%, abaixo dos 2,5% em 2023.

A agência atribui essa desaceleração a um déficit cada vez menor, o que deverá reduzir os gastos do governo e, consequentemente, contribuir menos para o crescimento econômico geral.

Além disso, projeta-se que um déficit comercial crescente impacte negativamente as exportações líquidas.

O Federal Reserve, que mantém as taxas de juros estáveis desde julho de 2023, deve iniciar um ciclo de corte de juros em setembro de 2024.

A Fitch prevê um corte de 25 pontos-base em setembro, seguido por outro em dezembro, com novas reduções prováveis em 2025.