Presidente argentino pode enfrentar julgamento de impeachment por esquema de pump-and-dump de US$ 107 milhões da LIBRA

Presidente argentino pode enfrentar julgamento de impeachment por esquema de pump-and-dump de US$ 107 milhões da LIBRA
Rony Roy
17 de fev. de 2025, 03:42 AM
  • Milei enfrenta processos por fraude e crimes financeiros após endossar o LIBRA.
  • A LIBRA despencou mais de 94% após a venda de ações por insiders.
  • Parlamentares da oposição pressionaram pelo impeachment de Milei.

O presidente argentino Javier Miley foi alvo de reclamações legais e ameaças de impeachment depois de endossar a criptomoeda LIBRA, que acabou sendo um golpe interno.

De acordo com uma reportagem da Associated Press de 17 de fevereiro, Milei está enfrentando queixas criminais dos advogados Marcos Zelaya e Jonatan Baldiviezo, juntamente com a engenheira María Eva Koutsovitis e o economista Claudio Lozano, que o acusam de fraude e violação da Lei de Ética Pública da Argentina.

Os autores alegam que Milei desempenhou um papel fundamental em enganar os investidores ao promover o token, que teve um breve aumento antes de despencar mais de 94% após seu endosso.

Espera-se que um juiz seja designado para o caso ou que o encaminhe a um promotor para investigação adicional.

Enquanto isso, outro processo judicial foi movido pelo advogado Agustín Rombolá, que denunciou Milei por crimes financeiros, manipulação de preços e conflitos de interesse.

Rombola, que é membro do partido político argentino União Cívica Radical, divulgou sua queixa em uma publicação no X em 16 de fevereiro.

Seu escritório também está preparando uma ação coletiva em nome de investidores que perderam dinheiro no que muitos na comunidade cripto estão chamando de esquema de pump-and-dump.

O que é LIBRA?

LIBRA era um token baseado em Solana vinculado ao projeto Libertad, uma chamada “iniciativa privada” que afirmava que incentivaria o crescimento da economia argentina.

O token apareceu repentinamente no mercado em 14 de fevereiro, logo após Milei postar sobre ele no X.

Em sua publicação agora deletada, ele incluiu o link para o site do projeto e o endereço do contrato, fazendo com que o preço do token disparasse.

Investidores correram para comprar, elevando a capitalização de mercado do LIBRA para impressionantes US$ 4,56 bilhões em poucas horas.

Mas tão rápido quanto subiu, tudo desabou. Milei apagou sua publicação e, em 11 horas, o token perdeu mais de 94% de seu valor, de acordo com a carta de Kobeissi.

Analistas de blockchain já estavam levantando bandeiras vermelhas antes do colapso.

O site do projeto foi criado apenas algumas horas antes do lançamento e não havia informações públicas sobre seus fundadores.

Além disso, dados da plataforma de análise Bubble Maps indicaram que 82% do fornecimento de tokens do projeto estava desbloqueado e disponível para venda desde o início — uma configuração típica de projetos criptográficos duvidosos.

De acordo com dados on-chain do Lookonchain, oito carteiras internas ligadas ao projeto começaram a sacar mais de US$ 107 milhões em liquidez aproximadamente três horas depois que o token começou a ser negociado.

Isso incluiu saques massivos de 57,6 milhões de USDC e 249.671 Solana que drenaram o mercado e deixaram os investidores de varejo com tokens sem valor.

Milei corre o risco de impeachment.

O escândalo LIBRA rapidamente se transformou em uma tempestade política, com parlamentares da oposição pedindo o impeachment de Milei.

Liderando a ofensiva está Leandro Santoro, que descreveu o fiasco como uma "vergonha internacional" e insistiu que o presidente deve ser responsabilizado.

“Este escândalo, que nos envergonha internacionalmente, exige que apresentemos um pedido de impeachment contra o presidente”, disse Santoro em declarações à imprensa em 16 de fevereiro.

Enquanto Milei se esforça para se distanciar das consequências, mais detalhes surgiram sobre seu envolvimento anterior com as pessoas por trás do projeto.

O gabinete presidencial da Argentina admitiu que Milei se encontrou com representantes do KIP Protocol — a empresa Web3 ligada ao LIBRA — em 19 de outubro de 2023.

A reunião ocorreu na Argentina, onde o Protocolo KIP teria informado o presidente sobre sua iniciativa de blockchain, que visava financiar empreendimentos privados no país.

Para aumentar o mistério, Milei também teve uma reunião separada na Casa Rosada em 30 de janeiro com o empreendedor de criptomoedas Hayden Mark Davis, que foi apresentado como parceiro de infraestrutura para o projeto.

Apesar dessas conexões, Milei insiste que não teve papel direto no desenvolvimento ou lançamento do projeto.

Seu gabinete afirma que ele desconhecia os detalhes do LIBRA quando o endossou e que sua publicação tinha apenas a intenção de apoiar o crescente setor de criptomoedas da Argentina.

Em uma tentativa de combater a reação, Milei pediu ao Gabinete Anticorrupção que abrisse uma investigação sobre todos os funcionários do governo, incluindo ele mesmo.

Um comunicado da presidência argentina afirmou que as informações coletadas durante a investigação seriam “entregues aos tribunais” para determinar se “empresas ou indivíduos” ligados ao projeto KIP Protocol cometeram algum crime.