AIE prevê crescimento da demanda por petróleo abaixo de 1 milhão de barris por dia para 2024 e 2025

AIE prevê crescimento da demanda por petróleo abaixo de 1 milhão de barris por dia para 2024 e 2025
Sayantan Sarkar
14 de nov. de 2024, 13:54 PM
  • A desaceleração no crescimento da demanda também reflete as condições econômicas globais subjacentes.
  • A demanda por petróleo da China caiu pelo sexto mês consecutivo em setembro, enquanto a economia enfrenta dificuldades.
  • A produção de petróleo do Brasil deve aumentar acentuadamente em 2025, para 3,7 milhões de barris por dia, diz a AIE.

A desaceleração do crescimento da demanda por petróleo nos últimos anos reflete o fim da liberação da demanda reprimida pós-pandemia, disse a Agência Internacional de Energia na quinta-feira.

A desaceleração no crescimento da demanda também reflete as condições econômicas globais subjacentes, bem como a implantação de tecnologia de energia limpa, disse a AIE em seu Relatório do Mercado de Petróleo de novembro.

A demanda mundial por petróleo deve aumentar em 920.000 barris por dia este ano e pouco menos de 1 milhão de barris por dia em 2025, de acordo com o relatório.

O órgão regulador de energia sediado em Paris manteve as estimativas de crescimento da demanda inalteradas em relação ao seu último relatório.

A agência disse que o crescimento da demanda global por petróleo neste ano é menor do que o aumento de 2 milhões de barris por dia do ano passado. Também ficou abaixo do crescimento médio de 1,2 milhão de barris por dia visto durante 2000-2019.

A AIE disse no relatório:

Contratos de demanda da China

As dificuldades econômicas da China prejudicaram o consumo global de petróleo, já que o país é o maior importador de petróleo bruto.

A AIE disse que a demanda chinesa contraiu pelo sexto mês consecutivo em setembro.

O crescimento médio da demanda por petróleo na China durante o terceiro trimestre de 2024 foi de 270.000 barris por dia menor do que no ano anterior, disse a agência.

A agência disse que seu ritmo de crescimento abaixo de 1 milhão de barris por dia para este ano e o próximo reflete o enfraquecimento das condições econômicas globais.

“A rápida implantação de tecnologias de energia limpa também está cada vez mais substituindo o petróleo no transporte e na geração de energia, adicionando pressão descendente a impulsionadores de demanda que de outra forma seriam fracos”, afirmou.

Aumento da oferta global

A oferta de petróleo aumentou em 290.000 barris por dia em outubro, para 102,9 milhões de barris por dia, disse a AIE.

O retorno do petróleo líbio ao mercado mais que compensou a redução da oferta do Cazaquistão e do Irã.

Enquanto isso, espera-se que nações fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados aumentem o fornecimento em 1,5 milhão de barris por dia em 2024 e 2025.

A agência observou:

Espera-se que o Brasil aumente a produção de petróleo em 210.000 barris por dia para 3,7 milhões de barris por dia no ano que vem. Isso ocorre principalmente porque o país deve adicionar mais de 800.000 barris por dia de nova capacidade, disse a IEA.

“O crescimento total dos cinco produtores americanos cobrirá mais do que o crescimento esperado da demanda em 2024 e 2025”, disse a AIE.

Excesso de oferta em 2025

A AIE acredita que, mesmo que a OPEP mantenha seus cortes de produção, a oferta global excederá a demanda em mais de 1 milhão de barris por dia no ano que vem.

A OPEP+ concordou recentemente em estender seus cortes voluntários de produção de 2,2 milhões de barris por dia até o final de dezembro.

O cartel havia planejado aumentar a produção gradualmente, começando com modestos 180.000 barris por dia em dezembro.

No entanto, os preços fracos do petróleo levaram o grupo a mudar seus planos. Os preços do Brent caíram para uma baixa de mais de um mês, para cerca de US$ 70 por barril.

Os países da OPEP querem, em sua maioria, que os preços do petróleo fiquem acima de US$ 80 por barril, que é a faixa de equilíbrio para eles.

No momento em que este artigo foi escrito, o preço do Brent na Intercontinental Exchange era de US$ 72,89 por barril, uma alta de 0,8% em relação ao fechamento anterior.