China visa marco de superávit comercial de US$ 1 trilhão; EUA e UE visam tarifas mais rígidas

China visa marco de superávit comercial de US$ 1 trilhão; EUA e UE visam tarifas mais rígidas
Diya Poddar
11 de nov. de 2024, 15:32 PM
  • O superávit aumentou 16% em 2024, com as exportações superando as importações.
  • O superávit comercial da China atingiu 5,2% do PIB no terceiro trimestre, o maior em quase uma década.
  • As exportações chinesas cresceram em 170 mercados, intensificando o atrito comercial globalmente.

A China está a caminho de atingir um marco histórico, com seu superávit comercial projetado para atingir a marca sem precedentes de US$ 1 trilhão até o final de 2024.

Esse aumento, impulsionado pelo crescimento das exportações e pela desaceleração da economia doméstica, está gerando alarmes entre as principais economias globais, incluindo os EUA e a União Europeia, que podem responder com medidas comerciais mais rigorosas.

O superávit comercial da China atingiu US$ 785 bilhões nos primeiros dez meses de 2024, marcando um aumento de 16% em relação ao ano anterior.

Esse número robusto, o mais alto já registrado para esse período, ressalta a força do mercado de exportação da China, mesmo em meio à queda nos preços de exportação.

De acordo com um relatório da Bloomberg, analistas dizem que o crescimento econômico de Pequim é cada vez mais impulsionado pelas exportações, já que o consumo interno continua fraco, apesar dos recentes esforços de estímulo do governo.

A crescente lacuna comercial gerou preocupações de grandes parceiros comerciais. Espera-se que o presidente eleito Donald Trump introduza tarifas mais duras sobre produtos chineses, potencialmente remodelando a estratégia de exportação e as relações comerciais da China.

Países europeus e sul-americanos também estão adotando posturas protecionistas, impondo tarifas sobre produtos chineses importantes, como aço e veículos elétricos.

Tarifas e redução do investimento estrangeiro aumentam pressão

À medida que as tensões comerciais aumentam, o investimento estrangeiro direto (IED) na China mostra sinais de declínio.

O potencial de saídas líquidas em 2024 marca uma mudança significativa, sugerindo que empresas estrangeiras estão reavaliando seu envolvimento no mercado chinês em meio às crescentes políticas protecionistas em todo o mundo.

A redução do IED ressalta a diminuição da confiança na China como um centro de investimentos estável.

Para compensar a fraca demanda interna, as indústrias chinesas intensificaram suas operações de exportação.

As importações do país continuam abaixo dos níveis de exportação, resultando em um superávit que agora representa 5,2% do PIB nos primeiros nove meses de 2024, uma proporção não vista desde 2015.

Essa estratégia agressiva de exportação ajudou a China a manter seu crescimento econômico, mas ampliou as lacunas comerciais com parceiros globais.

O superávit comercial da China com os EUA aumentou 4,4% este ano, aumentando a tensão em relações já tensas.

Além disso, seu superávit comercial com a União Europeia cresceu quase 10%, enquanto as exportações para países do Sudeste Asiático dentro da ASEAN aumentaram 36% em relação ao ano anterior.

Os crescentes desequilíbrios comerciais destacam a crescente presença da China no comércio internacional, já que agora o país exporta mais produtos para mais de 170 países do que importa — um limite observado pela última vez em 2021.

Tensões cambiais

O crescente desequilíbrio comercial pode desencadear volatilidade cambial.

O Banco Popular da China pode considerar desvalorizar o yuan para aumentar ainda mais a competitividade das exportações, o que pode levar a um superávit comercial maior.

Tal movimento provavelmente aumentaria as tensões cambiais, principalmente com a Índia, que indicou sua disposição de deixar a rupia se desvalorizar em resposta.

O superávit comercial da China com a Índia já atingiu US$ 85 bilhões em 2024, um aumento de 3% em relação ao ano anterior.

À medida que o cenário do comércio global muda, o superávit recorde da China pode desencadear reações econômicas e políticas significativas de seus principais parceiros comerciais.

Os próximos meses testarão como as nações navegam na complexa rede de comércio, tarifas e dinâmica cambial.