Microsoft e Chainlink se juntam à segunda fase do programa piloto de CBDC do Brasil

Microsoft e Chainlink se juntam à segunda fase do programa piloto de CBDC do Brasil
Rony Roy
19 de nov. de 2024, 14:40 PM
  • O Banco Central do Brasil faz parceria com a Microsoft, Chainlink e outras empresas para a segunda fase do seu piloto de CBDC.
  • O piloto busca aprimorar os processos de financiamento comercial e da cadeia de suprimentos.
  • A iniciativa durará até 2025.

O Banco Central do Brasil entrou na segunda fase do seu piloto Drex CBDC, colaborando com líderes globais de tecnologia como a Microsoft para aprimorar os processos de financiamento comercial e cadeia de suprimentos.

De acordo com um anúncio do Banco Central do Brasil em 19 de novembro, a segunda fase do piloto do Drex se concentra na criação de uma solução de financiamento comercial baseada em blockchain para lidar com ineficiências em transações internacionais de commodities agrícolas.

A iniciativa reúne Microsoft, Chainlink, Banco Inter e 7Comm para impulsionar o projeto.

Utilizando conhecimentos de embarque eletrônicos tokenizados (eBOL) e mecanismos de blockchain, como entrega versus pagamento (DvP) e pagamento versus pagamento (PvP), o projeto visa automatizar os pagamentos da cadeia de suprimentos e agilizar os processos de comércio global.

O DvP garante que as transferências de ativos ocorram somente após a confirmação do pagamento, enquanto o PvP facilita liquidações simultâneas entre moedas.

Essas tecnologias serão testadas para melhorar a transparência, reduzir atrasos e permitir operações transfronteiriças tranquilas.

A Chainlink contribuirá com seu Protocolo de Interoperabilidade entre Cadeias (CCIP) para facilitar transações seguras entre plataformas.

Essa tecnologia de oráculo descentralizada permite mecanismos DvP baseados em blockchain, garantindo liquidações comerciais automatizadas, seguras e eficientes.

Enquanto isso, o banco digital brasileiro Banco Inter está supervisionando a implementação local da plataforma Drex.

A instituição vê este projeto como uma forma de expandir o acesso ao mercado e, ao mesmo tempo, melhorar a economia.

A gigante da tecnologia Microsoft está contribuindo com a infraestrutura de nuvem para dar suporte aos requisitos técnicos do piloto, enquanto a empresa de integração de blockchain 7Comm fornecerá a experiência necessária para garantir a implantação tranquila das tecnologias de blockchain na estrutura do piloto.

Juntos, esses participantes pretendem enfrentar o "trilema" de descentralização, privacidade e programabilidade, incorporando ativos tokenizados aos balanços bancários.

A segunda fase do piloto do Drex está programada para durar até 2025, com planos de explorar vários outros casos de uso.

Isso inclui transações de ativos digitais, como pools de liquidez para títulos do governo e comércio internacional.

Stablecoins e regulamentações

Apesar desses avanços, a Drex enfrenta a concorrência das stablecoins, que dominam o mercado de criptomoedas do Brasil, principalmente em remessas e câmbio.

Conforme relatado anteriormente pelo Invezz, entre julho de 2023 e junho de 2024, o país recebeu US$ 90,3 bilhões em transações de criptomoedas, com as stablecoins respondendo por 59,8% desse volume.

O banco central pretende resolver isso integrando o Drex ao ecossistema financeiro mais amplo para garantir mais controle sobre o setor, considerando que a maioria das stablecoins populares são privadas.

O Brasil também está avançando com regulamentações de criptomoedas para garantir proteção e conformidade dos investidores.

No início deste ano, o banco central anunciou um plano multifásico para regulamentar provedores de serviços de ativos virtuais (VASPs).

Esta iniciativa inclui consultas públicas e o desenvolvimento de uma estrutura de conformidade para operações VASP.

O banco central planeja desenvolver estruturas para supervisão de stablecoins, particularmente aquelas usadas para pagamentos e câmbio.

A conformidade com as normas de combate à lavagem de dinheiro e a prevenção de fraudes também são prioridades na nova estrutura.