Leilão da Citgo enfrenta reformulação após colapso do processo de venda de um ano

Leilão da Citgo enfrenta reformulação após colapso do processo de venda de um ano
Noris Soto
27 de nov. de 2024, 15:44 PM
  • O leilão reformulado começará em 18 de dezembro, com o objetivo de restaurar a ordem e atrair novos lances.
  • No centro da controvérsia está uma oferta de US$ 7,3 bilhões da Amber Energy.
  • O processo de venda original foi projetado para compensar os credores pelas desapropriações e inadimplências da Venezuela.

O leilão de ações da controladora da Citgo Petroleum, a PDV Holding, com o objetivo de liquidar US$ 21,3 bilhões em reivindicações contra a Venezuela e sua estatal petrolífera PDVSA, deve ser reiniciado após ter sido declarado um fracasso.

O consultor nomeado pelo Tribunal Distrital dos EUA, Robert Pincus, recomendou uma reformulação completa, citando um processo caótico e contencioso que deixou os credores insatisfeitos.

O leilão reformulado começará em 18 de dezembro, com o objetivo de restaurar a ordem e atrair novos lances.

O que deu errado no leilão

O processo de venda original, projetado para compensar os credores pelas desapropriações e inadimplências da Venezuela, foi cercado de disputas.

No centro da controvérsia está uma oferta de US$ 7,3 bilhões da Amber Energy, uma afiliada da Elliott Investment Management.

Amber tinha direitos exclusivos de negociação e propôs termos de pagamento diferido, que muitos credores criticaram como excessivamente favoráveis à Elliott.

Apesar de ter sido declarada vencedora em setembro, a Amber não conseguiu finalizar um acordo. Seus termos foram recebidos com objeções de outros credores, que argumentaram que o processo carecia de justiça e transparência.

Pelo menos dois outros grupos expressaram interesse em voltar a concorrer se tivessem a oportunidade, destacando ainda mais a insatisfação com o processo.

Em um processo judicial, Amber alertou que as mudanças propostas no leilão criariam um "ambiente caótico" e reduziriam o preço de compra.

A empresa já havia indicado que pode desistir caso o tribunal rejeite suas condições.

A proposta do conselheiro judicial

Após um ano de negociações malsucedidas e advertências judiciais, Pincus propôs reiniciar o leilão sob termos revisados.

Seu plano está amplamente alinhado com as recomendações do juiz distrital dos EUA Leonard Stark para retomar a venda, mas rejeita a sugestão de acelerar reivindicações concorrentes sobre os ativos da Citgo.

Pincus argumentou que tais ações poderiam dissuadir potenciais licitantes devido aos riscos elevados.

O processo reformulado concederá aos licitantes acesso renovado aos dados financeiros e operacionais da Citgo, proporcionando-lhes uma compreensão mais clara do valor da empresa.

O leilão será relançado formalmente em 18 de dezembro, com um período de lances de três meses. Pincus pretende entregar uma recomendação final ao tribunal até abril, com o Juiz Stark esperado para confirmar um lance vencedor em uma audiência em maio.

O que está em jogo

As apostas são altas tanto para os credores quanto para a Venezuela. Os US$ 21,3 bilhões em reivindicações representam compensação por uma série de expropriações e inadimplências vinculadas à PDVSA.

A Citgo Petroleum, uma refinaria e comercializadora de produtos petrolíferos sediada nos EUA, é considerada um dos ativos estrangeiros mais valiosos da Venezuela.

A revisão busca corrigir as deficiências do processo inicial, incluindo a falta de transparência e o preconceito percebido.

O leilão revisado visa atrair mais licitantes, garantir justiça e maximizar o valor das ações da Citgo para beneficiar os credores.

O leilão da Citgo também traz implicações legais e geopolíticas significativas.

Ele serve como um caso de teste de como os tribunais dos EUA lidam com disputas sobre ativos estatais estrangeiros, especialmente em casos envolvendo reivindicações de credores contra nações como a Venezuela.

O processo reformulado pode abrir um precedente para futuras vendas de ativos vinculadas a disputas internacionais de dívida.