CEO da US Steel afirma confiança na venda de US$ 14,9 bilhões para a Nippon Steel em meio à resistência política

CEO da US Steel afirma confiança na venda de US$ 14,9 bilhões para a Nippon Steel em meio à resistência política
Srinibas Rout
25 de set. de 2024, 01:19 AM
  • Burritt enfatizou que a transação aumentaria a segurança nacional, a estabilidade econômica e a retenção de empregos.
  • Biden prometeu publicamente que a US Steel permanecerá sob propriedade americana.
  • Tanto Kamala Harris quanto Donald Trump também expressaram sua oposição ao acordo.

O CEO da US Steel, David Burritt, mantém-se firme em relação à venda planejada da empresa por US$ 14,9 bilhões para a japonesa Nippon Steel, expressando confiança de que o acordo acabará sendo bem-sucedido, apesar da oposição vocal do presidente Joe Biden e de outras figuras políticas.

Em uma entrevista recente no programa “Money Movers” da CNBC, Burritt enfatizou que a transação aumentaria a segurança nacional, a estabilidade econômica e a retenção de empregos na indústria siderúrgica dos EUA.

Biden prometeu publicamente que a US Steel permanecerá sob propriedade americana, e relatos sugerem que ele está se preparando para bloquear formalmente a aquisição.

Tanto a vice-presidente Kamala Harris quanto o ex-presidente Donald Trump também expressaram sua oposição ao acordo.

Burritt rebateu essas preocupações destacando o compromisso de longa data da Nippon Steel com as operações americanas, observando que a empresa faz negócios nos EUA há 50 anos.

“Acreditamos que o acordo fecha com seus méritos”, declarou Burritt. “O investimento da Nippon fortalecerá a segurança do emprego e aumentará as capacidades de produção de aço dos EUA.”

Ele ressaltou que a Nippon prometeu investir US$ 2,7 bilhões nas usinas em dificuldades da US Steel, uma medida que ele acredita que salvará empregos.

Por que a US Steel não conseguiu realizar investimentos de forma independente

Quando perguntado por que a US Steel não poderia realizar esses investimentos de forma independente, Burritt explicou que a empresa deve priorizar a alocação de recursos para atender às expectativas dos acionistas.

“É uma questão de alocação de recursos”, reiterou Burritt, observando que o tamanho e os avanços tecnológicos da Nippon Steel lhe dão uma vantagem em pesquisa e desenvolvimento para usinas integradas.

“Eles são cerca de três vezes maiores que nós e têm a melhor P&D e tecnologia do setor”, acrescentou.

A venda proposta está atualmente sob revisão pelo Committee on Foreign Investment in the United States (CFIUS), que avalia as implicações de segurança nacional de transações envolvendo entidades estrangeiras. Burritt antecipa uma decisão do CFIUS após a eleição presidencial dos EUA em novembro.

No início deste mês, o CFIUS manifestou preocupações em uma carta ao Japão, alertando que a venda poderia levar a uma redução na capacidade de produção nacional de aço.

O comitê citou possíveis interrupções nas cadeias de suprimentos essenciais para setores de segurança nacional, como transporte, infraestrutura, construção e agricultura.

Burritt rejeitou essas apreensões de segurança nacional, afirmando que a Nippon Steel cumprirá as leis comerciais dos EUA.

“Este acordo será administrado por cidadãos americanos, e o conselho de administração será composto principalmente por membros americanos”, disse ele, ressaltando sua confiança no alinhamento da parceria com os interesses dos EUA.

Enquanto o acordo continua sendo analisado, Burritt continua otimista sobre seus potenciais benefícios para a US Steel, enfatizando que a colaboração com a Nippon Steel é essencial para o sucesso e crescimento futuro da empresa em um mercado global competitivo.

Analistas otimistas em relação à US Steel

Apesar de perder mais de 35% do valor de suas ações em 2024, Wall Street mantém uma classificação de “overweight” para a US Steel, com uma meta de preço consensual de US$ 42, indicando um potencial de alta de 40%.

Embora a US Steel tenha divulgado recentemente resultados decepcionantes no segundo trimestre — relatando uma queda de 56% no lucro líquido anual para 84 centavos por ação e um declínio de 18% na receita para US$ 4,12 bilhões — a empresa ainda superou as expectativas dos analistas, que previam lucros de 72 centavos por ação sobre receita de US$ 4,01 bilhões.