Por que a Estônia está propondo um imposto sobre navios para financiar a proteção do cabo do Mar Báltico?

Por que a Estônia está propondo um imposto sobre navios para financiar a proteção do cabo do Mar Báltico?
Sayantan Sarkar
29 de jan. de 2025, 07:16 AM
  • O ministro da Defesa da Estônia propõe uma taxa para navios que utilizam o Mar Báltico para cobrir os custos de proteção de cabos.
  • A OTAN aumenta sua presença no Mar Báltico após danos a cabos submarinos, possivelmente causados por âncoras de navios.
  • Os países estão considerando medidas de proteção adicionais, incluindo sensores e barreiras físicas para cabos.

O ministro da Defesa da Estônia propôs na quarta-feira que as empresas de navegação possam ter que pagar uma taxa para usar o Mar Báltico, uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo, para cobrir os altos custos de proteção de cabos submarinos após uma série de violações, informou a Reuters na quarta-feira.

A OTAN, Organização do Tratado do Atlântico Norte, anunciou na semana passada sua decisão de aumentar sua presença no Mar Báltico.

Essa medida vem na sequência de uma série de incidentes preocupantes em que navios causaram danos involuntários a cabos de energia e comunicação submarinos cruciais devido às suas âncoras.

Esses incidentes levantaram suspeitas de sabotagem, levando a OTAN a tomar medidas proativas para proteger a infraestrutura crítica e manter a segurança na região.

Medidas adicionais

De acordo com o ministro da Defesa da Estônia, Hanno Pevkur, os países estão considerando medidas adicionais para proteger os cabos.

Isso inclui a instalação de sensores para detectar âncoras arrastando-se pelo fundo do mar, bem como a construção de revestimentos ou paredes ao redor dos cabos, informou a Reuters.

As despesas acabarão sendo repassadas aos consumidores — por meio de aumento de impostos ou custos mais altos de serviços públicos — independentemente de os governos ou as empresas de TV a cabo arcar com o custo inicial.

Além disso, a implantação da OTAN incluirá uma variedade de ativos navais, incluindo fragatas equipadas com capacidades avançadas de vigilância e detecção, aeronaves de patrulha para realizar monitoramento aéreo e drones para melhorar a consciência situacional.

Esses ativos trabalharão em conjunto para deter quaisquer ameaças potenciais, investigar atividades suspeitas e responder rapidamente a quaisquer incidentes que possam ocorrer.

O aumento da presença da OTAN no Mar Báltico visa tranquilizar aliados e parceiros na região, demonstrando o compromisso da organização com a defesa coletiva e sua determinação em proteger infraestrutura vital.

Ao melhorar as capacidades de vigilância e resposta, a OTAN busca evitar mais danos a cabos submarinos, que são essenciais para a comunicação, transmissão de energia e atividade econômica.

Cobrança de impostos sobre navios

Enquanto isso, Pevkur sugeriu que outra opção é implementar um imposto sobre navios que navegam pelo Mar Báltico, que faz fronteira com oito países membros da OTAN e a Rússia.

"Digamos que quando você vai ao aeroporto, você tem a taxa de pouso, tem a taxa do aeroporto e isso é pago no bilhete", disse Pevkur à Reuters.

Pevkur afirmou que havia várias opções disponíveis e que os países precisariam concordar com uma solução.

O Comitê Internacional de Proteção de Cabos, sediado no Reino Unido, relata que aproximadamente 150 cabos submarinos são danificados anualmente em todo o mundo.

O Mar Báltico, com suas águas rasas contendo cabos de telecomunicações, linhas de energia e gasodutos, é considerado especialmente suscetível a danos devido ao alto volume de tráfego.

De acordo com a Reuters, algumas estimativas sugerem que até 4.000 navios atravessam o Mar Báltico diariamente.

Um navio de bandeira maltesa foi apreendido pelas autoridades suecas na segunda-feira devido à sua conexão com os danos causados a um cabo que liga a Letônia à Suécia.

Este incidente é um dos quatro casos semelhantes ocorridos em pouco mais de um ano que também afetaram linhas de energia e telecomunicações entre a Estônia e a Finlândia.

Pevkur declarou à Reuters que, embora as investigações oficiais ainda estejam em andamento, a série de incidentes sugere atividade coordenada por navios que fazem parte da "frota fantasma" da Rússia.